Com a safra de soja 2026/27 chegando, a escolha correta dos insumos será um grande diferencial para os produtores.
As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 3,96 milhões de toneladas em julho, queda de 22,3% em relação ao mesmo mês de 2025, quando foram entregues 5,09 milhões de toneladas. Os dados mais recentes são da Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). No acumulado de janeiro a julho, o volume chegou a 22,98 milhões de toneladas, recuo de 8,8% frente ao mesmo período do ano passado.
O movimento aparece nas duas pontas da oferta. As importações de julho ficaram em 3,54 milhões de toneladas, 21,4% abaixo de um ano antes, e a produção nacional recuou 19,9%, para 517 mil toneladas. No ano, a produção interna acumula queda de 19,7%. Segundo a entidade, o arrefecimento de novos negócios em meio às tensões geopolíticas e a alta contínua dos preços do enxofre, matéria-prima dos fertilizantes fosfatados, explicam a retração, que passou a aparecer nas entregas a partir de maio.
O avanço dos bioinsumos reforça essa tendência. Segundo o CropData, da CropLife Brasil, a área tratada com produtos biológicos chegou a 46,2 milhões de hectares no primeiro semestre de 2026, alta de 18,3% em relação ao mesmo período de 2025. Para a entidade, o crescimento da área, quase o dobro da alta em valor, indica que os biológicos estão chegando a mais lavouras, combinados aos insumos convencionais no manejo integrado.
Fellipe Parreira, Portfólio e Acesso no Grupo GIROAgro, explica que os bioinsumos conseguem unir diferentes benefícios em diversas frentes: “Os bioinsumos têm se mostrado aliados estratégicos na construção de uma agricultura mais equilibrada e menos dependente de produtos sintéticos. A rápida expansão mostra que o setor agropecuário busca unir produtividade, sustentabilidade e responsabilidade ambiental.”
O dado chega em um momento sensível do calendário agrícola. A Conab projeta 49,3 milhões de hectares de soja na safra 2026/27, com produção estimada em 181,64 milhões de toneladas, e a semeadura já começou: até o levantamento divulgado em 29 de setembro, 3,9% da área prevista estava plantada no país, com o Paraná em 15% e Mato Grosso em 5,7%.
Mato Grosso, que lidera o consumo nacional de fertilizantes, recebeu 5,83 milhões de toneladas entre janeiro e julho, o equivalente a 25,4% do total. Nesse contexto, a orientação é tratar o fertilizante disponível como recurso a ser alocado com critério, e não distribuído de maneira uniforme. O ponto de partida é a análise de solo: o diagnóstico adequado evita aplicar nutrientes onde já há reserva suficiente e direciona o insumo para onde a resposta é maior.
O CEO da GIROAgro, Leonardo Sodré, recomenda: “Em um ambiente de insumos caros e margens estreitas, aumentar a eficiência costuma ser mais rentável do que simplesmente elevar as doses aplicadas.”
Com o volume limitado, ganha importância também a escolha de onde aplicar. A adubação tende a render mais nas áreas de maior potencial produtivo, com histórico de melhor resposta, e por isso elas devem ter prioridade. Na hora da aplicação, parcelar as doses e posicionar o fertilizante perto da planta ajuda a reduzir perdas e a melhorar a absorção. Outra frente são as tecnologias de maior eficiência. Fertilizantes líquidos e aplicações complementares ao longo do ciclo podem ser combinados à adubação de base para ajustar a nutrição conforme a necessidade da lavoura.
“Quem estiver tecnicamente bem amparado terá mais chances de superar as turbulências atuais. É hora de investir em conhecimento e contar com especialistas que entendem o solo, a planta e o mercado“, afirma Sodré.
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ℹ️ Conteúdo publicado por Myllena Seifarth sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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