Oferta restrita de animais e escalas de abate entre cinco e seis dias úteis mantêm os preços firmes; veja as cotações por estado.
O mercado do boi gordo começou a semana com preços firmes e altas pontuais em importantes regiões pecuárias, mesmo com o ritmo mais lento dos negócios. A oferta restrita de animais terminados e as dificuldades dos frigoríficos para alongar as escalas de abate continuam dando sustentação à arroba.
Em levantamento da Safras & Mercado para segunda-feira (26), a média em São Paulo avançou de R$ 386,25 para R$ 386,75 por arroba. Em Mato Grosso, a referência passou de R$ 360,81 para R$ 362,97.
Ao mesmo tempo, a forte valorização do dólar entrou no radar do setor. Para as indústrias exportadoras, um câmbio mais alto pode aumentar a receita em reais obtida com as vendas externas e ampliar a capacidade de compra de animais. O efeito, porém, depende também dos preços internacionais, da demanda e dos custos de cada empresa.
Na avaliação do analista Fernando Henrique Iglesias, da Safras & Mercado, a alta ocorre de forma seletiva, mas a dificuldade de ampliar as programações de abate impede uma mudança consistente na direção do mercado.
Veja os preços médios da arroba
De acordo com a Safras & Mercado, as referências da segunda-feira (26) e da sexta-feira anterior (23) foram:
Praça Segunda-feira (26) Sexta-feira (23) São Paulo R$ 386,75/@ R$ 386,25/@ Goiás R$ 372,21/@ R$ 371,25/@ Minas Gerais R$ 380,65/@ R$ 380,29/@ Mato Grosso do Sul R$ 380,66/@ R$ 380,45/@ Mato Grosso R$ 362,97/@ R$ 360,81/@
As cotações são referências de mercado. O valor efetivamente negociado varia conforme a região, o frigorífico, o prazo de pagamento, o volume do lote e o padrão dos animais.
Em São Paulo, a Scot Consultoria informou estabilidade para o boi gordo sem padrão de exportação, cotado em R$ 380 por arroba, e para o boi-China, a R$ 385 por arroba. Os valores são brutos e a prazo.
As referências da Scot e as médias da Safras têm metodologias próprias e não devem ser tratadas como preços de uma mesma negociação. boi1.pdf boi2.pdf
Escalas curtas mantêm atenção dos frigoríficos
Segundo a Safras & Mercado, as programações de abate estavam concentradas entre cinco e seis dias úteis na maior parte das regiões pesquisadas. Escalas nesse patamar podem aumentar a necessidade de compra da indústria, especialmente quando há dificuldade para encontrar animais prontos.
Para a Agrifatto, a oferta limitada continua sustentando os preços mesmo com a demanda interna mais fraca. A consultoria aponta que pecuaristas resistem a propostas menores e distribuem os lotes disponíveis ao longo das negociações, em busca de melhores condições.
Alguns frigoríficos com programações mais confortáveis chegaram a oferecer valores abaixo das referências, mas, segundo a Agrifatto, a maior parte dos negócios permaneceu nos patamares vigentes.
O cenário reforça um movimento que já vinha sendo acompanhado pelo Compre Rural: a oferta curta de animais e a resistência dos pecuaristas às propostas de compra.
Dólar e China entram na conta da arroba
A desvalorização do real diante do dólar pode favorecer a receita das exportações de carne bovina quando os pagamentos são convertidos para a moeda brasileira. Em tese, isso abre espaço para frigoríficos habilitados ao mercado externo pagarem mais pela matéria-prima.
Esse repasse não é automático. O resultado depende, entre outros fatores, do preço da carne no exterior, dos contratos firmados, da procura dos compradores e dos custos da indústria.
A demanda chinesa no último trimestre também permanece no radar. Para o pecuarista, vale acompanhar não apenas o câmbio, mas o ritmo efetivo das exportações e a disposição dos frigoríficos para comprar.
Consumo doméstico ainda limita reajustes
Enquanto a oferta de boi pronto ajuda a sustentar a arroba, o mercado interno de carne bovina enfrenta o enfraquecimento do consumo típico da segunda quinzena do mês.
Segundo a Agrifatto, a menor saída no atacado reduz a necessidade imediata de reposição das indústrias. A consultoria, contudo, espera uma recuperação gradual das vendas a partir de quinta-feira (29), com a aproximação da primeira semana de novembro. Trata-se de uma expectativa, que dependerá da resposta do consumo.
Fernando Iglesias observa ainda que a competitividade da carne de frango e dos cortes suínos limita o espaço para reajustes mais expressivos na carne bovina.
No atacado, as referências informadas pela Safras & Mercado eram de R$ 22,30 por quilo para o quarto dianteiro, R$ 29,50 para o quarto traseiro e R$ 21 para a ponta de agulha.
O que o pecuarista deve acompanhar?
Nos próximos dias, o equilíbrio entre a oferta de animais, as escalas dos frigoríficos e a saída de carne será decisivo para as negociações. A virada do mês pode melhorar as vendas no varejo, mas ainda será necessário observar se essa recuperação se confirma e chega ao atacado.
Antes de fechar negócio, o produtor deve comparar as ofertas disponíveis considerando preço líquido, prazo de pagamento, frete, rendimento de carcaça e exigências para exportação. Também é importante colocar na conta o custo de manter os animais na propriedade enquanto aguarda uma proposta melhor.
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