Acidose ruminal mata e traz prejuízo para confinamento

Acidose ruminal mata e traz prejuízo para confinamento

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acidose ruminal causa morte
Acidose é o segundo maior prejuízo no confinamento. Foto Divulgação.

Acidose ruminal é uma doença metabólica geralmente aguda, causada pela ingestão de dietas desbalanceadas e ou má gestão do cocho no confinamento. Veja!

Um dos fatores mais determinantes entre o sucesso e o prejuízo no confinamento é a nutrição. Ter uma boa gestão do cocho é um ponto crucial para garantir um bom desempenho animal e, além disso, permitir que ele tenha condições de converter o alimento em carne. Veja o tamanho do prejuízo que é causado pela acidose ruminal.

A acidose ruminal é uma alteração aguda ou crônica que se dá devido à ingestão excessiva de carboidratos facilmente fermentáveis, sendo problema frequente em ruminantes com dietas ricas em concentrados (OWENS et al., 1998). Sendo assim, os animais em confinamento são extremamente desfiados pelas dietas ricas em concentrado. Onde está o maior perigo?

A acidose ruminal é o segundo maior transtorno encontrado em animais de confinamento, ficando atrás apenas de problemas respiratórios, como a pneumonia. Lembrando que os problemas de poeira nos confinamentos são facilmente corrigidos se forem utilizados aspersores.

Quais os tipos?

Para entender o maior perigo da acidose, é preciso conhecer quais são os tipos da doença que acometem os bovinos confinados, são elas: Clínica e Sub-Clínica.

A clínica, que é aquela que você enxerga o animal, ele fica doente, você consegue identificar e tratar ele. Já a acidose subclínica, esta talvez, embora não mate o animal, seja mais perigosa porque o animal está com problema, você está dando ração e não está vendo o prejuízo que está tendo.

O distúrbio metabólico também pode se apresentar como acidose ruminal subclínica. Desta forma, a doença é de difícil diagnóstico, pois o pH ruminal não baixa tanto quanto na acidose clínica e os sinais clínicos são quase imperceptíveis, sendo eles falta de apetite, alteração na consistência das fezes e apatia do animal.

Devido a intensa produção de ácidos, há lesão na parede ruminal gerando as ruminites. Tais lesões facilitam a entrada de bactéria na corrente sanguínea, chegando ao fígado e pulmões rapidamente, isso explica-se o surgimento de abscessos hepáticos e broncopneumonia.

Principais causas

A acidose ruminal é uma doença metabólica aguda que tem como causa principal a ingestão alta e súbita de grãos ou outros carboidratos não-fibrosos que fermentam rapidamente, causando um grande acumulo de ácidos no rumem.

Sendo assim, animais que serão submetidos a dietas ricas em concentrado, devem passar por um período de adaptação. Muitas das vezes o pecuarista não leva a sério a adaptação dos animais, sofrendo gravemente com um prejuízo que é, na maior parte, invisível aos olhos.

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Sintomas

Os sintomas devem ser observados todos os dias, por isso é fundamental que a mão de obra responsável pelo trato, seja especializada e treinada para poder identificar o quanto antes a doença, afim de minimizar o prejuízo causado.

acidose ruminal
Primeira foto órgão normal e outro que sofreu acidose.

Entre os sintomas da acidose se manifestam 12 a 24 horas após ingestão do alimento. Estão entre eles a perda do apetite, desidratação, diarreia e até depressão. Nos casos mais graves, pode ocorrer a morte do animal.

Podemos citar como demais sintomas:

  • Inchaço do rúmen;
  • Cólicas;
  • Queda no movimento ruminal ;
  • Diarreia escura e acida;
  • Cegueira;
  • Caminhar cambaleante;
acidose subclinica
Órgão de um animal com acidose subclínica

O diagnóstico deve basear-se na observação dos sinais clínicos acima descritos (depressão, anorexia, incoordenação etc.), associados a um histórico de alimentação com grandes quantidades
 de grãos ou outros alimentos facilmente fermentáveis. 

Prejuízos

Dados inéditos nacionais, mostram um fator de risco de 12,6 e 5,8 vezes das ruminites ocasionando abscesso hepático e pneumonia, respectivamente. As desordens digestivas são a segunda causa de transtornos encontrados no confinamento, ficando atrás apenas de quadros respiratórios.

O prejuízo com a acidose clínica é visivelmente rápido e pode ser tratado assim que é identificado. Entretanto, o mesmo não ocorre com o quadro da acidose subclínica, onde o animal sofre e não é notado.

Animais com acidose ruminal subclínica estarão fadados a uma menor taxa de conversão alimentar, menor rendimento de carcaça e, consequentemente será preciso um maior tempo de cocho para poder atingir o peso ao abate.

Além disso, quadros de acidose, clínica ou subclínica, podem gerar a tão conhecida laminite e problemas de casco nos animais, além de fragilizar o sistema imunológico dos animais acometidos pela doença.

Como evitar e tratar?

A solução não é restringir a produção deste ácido. Um boi confinado para ganhar peso precisa ter ácido no rúmen. O que faz um animal ganhar peso é esta produção de ácido.

É preciso fazer um treinamento com o peão, que é quem é responsável por observar estes animais, para poder identificar o que é problema respiratório e o que é acidose.

Porque a acidose não vem do nada. Ela vem, principalmente, após um período de falta de comida.

Manejo de cocho, é extremamente importante para evitar esse prejuízo. Se você deixar ele passar fome por algum motivo, se entre tratos você não fez um bom manejo de cocho e fornece alimento de novo, ele vai com muita fome ao cocho. Vai comer muito mais comida em uma velocidade maior do que está acostumado, causando um acúmulo do acido no rumem.

Formas de medidas básicas para a prevenção da acidose:

  • A importância da dieta de adaptação;
  • Leitura de cocho;
  • Ronda dos peões pelas baias;
  • Formulação adequada da dieta de alto grão;
  • Tamponantes na dieta;

Outros nomes para a doença

A doença também é conhecida como: Indigestão Aguda por Carboidratos em Ruminantes, Sobrecarga Aguda por Grãos, Impactação Ruminal Aguda, Sobrecarga Ruminal, Acidose Láctica,Indigestão Tóxica, Indigestão Ácida (OGILVIE, 2000).

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