Bezerro a R$ 2.776,00 ainda vale ouro, quando irá cair?

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Foto: Fazenda Santa Nice

Os preços do boi gordo despencaram nos últimos dias, quase 7%, já a reposição vem tirando o sono e teve valorização de 2,5%, e agora?

Após atingir um valor recorde, os preços da arroba tiveram seus patamares recuados para os valores que eram praticados em agosto deste ano. De novembro/20 para dezembro/20 (até o dia 16), enquanto a média de preços da arroba paulista caiu 6,3%, a do animal de reposição registra alta, de 2,2%.

Esse cenário traz certa preocupação ao pecuarista da terminação, já que a relação de troca está nos piores níveis dos últimos cinco anos. “Dados do Cepea mostram que, nesta parcial de dezembro, o terminador paulista precisa de 9,37 arrobas de boi gordo para conseguir comprar um bezerro (de 8 a 12 meses) no mercado sul-mato-grossense, sendo este o pior momento a esse produtor em mais de cinco anos”, ressaltou a instituição.

Os preços do boi gordo recuaram em todas as praças pecuárias do Brasil, entretanto, o recuo nos preços do bezerro ainda são tímidos e muito abaixo do que era esperado pelos pecuaristas.

A notícia ruim é que, os atuais preços praticados não devem ter grandes mudanças, sendo esperado para 2022 uma real mudança no ciclo pecuário. Já o lado positivo é que, a falta do bezerro de hoje é também a menor oferta de boi gordo no próximo ano, trazendo uma nova valorização nos preços da arroba!

Conforme dados informados no aplicativo da Agrobrazil, o mercado dos bezerros ainda apresenta boas margens para o setor da cria, com preços ainda elevados diante da desvalorização do boi gordo.

Para a média do estado paulista, os preços seguem acima de R$ 2.700,00 por cabeça, ou seja, uma valorização de R$ 165,87 por cabeça. A menor oferta de animais e a retirada dos vendedores do mercado acabou freando a pressão de baixa no mercado, garantindo sustentação nos preços.

O ágio do bezerro/boi gordo é um indicador muito importante para o recriador avaliar a sua rentabilidade. O desequilíbrio que ora é observado no mercado, é resultado do maior abate de fêmeas em anos anteriores.

O pecuarista da recria/engorda precisa estar atento aos atuais preços negociados pelo bezerro, já que os atuais preços do boi gordo estão sofrendo correções para se ter um equilíbrio no mercado. Sendo assim, a desvalorização ora vista, terá impacto no bezerro caro de hoje. O planejamento e utilização de ferramentas como o contrato futuro, pode ajudar a mitigar os riscos envolvidos na operação.

O que esperar do mercado no curto prazo

De acordo com Thayna, o recuo do mercado do boi gordo também se refletiu na reposição, que deu uma “esfriada” nas últimas três semanas. “Os vendedores ficaram retraídos tentando segurar o preço mais alto e os compradores estão receosos. Eles compraram porque, conforme vendem, precisam repor, mas deu uma boa esfriada”, afirma.

Segundo ela, o mercado deve andar de lado no curto prazo. Com o retorno das chuvas e o crescimento das pastagens, o mercado deve retomar o ritmo de comercialização entre janeiro e fevereiro.

Ciclo pecuário no longo prazo

É esperado um possível início de virada de ciclo a partir de 2022, quando os efeitos da retenção de matrizes e a consequente maior oferta de animais deverá voltar a pressionar as cotações do boi gordo.

“Para 2022, vamos ter pelo menos o início da virada de ciclo, e uma virada baixista porque vamos ter maior oferta de bezerros e isso pode acabar inundando o mercado e pressionando as cotações”, destacou a analista do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Marianne Tufani, em evento sobre as perspectivas do mercado para o próximo ano.

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