Arauco instala 95 mil dormentes em ferrovia de R$ 2,4 bilhões para escoar celulose

Projeto prevê 54 quilômetros de trilhos, 26 locomotivas e 721 vagões para conectar a fábrica de Inocência ao corredor de exportação pelo Porto de Santos.

A Arauco iniciou a instalação dos primeiros dormentes da ferrovia que atenderá o Projeto Sucuriú, em Inocência (MS), avançando na construção da estrutura necessária para levar a futura produção de celulose ao Porto de Santos. Ao todo, estão previstas cerca de 95 mil peças de concreto, responsáveis por sustentar os trilhos e distribuir as cargas dos trens.

O início dessa etapa foi divulgado em outubro, com mais de 60% das obras ferroviárias executadas, segundo informações da companhia. A previsão é que a ferrovia entre em operação no final de 2027, acompanhando o início das atividades da fábrica.

Com investimento estimado pela Arauco em R$ 2,4 bilhões, o projeto ferroviário prevê 26 locomotivas e 721 vagões, dimensionados para uma operação com capacidade de transportar até 9.600 toneladas de celulose por composição. A estrutura será parte central da logística de exportação do empreendimento.

Os 54 quilômetros incluem o ramal e as vias dentro da fábrica

A ligação ferroviária terá 45 quilômetros entre a unidade industrial e a Rumo Malha Norte, além de nove quilômetros de vias internas para as operações no complexo. A soma explica os 54 quilômetros previstos no projeto.

O traçado seguirá paralelamente às rodovias MS-377 e MS-240 até alcançar a malha existente. Portanto, a nova ferrovia funcionará como o acesso da fábrica ao corredor ferroviário de exportação que chega ao litoral paulista.

A conexão integra o planejamento logístico que o Compre Rural já apresentou ao detalhar como a megafábrica de celulose terá ferrovia própria para levar sua produção até Santos.

Dormentes marcam avanço na montagem da via

Cada dormente previsto para a obra pesa aproximadamente 400 quilos. Essas peças mantêm o espaçamento entre os trilhos e transferem os esforços da passagem dos trens para a estrutura de suporte da ferrovia.

Além da instalação dos dormentes, avançam os trabalhos no viaduto ferroviário da saída da fábrica, no viaduto sobre a MS-112 e na ponte sobre o Córrego São Mateus. Conforme o material divulgado sobre o empreendimento, as três estruturas estavam em fase de conclusão das obras civis para receber os componentes ferroviários.

Christian Carvalho, gerente de Engenharia e Implantação da Arauco, classificou a instalação inicial como um marco para o Projeto Sucuriú e para a infraestrutura ferroviária brasileira.

Ligação até Santos também avança na frente regulatória

A estruturação da rota de exportação teve outro avanço em outubro. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) registrou a Arauco como usuária dependente do serviço público de transporte ferroviário de cargas, para atendimento à demanda do Projeto Sucuriú.

A decisão, de 17 de setembro de 2026, foi publicada no Diário Oficial da União em 7 de outubro, com retificação em 21 de outubro.

O ato identifica a origem da operação em Inocência e o destino em um Terminal de Uso Privado dedicado na região da Alemoa, no Porto de Santos. O transporte pelo corredor será prestado pelas concessionárias Rumo Malha Norte e Rumo Malha Paulista.

Vagões terão proteção contra umidade e abertura lateral

A preparação da logística também envolve a chegada dos equipamentos. Em agosto, a Arauco anunciou o recebimento dos primeiros vagões e tritrens destinados ao empreendimento.

Os 721 vagões ferroviários, fabricados pela Randon, terão abertura lateral para permitir carregamento e descarregamento por ambos os lados. Também contarão com proteção contra umidade e lonas com tramas de aço antivandalismo, características voltadas à preservação da carga durante o transporte.

Na programação divulgada naquele mês, a entrega dos vagões seria concluída em novembro de 2027. O Compre Rural acompanhou esse avanço na reportagem sobre a chegada dos primeiros vagões do Projeto Sucuriú.

Por que a ferrovia é decisiva para o projeto

O Projeto Sucuriú representa um investimento industrial de US$ 4,6 bilhões, com capacidade planejada de 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano. A unidade marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil e é apresentada pela companhia como a maior fábrica de celulose em linha única do mundo.

Para uma operação dessa escala, a competitividade depende da capacidade de retirar a produção da fábrica, manter a regularidade dos embarques e entregar o produto ao terminal portuário. A conexão ferroviária busca dar previsibilidade a esse fluxo e reduzir a dependência do transporte rodoviário de celulose.

Segundo estimativas divulgadas pela Arauco, a solução poderá evitar aproximadamente 190 viagens diárias de caminhões e reduzir em até 94% as emissões de CO₂ no transporte. Os números são projeções da companhia para a operação planejada.

Para a cadeia de florestas plantadas de Mato Grosso do Sul, o avanço dos trilhos aproxima a implantação industrial da estrutura necessária ao escoamento. O próximo desafio será manter alinhados os cronogramas da fábrica, da ferrovia, da entrega dos equipamentos e da operação portuária, permitindo que a produção alcance o mercado externo a partir do final de 2027.

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