Brasil erra em copiar pecuária norte-americana

Brasil erra em copiar pecuária norte-americana

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vaca nelore
Foto: Reprodução / Internet

“Isso é um atestado de que não estamos fazendo melhoramento genético para produzir mais com menos custos”; artigo “Confesso-me boquiaberto” do Zootecnista José Otávio Lemos

Nas minhas idas aos Estados Unidos, principalmente no estado do Texas, e visitando fazendas de pessoas que admiro e alguns amigos queridos, via os tanques de alimentação pelos pastos afora. Sim, chegava a seca para eles, melhor, o inverno, os contêineres estavam abastecidos por muita ração bem balanceada (e nada barata).

O custo para tal não é baixo (sendo repetitivo). Envolve adubação das boas, cuidados com a lavoura, colheita dos grãos, transporte para as fábricas de ração, deslocamento do produto processado para as fazendas, alojamento dos containers (enormes cochos nada baratos)…

Neste nosso país com áreas como as que temos, pensar nisso para cá?

Levei um grande susto quando escutei um colega técnico, o qual respeito muito, dizer, falando sobre uma prova de desempenho com animais registrados e inscritos em programa de melhoramento: “nós estamos tratando a genética de qualidade, e genética superior precisa de manejo adequado. Tanto nutricional quanto sanitário. Não existe milagre, pois você precisa colocar todos esses fatores de produção (silagem, suplementação energética e proteica) para que a genética se manifeste”.

confinamento bovino nos estados unidos
Confinamento Bovino nos EUA / Foto: José Otávio Lemos

Também lembrei-me de confinamentos visitados por mim em terras do Tio Sam. Lá, verdadeiras fábricas de rações e meios de transportes para “a ração deles de cada hora” chegar nos cochos bem feitos.

Sinceramente, quero saber quem ganhará mais dinheiro com isso. O produtor de novilhos/novilhas ou o agricultor colhedor de grãos ou as fábricas de ração ou tantos outros da cadeia ou, mais certo, pirâmide (que tem topo rico e base pobre).

Sim, onde vai parar a sustentabilidade do negócio?

Isso é um atestado de que não estamos fazendo melhoramento genético para produzir mais com menos custos. Uma seleção de animais com altas exigências e uma mantença direta com suplementação energética e proteica constante, e mais ainda na seca. Mais? Claro, mais 1% por PV (Peso Vivo) com silagem de milho como suplemento a pasto.

Amei ter feito Zootecnia, como curso superior. Tenho certeza de que ninguém sai pronto da faculdade. Sequer fazendo especialização, mestrado, doutorado ou pós-doutorado. Somente a vivência no campo é que nos vai aquilatando e lapidando para participarmos da linda joia que é o agronegócio, o melhor adorno do nosso Brasil

Tenho certeza de que o melhoramento genético de um gado em país tropical não deve ser manifesto somente com muita comida via lavoura à disposição. Suplementação energética e proteica.

E qual será a lucratividade com isso? Lucratividade negativa e bem embalada.

Quem irá fazer a festa? As empresas de nutrição e os frigoríficos, e que terão uma qualidade superior de carne sem desembolsar nada. Vai ficar pior para os produtores de carne do que vive os de leite no Brasil.

E quem pagará as despesas dessa possível comemoração são os produtores.

José Otávio ainda questiona – Se algum leitor da minha publicação souber de algum Campeão de Prova de Ganho em Peso que se tornou um grande raçador, comprovado mesmo pela progênie, por favor, me envie nome e registro. Até foto, se possível, para que eu confirme tudo e reaprenda muito.

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Zootecnista José Otávio Lemos, produtor rural, jurado e conselheiro técnico da ABCZ e diretor da JOL Empresa Múltipla Assessoria e Consultoria.