Boi gordo encerra a semana em alta, com físico a R$ 370/@ e futuro perto de R$ 390

Oferta mais curta de animais terminados mantém pecuaristas firmes nas negociações do boi gordo; em São Paulo, referências avançam e negócios pontuais já alcançam R$ 370/@

O mercado do boi gordo segue sustentado e com pressão de alta nas principais praças pecuárias, impulsionado principalmente pela menor disponibilidade de animais terminados e pela dificuldade de algumas indústrias em alongar as escalas de abate.

Em São Paulo, as referências médias avançaram novamente, enquanto negociações acima do mercado continuam aparecendo. O movimento reforça a percepção de que, embora R$ 370/@ ainda não seja uma referência generalizada, o teto das negociações no estado vem subindo e o mercado físico começa a se aproximar dos preços projetados para os próximos meses.

Oferta curta mantém pecuarista com maior poder de negociação

Segundo levantamento da Safras & Mercado, o mercado físico mantém trajetória de valorização, especialmente diante do encurtamento das escalas de abate de frigoríficos de pequeno e médio porte.

De acordo com o analista Fernando Henrique Iglesias, a menor disponibilidade de animais prontos dificulta a recomposição das programações e abre espaço para novos ajustes nas ofertas de compra.

As grandes indústrias, por outro lado, conseguem trabalhar com maior conforto graças a contratos de parceria e animais oriundos de confinamentos próprios, reduzindo parcialmente a necessidade de disputar lotes no mercado spot.

Esse cenário ajuda a explicar a diferença cada vez maior entre os preços praticados de acordo com qualidade do lote, localização, prazo de entrega e necessidade de compra de cada frigorífico.

Arroba encosta nos R$ 360 nas referências médias

No levantamento divulgado pela Safras & Mercado, São Paulo apresentou preço médio de R$ 358,83/@, frente aos R$ 357,18/@ da leitura anterior.

As demais referências ficaram em:

  • São Paulo: R$ 358,83/@
  • Goiás: R$ 347,86/@
  • Minas Gerais: R$ 345,88/@
  • Mato Grosso do Sul: R$ 353,41/@
  • Mato Grosso: R$ 334,05/@

Os números mostram que a valorização não está restrita a um negócio isolado. Ainda assim, existe grande diferença entre as médias regionais e os lotes negociados no topo do mercado.

A Agrifatto também identificou valorização em diferentes regiões monitoradas. Segundo a consultoria, a maior firmeza dos pecuaristas tem permitido novos reajustes, principalmente para frigoríficos com maior necessidade de completar as escalas.

Em São Paulo, a consultoria apontou negócios ao redor de R$ 360/@, enquanto cinco das 17 regiões acompanhadas registraram valorização.

Negócio a R$ 370/@ mostra avanço do teto

Outro sinal importante veio de Mococa, no interior paulista.

A Agrobrazil registrou uma negociação de boi gordo a R$ 370/@, à vista, com abate programado para sete dias úteis. O negócio supera as referências médias observadas no mercado paulista e também os valores próximos de R$ 360/@ que vinham predominando entre as melhores negociações.

É importante destacar, entretanto, que R$ 370/@ não representa ainda uma nova referência para São Paulo. Trata-se de uma negociação específica, possivelmente influenciada pelas características do lote e pela necessidade pontual da indústria.

O registro, porém, é relevante porque confirma que o teto do mercado físico continua avançando.

Futuro volta a olhar para R$ 390/@

A valorização também aparece no mercado futuro.

Depois de uma sessão de correção, os contratos negociados na B3 voltaram a subir. O vencimento para dezembro de 2026 chegou a R$ 389,15/@, alta de 0,30% na comparação diária.

O prêmio do futuro em relação ao físico permanece relevante e mostra que o mercado continua trabalhando com expectativa de preços maiores à frente.

Para o pecuarista, esse distanciamento também amplia as possibilidades de proteção de margem por meio de operações de hedge, especialmente diante de um mercado que ainda pode apresentar forte volatilidade.

Próximo teste está entre R$ 365 e R$ 370/@

O ponto de atenção agora será a frequência dos negócios acima das referências.

Se operações entre R$ 365 e R$ 370/@ começarem a aparecer de forma recorrente em São Paulo, o mercado poderá consolidar um novo patamar no físico. Caso contrário, esses valores continuarão representando apenas o teto para lotes específicos.

Por enquanto, os fundamentos seguem favoráveis ao pecuarista: oferta mais apertada de animais terminados, escalas menos confortáveis em parte da indústria e maior resistência nas negociações.

No curto prazo, é essa combinação que mantém a arroba pressionada para cima — e deixa os R$ 370/@ cada vez menos distantes do centro das negociações paulistas.

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