Alerta: La Niña pode assolar novamente o produtor rural

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Segundo aponta o boletim divulgado do Simagro, o fenômeno La Niña deve voltar nos próximos três meses, assolando novamente o produtor rural em importantes regiões!

O mestre em meteorologia da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (SEAPDR) e responsável pelo Sistema de Monitoramento e Alertas Agroclimáticos (Simagro-RS), Flávio Varone, divulgou o prognóstico para agosto, setembro e outubro. Segundo ele, o próximo trimestre ainda permanecerá sem influência de eventos climáticos globais, o que manterá o restante do inverno e o começo da primavera com padrões próximos da média no Rio Grande do Sul.

“Nos próximos meses há previsão de retorno do fenômeno La Niña, o que poderá provocar a redução da chuva no último trimestre de 2021”, aponta.

Para os meses de agosto e setembro, as precipitações deverão se manter próximas da média na maioria das regiões. Somente algumas áreas da Campanha poderão ter valores ligeiramente superiores a normal em agosto. Em outubro, a previsão indica a redução da chuva, e são esperados volumes abaixo da média em grande parte do Estado, com maior diminuição da precipitação na Metade Leste.

O prognóstico das temperaturas mínimas e máximas indicam valores abaixo da normalidade em todo o Rio Grande do Sul, com elevação natural das máximas entre setembro e outubro.

Resumo

Chuva:

Agosto: Valores próximos da média na maior parte do RS e ligeiramente acima na Campanha.

Setembro: Totais próximos da normalidade em todo Estado.

Outubro: Seco na Metade Leste e ligeiramente abaixo da média nas demais regiões.

Temperatura Máxima:

Agosto: Abaixo do padrão climatológico na maioria das regiões, com valores menores nas Missões.

Setembro: Abaixo da normalidade em todo Estado.

Outubro: Ligeiramente abaixo do normal nos setores Sul, Leste e Norte e próximos da média no restante das regiões. 

Temperatura Mínima:

Agosto: Abaixo da média nos setores Oeste, Noroeste e Norte, com valores dentro da normalidade no restante do Estado.

Setembro: Abaixo do normal na maioria das regiões, com valores médios no Litoral.

Outubro: Abaixo do normal na maior parte das áreas, com valores próximos da média no Litoral Sul. 

Entenda o que é e quais são os impactos do La Niña

Presença do La Niña, fenômeno que afeta o clima em todo o planeta, deixou os produtores rurais de sobreaviso. Desde então o Brasil vem sentindo seus efeitos principalmente por meio de estiagens que afetaram as regiões Sul e Centro-Oeste. 

O que é o La Niña?

O evento, definido como ocêanico-atmosférico, ocorre quando as águas superficiais da região da linha equatorial do Oceano Pacífico sofrem um resfriamento anormal. Essa alteração afeta as chuvas e as temperaturas ao redor do mundo.

A principal causa do La Niña é a intensificação dos ventos alísios, que sopram de leste para oeste na região da linha equatorial, gerando um aumento dos movimentos de ressurgência, quando as águas frias do fundo do oceano sobem para a superfície. As águas quentes ficam então concentradas em um pequeno espaço da região mais oeste do oceano Pacífico, desregulando as precipitações em vários pontos do planeta. 

O fenômeno costuma acontecer em intervalos de dois e sete anos, com vigência de 9 a 12 meses, e é o completo oposto do El Niño, que causa um aquecimento dessas mesmas águas. 

Como o La Niña afeta o agronegócio brasileiro?

O fenômeno oceânico-atmosférico pode atingir as plantações de diferentes formas. Em 2021, ele foi responsável pelo maior atraso da colheita de soja dos últimos dez anos, afetando diretamente os produtores e as exportações agrícolas brasileiras; na primavera, ele deve causar mais chuvas excessivas e atrasar novamente o plantio, a colheita e a exportação da oleaginosa.

Durante o inverno, o Sul deve sofrer bastante com irregularidade de chuvas, o que afetará os reservatórios de água e as lavouras de arroz. A região já tem sofrido bastante com precipitações abaixo da média, que provocaram uma má-formação dos milharais no Rio Grande do Sul. 

Compre Rural com informações são da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do RS.

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