Cabo de alta tensão cai sobre rebanho e mata 32 vacas leiteiras em Santa Catarina; vídeo

Acidente provocado após descarga atmosférica derrubou cabo de alta tensão, matou 32 vacas leiteiras em Santa Catarina e levou a Celesc a se pronunciar sobre indenização ao produtor.

Uma cena que rapidamente repercutiu em todo o país chamou atenção do agronegócio brasileiro nesta semana e evidenciou um tipo de risco pouco debatido dentro das propriedades rurais. Na manhã da última quarta-feira (1º), 32 vacas leiteiras morreram eletrocutadas após um cabo de alta tensão se romper e cair diretamente sobre o pasto, em uma propriedade localizada no Assentamento José Maria, no município de Abelardo Luz, no Oeste de Santa Catarina.

Segundo as informações apuradas, o rompimento da estrutura elétrica teria ocorrido após uma descarga atmosférica atingir a rede de distribuição, fazendo com que o cabo energizado despencasse exatamente sobre o local onde os animais estavam reunidos. Apenas seis vacas sobreviveram ao acidente.

O episódio representa uma perda devastadora para a família atingida. O rebanho leiteiro era a principal fonte de renda da propriedade e, em poucos segundos, anos de investimento em produção, genética e estrutura foram praticamente eliminados.

Embora a imagem das dezenas de vacas mortas lado a lado tenha causado forte impacto nas redes sociais e no setor, especialistas do agro lembram que o prejuízo de um acidente como este costuma ser muito maior do que o valor dos animais perdidos.

Em propriedades leiteiras familiares, cada vaca em produção pode representar um investimento entre R$ 8 mil e R$ 15 mil, dependendo da genética, estágio produtivo e capacidade de lactação.

Na prática, o prejuízo direto desta família pode ultrapassar facilmente R$ 300 mil, sem contar fatores ainda mais graves:

  • interrupção imediata da produção diária de leite
  • perda genética acumulada ao longo de anos
  • quebra do fluxo de caixa da propriedade
  • necessidade de recomposição gradual do rebanho
  • comprometimento da atividade econômica familiar

No modelo predominante de pecuária leiteira no Sul do Brasil, a renda diária depende diretamente da produção contínua. Quando o rebanho desaparece de forma repentina, toda a estrutura financeira da propriedade entra em colapso.

Em comunicado oficial, a Celesc afirmou que o acidente foi provocado por uma descarga atmosférica e informou que equipes foram deslocadas imediatamente para prestar assistência à família atingida.

“A Celesc vem a público se manifestar pelo incidente ocorrido na manhã desta quarta-feira (1º), em Abelardo Luz, após o rompimento de um cabo de alta tensão de energia elétrica, ocasionado por uma descarga atmosférica. A Companhia lamenta a perda de parte do rebanho leiteiro de uma família de produtores locais e compreende o impacto emocional e econômico que um evento como este causa no dia a dia de quem tira seu sustento da terra.

Equipes da Celesc estiveram no local para prestar auxílio à família afetada, com o objetivo de oferecer todo o suporte e a assistência necessária para este difícil momento.

Para garantir que o processo de ressarcimento seja realizado com a agilidade e a justiça que o caso merece, a Celesc já orientou o proprietário a organizar a seguinte documentação:

– Boletim de ocorrência;

– Laudo médico veterinário;

– Comprovante de compra ou orçamento dos animais;

– Documentação da CIDASC (numeração dos brincos individuais).

Por fim, a Celesc reforça: nunca se aproxime de cabos partidos ou rompidos. Em situações de risco, entre em contato pelo canal de emergência: 0800-048-0196.

A Celesc se mantém à inteira disposição da comunidade, reafirmando o compromisso com a segurança e o respeito a cada cidadão catarinense.“

O episódio também chama atenção para uma transformação silenciosa no agronegócio brasileiro: a crescente dependência da infraestrutura elétrica dentro das propriedades rurais.

Hoje, grande parte das fazendas brasileiras depende diretamente de energia para atividades como:

  • ordenha automatizada
  • sistemas de irrigação
  • armazenamento refrigerado
  • bombeamento de água
  • cercas elétricas
  • monitoramento remoto
  • automação de tratores e equipamentos

Com isso, falhas em redes de distribuição começam a representar um risco operacional cada vez maior.

Especialistas em engenharia rural alertam que eventos climáticos extremos — como tempestades, raios, ventos severos e oscilações elétricas — estão se tornando mais frequentes e exigirão novas estratégias de proteção dentro das propriedades.

O caso registrado em Abelardo Luz ultrapassa o impacto isolado de um acidente local e deixa uma reflexão importante para todo o setor produtivo.

À medida que o campo se torna mais tecnológico, automatizado e dependente de infraestrutura energética, cresce também a necessidade de gestão preventiva voltada não apenas para clima, mercado ou sanidade animal, mas também para segurança operacional.

No agro moderno, proteger a fazenda já não significa apenas cuidar da produção.

Significa também garantir que toda a estrutura invisível que sustenta essa produção esteja segura.

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM