Contrato para dezembro avançou para R$ 372,90/@, enquanto a ampliação temporária das importações norte-americanas cria uma alternativa diante da redução das compras chinesas
O mercado do boi gordo encerrou a última semana com novas expectativas para o último quadrimestre de 2026. Na B3, o contrato para dezembro fechou em R$ 372,90/@, enquanto novembro alcançou R$ 372,50/@ e janeiro de 2027 chegou a R$ 377,10/@. A valorização ocorreu mesmo com o mercado físico ainda pressionado: o Indicador Cepea/B3 terminou 28 de agosto em R$ 345,35/@, deixando uma diferença de R$ 27,55 entre a referência paulista e o vencimento de dezembro.
Nos negócios de balcão, a Scot Consultoria registrou o boi gordo em R$ 338/@ à vista e R$ 342/@ a prazo em São Paulo. O boi-China chegou a R$ 344/@ a prazo, apenas R$ 2 acima do animal comum. Em Mato Grosso do Sul, a referência do boi-China praticamente se igualou à do boi comum. O prêmio menor reflete a desaceleração das compras chinesas e exige atenção do pecuarista, que precisa avaliar se o ágio oferecido compensa as exigências de idade, documentação e padrão do lote.
A principal mudança no comércio exterior veio dos Estados Unidos. Em 26 de agosto, o governo norte-americano confirmou a ampliação temporária em 300 mil toneladas da cota de importação de carne bovina magra sem tarifa, medida destinada a conter os preços internos diante da menor oferta de gado no país em 75 anos. A Abiec considera a decisão uma oportunidade para a indústria brasileira, especialmente no segmento de aparas e carne industrial para hambúrgueres, mas ressalta que o Brasil disputará o volume com outros fornecedores. As regras de distribuição e a participação efetiva de cada país ainda precisam ser detalhadas.
A possível abertura norte-americana ganha importância porque os embarques brasileiros perderam força após o avanço da cota chinesa. Até a terceira semana de agosto, o Brasil exportou 141,07 mil toneladas de carne bovina in natura, média de 9,40 mil toneladas por dia útil — mais de 26% abaixo de agosto de 2025. O preço médio, porém, alcançou aproximadamente US$ 6,19 mil por tonelada, contra US$ 5,60 mil um ano antes, ajudando a amortecer parte da perda de volume.
Para pecuaristas e confinadores, a combinação entre B3 valorizada e possível demanda adicional dos Estados Unidos melhora as perspectivas, mas ainda não confirma uma alta no mercado físico. A saída dos animais confinados, o consumo doméstico e a velocidade das compras norte-americanas serão determinantes. Com contratos entre R$ 368 e R$ 373/@ para o último quadrimestre, o momento abre uma janela relevante para proteção de margem, enquanto a indústria tenta substituir parte da demanda perdida na China.
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