1º ENPD: A decisão de tratar seu pasto como lavoura!

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pastagem perfeita plantada recentemente
Foto: Bruno Gottardi

A pastagem deve sair de um tratamento periférico e começar a ter os cuidados merecidos para se tornar uma lavoura, pois capim bom e bem manejado é sinônimo de boi gordo no pasto

Profa. Dra. Janaina Martuscello* – A importância das pastagens no Brasil é inquestionável. A esmagadora maioria do rebanho brasileiro é criado exclusivamente em pastagens e o que resta provavelmente passou algum ciclo de sua vida no pasto.

O pecuarista precisa entender que o bem mais precioso que ele tem na propriedade é o pasto! Isso porque a produção animal sob pastejo é a forma mais barata de alimentar o rebanho e pastos bem manejados promovem desempenhos satisfatórios. Sem capim, sem gado! Capim ruim, gado com desempenho ruim! Capim bom e bem manejado, desempenho bom!

Embora grande parte das forrageiras utilizadas em nossos sistemas de produção seja adaptada a solos de baixa fertilidade e rústicas, não há justificava para pensarmos que as áreas de pastagens não precisam ser adubadas. A falta de reposição de nutrientes e o não respeito à capacidade de suporte são causas da degradação.

É comum vermos áreas de pastagens com lotação muito acima do suportado, pastos rapados e contaminado por plantas invasoras. Isso não combina com uma pecuária competitiva! Assim, há necessidade de se conhecer as exigências em fertilidade de solo e manejo para a forrageira escolhida. Quando o pasto é tratado como lavoura, suas exigências são atendidas e a otimização da produção de forragem leva à maximização da produção animal.

A lavoura-pasto é colhida pelo animal, por isso há necessidade de se regular bem a colheitadora e, no caso da pecuária, essa regulagem é feita com ajustes na carga animal. Isso porque a colheitadora é o boi!

Planejamento e gestão acurados para ter capim

  • Você sabe qual é a produção de forragem do seu pasto assim como um sojicultor sabe a produção de sua lavoura?
  • Você sabe qual é a sua eficiência de pastejo assim como um produtor de milho sabe a eficiência de colheita?
  • Onde estão as perdas de forragem? Já detectou?

Essas respostas são importantes para que o pecuarista saiba se o pasto tem sido tratado como lavoura.

Como então tratar o pasto como lavoura?

O primeiro passo é a análise de solo. Sem esse diagnóstico fica impossível saber se o solo atenderá as exigências da planta, potencializando sua produção. O segundo passo é a interpretação da análise e respeito às recomendações. Não adianta utilizar a recomendação do vizinho. Cada caso é um caso.

Outro grande passo para o sucesso é a escolha correta da forrageira. Pode parecer que temos muitas opções e que a escolha é difícil, mas as forrageiras disponíveis no mercado ajudam a diversificar nossos pastos, e isso é importante para a segurança alimentar da fazenda. Ao escolher o capim, o pecuarista precisa avaliar aspectos relacionados a clima, solo, topografia e principalmente capacidade de manejo. A melhor planta forrageira é aquela que o pecuarista ou a equipe sabem manejar. Isso é primordial! Não adianta buscar o capim da moda. Não existe capim milagroso: existe capim bem manejado.

O manejo é outro ponto de destaque para uma boa lavoura de capim, já que ao se respeitar a planta há otimização de sua produção e, com isso, maximização da produção animal como dito anteriormente. Hoje, um dos principais alvos de manejo é a altura do pasto. Para muitas plantas forrageiras já existe recomendação de altura de manejo tanto para lotação contínua quanto rotativa e o respeito a essas alturas tem mostrado resultados fantásticos de desempenho animal. Isso porque planta não responde a calendário humano, e manejar por dias fixos já não é mais uma estratégia que devemos considerar.

Vários outros pontos são importantes para se ter uma pecuária a pasto competitiva, como escolha de sementes de qualidades, ajustes constantes na lotação para melhorar a eficiência de colheita, não deixar capim sobrar nem faltar, fazer planejamento forrageiro para que se obtenha ganhos também no período seco do ano, entre outros.

Mas, o mais importante para o sucesso na produção sob pastejo é compreender que, assim como qualquer lavoura, o pasto precisa da dedicação do pecuarista. A pecuária extrativista ficou em outros tempos! Estamos em uma nova era e precisamos fazer nossa pecuária cada mais forte. Avançamos muito, mas ainda temos muito que evoluir.

Se a pecuária brasileira dá toda essa contribuição ao nosso PIB da forma como está, imaginem quando nossos pastos forem, de fato, lavoura? Ninguém mais irá nos segurar! E aí? Você trata seu pasto como lavoura?

Quer entender de forma mais profunda todos os pontos que foram discutidos nesse artigo? Então participe do 1º Encontro Nacional da Pecuária de Decisão, que será realizado de maneira híbrida em São Paulo (SP), no dia 03 de setembro, das 9h às 13h, presencialmente na Fazenda Churrascada e com transmissão ao vivo.

Mais do que um evento: uma imersão na pecuária inteligente e de resultados, o 1º ENPD trará conhecimento, visão estratégica de mercado, benchmarking e aprendizados para o pecuarista tomar decisões mais sustentáveis e até 10 vezes mais lucrativas.

Acesse o link abaixo e faça a sua inscrição para o 1º ENPD. Vagas limitadas!

Janaína Martuscello – Professora de Forragicultura e Pastagens da Universidade Federal de São João del Rei

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