Boi gordo embarca em nova alta e mercado abre espaço para mais valorização; veja a cotação

Oferta mais curta de animais, escalas apertadas e maior firmeza dos pecuaristas sustentam a valorização; Safras & Mercado, Scot e Cepea registram avanço das cotações nas principais regiões produtoras

O mercado do boi gordo entrou em uma fase de maior firmeza nas negociações, com altas registradas em importantes regiões pecuárias e negócios novamente se aproximando dos R$ 360 por arroba em São Paulo. O movimento ocorre em meio à disponibilidade mais restrita de animais terminados e à necessidade de parte dos frigoríficos de completar suas escalas de abate.

Levantamentos de Safras & Mercado, Scot Consultoria e Cepea mostram que a pressão compradora ganhou força. Apesar das diferenças entre as referências utilizadas por cada instituição, o cenário converge para um mercado físico mais sustentado, com o pecuarista encontrando melhores condições para negociar.

Em São Paulo, a Scot identificou alta diária de R$ 5/@ para o boi gordo, além de avanço de R$ 2/@ para a novilha. Na referência da consultoria, o boi destinado ao mercado interno chegou a R$ 355/@, enquanto o chamado “boi-China” alcançou R$ 360/@, valores brutos e a prazo.

Arroba volta a testar os R$ 360 em São Paulo

A valorização não aparece apenas em uma fonte. O Cepea também registrou maior movimentação entre compradores e vendedores, com negócios em São Paulo ocorrendo na faixa de R$ 350 a R$ 360/@.

O Indicador do Boi Gordo Cepea encerrou em R$ 356,10/@, reforçando a trajetória de firmeza. Segundo o levantamento, a oferta limitada de animais em algumas regiões ajudou a sustentar as cotações.

Na leitura da Scot, a sustentação também vem da postura dos pecuaristas. A consultoria destaca que a oferta restrita de boiadas e a firmeza dos vendedores fazem com que frigoríficos interessados em manter escalas confortáveis tenham de se aproximar dos preços pedidos.

É justamente essa combinação que merece atenção nos próximos dias: menos pressão vendedora e necessidade de compra da indústria aumentam o poder de negociação do produtor.

Safras vê espaço para novos reajustes

A Safras & Mercado também observa um mercado físico firme. Segundo o analista Fernando Henrique Iglesias, a tendência de curto prazo ainda aponta para novos reajustes, principalmente entre frigoríficos de pequeno e médio porte, que encontram maior dificuldade para avançar na aquisição de boiadas.

As grandes indústrias, por outro lado, aparecem em situação relativamente mais confortável, beneficiadas por animais provenientes de contratos de parceria e pela utilização de confinamentos próprios.

Nas referências médias apresentadas pela Safras & Mercado, São Paulo alcançou R$ 357,18/@, contra R$ 356,33 anteriormente. Goiás avançou para R$ 346,25/@, enquanto Mato Grosso do Sul chegou a R$ 351,48/@.

Cotações médias apontadas pela Safras & Mercado

EstadoBoi gordo
São PauloR$ 357,18/@
GoiásR$ 346,25/@
Minas GeraisR$ 342,35/@
Mato Grosso do SulR$ 351,48/@
Mato GrossoR$ 333,65/@

Os valores mostram que o movimento de valorização não está restrito ao mercado paulista.

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul também registram alta

No Mato Grosso, o Cepea identificou reajustes em algumas regiões. Em Colíder, houve avanço pontual de R$ 5/@, com negócios entre R$ 320 e R$ 330/@ e escalas de abate entre seis e sete dias.

Em Cuiabá, os preços também ficaram entre R$ 320 e R$ 330/@. Já em Rondonópolis, as negociações ocorreram entre R$ 325 e R$ 330/@, embora com menor liquidez.

No Mato Grosso do Sul, a oferta mais limitada de animais também favoreceu a reação. Em Campo Grande, o Cepea apontou reajuste de R$ 5/@, com negócios entre R$ 340 e R$ 345/@ e escalas entre cinco e oito dias.

Mercado físico está mais favorável ao pecuarista

O ponto central neste momento é a relação entre oferta de boiadas e necessidade de compra dos frigoríficos. Enquanto algumas grandes indústrias conseguem administrar melhor suas escalas, compradores com menor cobertura encontram mais dificuldade para adquirir animais sem melhorar as ofertas.

Isso reduz o espaço para pressão baixista no curto prazo e permite que produtores com animais terminados negociem de maneira mais firme.

Há, entretanto, um contraponto importante. No atacado, a carne bovina segue com preços mais acomodados. A Safras & Mercado avalia que o consumo doméstico ainda oferece pouco estímulo para reajustes mais expressivos, enquanto proteínas concorrentes, especialmente o frango, limitam a capacidade de valorização dos cortes bovinos.

Por isso, a sustentação da arroba dependerá principalmente da disponibilidade de gado terminado, do comportamento das escalas e da capacidade da indústria de repassar preços ao longo da cadeia.

Por enquanto, porém, o mercado físico chega ao fim de setembro com um sinal importante: a referência de R$ 360/@ voltou ao radar em São Paulo e as altas começam a aparecer em diferentes praças pecuárias, fortalecendo a posição do produtor nas negociações.

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