Grupo numeroso de animais silvestres entrou em uma propriedade rural de Querência (MT) e surpreendeu uma família; apesar do susto, ninguém ficou ferido
Uma cena incomum interrompeu a rotina de uma família no assentamento Brasil Novo, em Querência, no Mato Grosso. Um bando com mais de 40 queixadas entrou no quintal da residência e provocou momentos de tensão entre os moradores, que acompanharam a movimentação enquanto os cães da propriedade latiam intensamente.
As câmeras de segurança instaladas no imóvel registraram a passagem dos animais pela área externa da casa. Mesmo com a proximidade do grupo e o susto provocado pela situação, não houve feridos nem prejuízos materiais.
A presença de queixadas não é exatamente uma novidade para quem vive na região, mas a quantidade de animais e a aproximação da residência transformaram o episódio em algo fora do habitual.
A moradora Elenice Paes Cardoso contou ao g1 que já havia observado a espécie anteriormente, porém nunca em uma situação semelhante, com dezenas de indivíduos circulando tão próximos da família.
Bando com mais de 40 queixadas surpreende moradores
A movimentação pode ter sido intensificada pela reação de um dos cães que estavam na propriedade.
Segundo o relato da moradora, uma cadela teria avançado em direção aos animais ao perceber a aproximação. A resposta do grupo teria levado parte do bando com mais de 40 queixadas a seguir para dentro do quintal.
O comportamento exige atenção porque, apesar de normalmente evitarem o contato direto com seres humanos, os queixadas podem reagir quando percebem uma ameaça.
O biólogo Henrique Abrahão Charles explicou que encontros próximos devem ser conduzidos com cautela. Quando acuados ou envolvidos em um confronto, principalmente em grupos numerosos, os animais podem representar risco para pessoas e animais domésticos.
Por isso, situações como a registrada em Querência não devem ser tratadas como oportunidade para aproximação ou tentativa de dispersar o bando.
Vida em grandes grupos é característica dos queixadas
O número de animais registrado pelas câmeras pode impressionar, mas faz parte da dinâmica social da espécie.
Os queixadas vivem de forma coletiva e podem formar agrupamentos com dezenas de indivíduos. Segundo o especialista ouvido na reportagem original, bandos com aproximadamente 50 animais são comuns, enquanto registros excepcionais podem ultrapassar duas centenas.
A vida em grupo auxilia no deslocamento, na busca por alimento e na proteção dos indivíduos, mas também torna encontros em áreas rurais visualmente marcantes.
No assentamento Brasil Novo, a passagem ocorreu rapidamente e terminou sem confronto, deixando apenas o registro de uma aproximação pouco comum entre a fauna silvestre e uma residência.
Queixada não pertence à mesma família dos porcos
O nome popular pode provocar confusão. Apesar de serem frequentemente chamados de porcos-do-mato ou até de porcos selvagens, os queixadas pertencem a outro grupo zoológico.
A espécie, identificada cientificamente como Tayassu pecari, integra a família Tayassuidae, formada por mamíferos nativos das Américas.
Entre suas características mais conhecidas estão a pelagem escura e a região mais clara próxima ao pescoço e ao queixo.
Um indivíduo adulto pode atingir cerca de 30 quilos, e sua sobrevivência depende diretamente da existência de áreas naturais suficientemente extensas para alimentação, deslocamento e reprodução.
Essa necessidade de grandes territórios ajuda a explicar por que a espécie pode ser vista transitando entre fragmentos de vegetação e propriedades localizadas próximas a áreas preservadas.
Encontro também chama atenção para conservação da espécie
O bando com mais de 40 queixadas observado em Mato Grosso revela uma população numerosa naquele momento, mas isso não significa que a espécie esteja livre de ameaças.
A redução de habitats naturais, as queimadas, o avanço da fragmentação ambiental e a caça ilegal exercem pressão sobre diferentes populações de queixadas ao longo de sua área de ocorrência.
Avaliações realizadas por órgãos e instituições de conservação, entre eles o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), apontam diferentes graus de ameaça dependendo da região analisada.
Nesse contexto, episódios como o registrado em Querência também evidenciam a proximidade crescente entre ambientes ocupados pelo homem e áreas utilizadas pela fauna nativa.
Para quem vive no campo, a principal orientação diante de um grupo de animais silvestres é evitar aproximações, manter cães e outros animais domésticos afastados e permitir que o bando encontre uma rota de saída sem ser acuado.
No caso registrado no assentamento Brasil Novo, o encontro terminou sem consequências graves. Para os moradores, porém, ficou a lembrança de uma visita inesperada de dezenas de animais ao quintal de casa.
ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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