Boi gordo ganha força com oferta curta e pecuaristas firmes nas negociações; vai a R$ 400/@?

Com oferta restrita e escalas de abate entre cinco e seis dias úteis, boi gordo registra altas pontuais e mantém espaço para novas valorizações, segundo as consultorias.

O boi gordo alcançou R$ 390 por arroba, a prazo, na referência da Agrifatto para São Paulo, nas negociações de terça-feira (20). A dificuldade dos frigoríficos para ampliar as programações de abate mantém os pecuaristas firmes nas pedidas e abre espaço para reajustes, mesmo com a resistência da indústria diante de um mercado de carne menos aquecido.

O cenário que orienta os negócios nesta quarta-feira (21) reúne duas forças: a oferta restrita de animais terminados sustenta a arroba, enquanto o consumo doméstico mais fraco dificulta o repasse dos custos da matéria-prima. Por isso, as altas continuam acontecendo de forma pontual, conforme a necessidade de compra de cada unidade frigorífica.

Oferta curta mantém pressão sobre os frigoríficos

Segundo a Agrifatto, a referência paulista de R$ 390/@ contempla animais com ou sem padrão para exportação, na modalidade a prazo. No levantamento de terça-feira, houve valorização em cinco estados monitorados: São Paulo, Bahia, Espírito Santo, Pará e Rio de Janeiro.

A consultoria descreve um mercado que alterna menor ritmo de negócios, estabilidade e retomadas pontuais de alta. A disponibilidade limitada de boiadas impede que a resistência dos compradores se transforme, de maneira generalizada, em pressão de baixa.

Para o produtor, entretanto, uma negociação mais elevada precisa ser avaliada dentro das condições de cada lote e região.

“Negócios pontuais em patamares superiores abrem oportunidades, mas não asseguram valores equivalentes para todos os lotes”, pondera a Agrifatto.

A orientação da consultoria é acompanhar as escalas locais e as condições efetivas de pagamento antes de fechar a venda.

Escalas seguem entre cinco e seis dias úteis

Na avaliação de Fernando Henrique Iglesias, analista da Safras & Mercado, os frigoríficos continuam ativos nas compras, principalmente nas regiões com menor disponibilidade de animais. As escalas permanecem concentradas entre cinco e seis dias úteis na maioria das praças pesquisadas, sem avanço suficiente para aliviar a necessidade de aquisição de boiadas.

As referências médias informadas no levantamento são:

EstadoReferência do boi gordo
São PauloR$ 384,13/@
Minas GeraisR$ 375,29/@
Mato Grosso do SulR$ 372,95/@
GoiásR$ 369,46/@
Mato GrossoR$ 357,09/@
A cotação paulista foi informada na modalidade a prazo. Os valores representam referências do levantamento, sujeitas às condições de negociação.

Os números das consultorias devem ser lidos separadamente: médias, referências comerciais, horários de coleta e condições de pagamento podem produzir valores diferentes para uma mesma praça.

Scot registra valorização do boi-China em seis estados

A Scot Consultoria também identificou altas para o boi-China em Mato Grosso, Goiás, Pará, Rondônia, Espírito Santo e Paraná, no levantamento da manhã de terça-feira.

Em São Paulo, a consultoria apontou R$ 385/@ para o animal com perfil de exportação e R$ 380/@ para o boi destinado ao mercado doméstico, em valores brutos e a prazo.

Segundo a Scot, a oferta permanece contida e as indústrias compram volumes suficientes para manter o funcionamento das escalas. Esse comportamento ajuda a explicar a persistência de reajustes localizados, mesmo sem uma aceleração uniforme dos negócios.

Carne sobe no atacado, mas consumo impõe limite

No atacado paulista, parte da carne bovina também apresentou valorização. Conforme os dados apresentados pela Safras & Mercado, o quarto dianteiro subiu R$ 0,30/kg, para R$ 22,30/kg, enquanto a ponta de agulha avançou R$ 0,25/kg, para R$ 20,75/kg. O quarto traseiro permaneceu em R$ 29,50/kg.

Iglesias avalia que a segunda quinzena tende a apresentar menor força de consumo, com a redução do efeito da entrada dos salários na economia. A concorrência das carnes de frango e suína também limita reajustes mais expressivos.

Para os frigoríficos, isso significa uma negociação apertada: precisam comprar animais para sustentar os abates, mas encontram dificuldade para transferir integralmente a valorização da arroba ao mercado de carne.

Exportação melhora o ritmo, mas segue abaixo de 2025

No mercado externo, os dados apresentados pela Scot mostram 107,8 mil toneladas de carne bovina in natura exportadas até a terceira semana de outubro, com receita de US$ 671,5 milhões.

A média diária chegou a 9,8 mil toneladas, acima das 8,8 mil toneladas registradas na parcial anterior. Ainda assim, ficou 32,7% abaixo da média diária de outubro de 2025.

Em contrapartida, o preço médio de exportação ficou próximo de US$ 6,2 mil por tonelada, com valorização de 12,4% na comparação anual.

O quadro exige atenção às condições reais de venda. A oferta curta continua sendo o principal suporte da arroba, mas a intensidade das próximas altas dependerá da necessidade dos frigoríficos, da disponibilidade regional de animais e da capacidade de escoamento da carne.

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