Bezerro de ano sobe R$ 200/cab e anima a cria

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Bezerrada nova da Fazenda Santa Emilia @fazsantaemiliapaintmga

Os problemas climáticos em importantes praças pecuárias elevam custos de produção e prejudicam o manejo dos animais, afastando os compradores!

O mercado do boi gordo seguiu com preços em patamares elevados durante a terceira semana de janeiro, mas os pecuaristas tem se afastado da reposição do rebanho. Sendo assim, nesta semana, o mercado de reposição seguiu em ritmo bastante cadenciado de negócios, repetindo o comportamento da semana anterior. Destaque ficou para a categoria dos bezerros, que voltou a se valorizar em algumas regiões!

No balanço semanal, na média de todas as categorias de machos e fêmeas anelorados e estados pesquisados pela Scot Consultoria, as cotações no mercado de reposição fecharam a semana com ajuste positivo de 1,1%.

Dentre todas as categorias de machos anelorados, a maior valorização na última semana foi para o bezerro de ano, informa a Scot. Destaque para São Paulo e Mato Grosso, cuja categoria teve alta de R$ 200/cabeça e R$ 150/ cabeça, respectivamente. “No curto prazo, o mercado do boi gordo deve continuar ditando o ritmo da reposição”, prevê a Scot.

O movimento de alta foi também observado pelas negociações informadas pelos pecuaristas no app da Agrobrazil. Segundo as negociações desta semana, os preços seguem em patamares de R$ 14,00 a R$ 16,00/kg. Segundo o app da Agrobrazil, os pecuaristas do Norte do Mato Grosso, pagou o preço de R$ 3.160,00 por cabeça, no lote de peso médio de 202 kg. Sendo assim, os bezerros tiveram preço de R$ 15,64/kg, valor que é superior ao fechamento da última semana.

Uma outra curiosidade sobre o mercado da reposição, segundo os dados avaliados, é que o mercado tem fluído mais na segunda e terça, com um maior fluxo de negócios informados nestes dias, esfriando ao longo da semana. Esse fator está atrelado as mudanças e pressão da indústria no mercado do boi gordo.

A maior demanda é pelos machos, diz a Scot, resultando na alta de 1,3%, na média de todas as categorias e Estados pesquisados. Os preços das fêmeas subiram 0,9%, em média, nesta semana, considerando todas categorias aneloradas. “Em grande medida, o clima adverso em importantes regiões pecuárias do Brasil têm prejudicado a dinâmica das comercializações”, informa a IHS Markit.

Segundo os dados do Cepea, o indicador do bezerro sul mato grossense registrou estabilidade nas cotações ao longo desta semana. Os animais fecharam a semana cotados a R$ 2.830,00 por cabeça, frente ao valor de R$ 2.847,35 por cabeça. Já o bezerro paulista, conforme dito acima, seguiu com valorização e fechou cotado a R$ 2.941,20, e acumula uma alta de 0,38% ao longo do mês.

Além disso, segundo os dados do Cepea, os animais seguem acima de R$ 2.900,00 ao longo deste ano, com uma expectativa de virada no ciclo pecuário apenas para o ano de 2023, já que esse ano ainda será de pressão na oferta de bezerros e mercado do boi gordo aquecido.

Algumas regiões situadas no Sul e no Sudeste do País enfrentam um período de seca e temperaturas elevadas, enquanto que áreas localizadas no Centro-Norte são afetadas pelo excesso de chuvas. Tais problemas, ressaltam os analistas da IHS, desestimularam as negociações no mercado de reposição.

Embora a relação de troca continue vantajosa em função dos elevados patamares de preços pagos na boiada gorda, muitos pecuaristas estão afastados das compras devido aos altos custos de produção, acrescenta a IHS.

“O clima seco em algumas áreas elevou o valor pago no arrendamento das pastagens, ao passo que os gastos com nutrição animal continuam muito elevados, sobretudo com a quebra de produção nas lavouras  de soja e milho (safras de verão)”, informam os analistas da IHS.

Além disso, onde há excesso de chuva, o manejo de animais é prejudicado.

Reposição pelo Brasil

“Talvez a exceção venha a ser o mercado do Mato Grosso, onde os preços dos animais de reposição se mostraram mais firmes devido ao clima regular”, observa a consultoria.

Nos Estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul, continua a IHS, a liquidez no mercado de reposição diminuiu muito devido à fraca procura.

Pecuaristas desses dois Estados alegaram dificuldades em arrendar pastos e seguem preocupados com os elevados preços das rações, relata a consultoria. Logo, reforçam os analistas, não há grandes estímulos as compras de boiada magra nessas regiões.

@agropecuariasucuri

Na região Sul, preços dos animais de reposição perderam força nas praças do Paraná, devido à fraca procura. No Rio Grande do Sul, o mercado de animais jovens segue truncado. Na região Norte, em áreas no Tocantins e no Pará, a oferta de gado para reposição cresceu muito em função do excesso de chuvas.

“Nesses dois Estados, em algumas localidades, os grandes volumes de precipitações prejudicaram o pasto (capim amarelo), atrapalhando o desempenho da recria”, informam os analistas da IHS Markit. A oferta de fêmeas cresceu muito nestas regiões, acrescenta a consultoria.

Veja o padrão de bezerro que o mercado deseja

Segundo analistas e pecuaristas, é preciso que o país tenha um foco em produzir animais de ciclo curto, mas o que significa isso. Animais de ciclo curto possuem a chamada precocidade em suas três vertentes: Precocidade de crescimento, precocidade de acabamento e precocidade reprodutiva.

Dessa forma, vamos conseguir emprenhar novilhas aos 14 meses, abater animais antes dos 30 meses de idade com peso ideal e excelente acabamento de carcaça. Entretanto, fatores como o temperamento racial, adaptação a região onde irá ser manejado e padronização do rebanho.

Precisamos, cada vez mais produzir animais sustentáveis, ou seja, redução no tempo de produção destes animais, reduzindo a emissão de carbono, redução no tempo do cocho e entrega de carne premium.

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