Possível venda da Fazenda Rio Pardo, em Iaras (SP), é estimada em R$ 1,2 bilhão. Veja o que se sabe sobre a Bracell, os pomares e os empregos.
Uma possível negociação de R$ 1,2 bilhão envolvendo a Fazenda Rio Pardo, em Iaras (SP), levanta uma questão para os trabalhadores da citricultura no interior paulista. O que aconteceria com as equipes de colheita se os pomares dessem lugar ao eucalipto? A propriedade está ligada a um projeto citrícola iniciado em 2006 com mais de 9 mil hectares de terras cultiváveis para a produção de laranja, segundo o histórico da Citrosuco.
A cifra foi divulgada em 31 de outubro pelo São Manuel Conectado, que apontou a Bracell como compradora e a silvicultura como possível destino da área. Em 3 de novembro, o jornal A Voz do Vale repercutiu a reportagem e creditou a publicação original. Até 8 de novembro, a consulta a fontes públicas não encontrou confirmação independente da conclusão da compra, do preço ou de um plano para substituir os pomares.
Por que a troca da laranja pelo eucalipto mudaria o perfil dos empregos
Se houver conversão de pomares, o primeiro efeito a medir será quantas vagas de colheita deixariam de ser oferecidas nas safras seguintes. A colheita manual da laranja mobiliza equipes durante a safra. Já a Bracell informa que a colheita de eucalipto em suas operações paulistas é mecanizada e ocorre, em geral, no sétimo ano após o plantio. Máquinas conhecidas como harvesters e forwarders trabalham em conjunto no corte das árvores e na movimentação das toras, como mostra a cobertura do Compre Rural sobre colheita mecanizada e silvicultura de precisão.
A atividade florestal também demanda trabalhadores no plantio, na manutenção e no transporte, com funções e calendários diferentes. Para quem vive da colheita de laranja, o impacto poderia aparecer na redução das contratações temporárias, além de eventuais desligamentos de empregados permanentes. A dimensão dessa mudança dependeria da área convertida, do prazo de retirada dos pomares e da possibilidade de aproveitar as equipes em outras propriedades.
A Fazenda Rio Pardo integra uma região onde a safra de laranja 2025/26 somou 292,94 milhões de caixas, segundo o Fundecitrus. O volume corresponde ao conjunto do cinturão citrícola de São Paulo e do Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. Para estimar o efeito sobre o emprego em Iaras, seria preciso saber quantas pessoas a fazenda mobiliza no pico da colheita.
O que o acordo coletivo revela sobre os trabalhadores da região
O Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Avaré e a Citrosuco firmaram um acordo coletivo que inclui Iaras e outros quatro municípios. O documento abrange trabalhadores rurais permanentes, safristas e eventuais e tem vigência até 31 de maio de 2027.
O acordo identifica as categorias representadas, mas não informa quantas pessoas trabalham especificamente na Fazenda Rio Pardo. Os mais de 14 mil funcionários divulgados pela Citrosuco correspondem ao quadro da companhia no Brasil e no exterior. As informações públicas disponíveis ainda não permitem estimar o número de vagas que poderiam ser afetadas em Iaras.
O que falta esclarecer sobre a Fazenda Rio Pardo
O histórico da Citrosuco documenta uma parceria agrícola firmada em 2006 entre o Grupo Fischer e a Companhia Agrícola e Pastoril Fazenda Rio Pardo. A área cultivável citada naquele projeto mostra a escala da operação original. O perímetro de uma eventual venda e a área de pomares que poderia ser convertida para eucalipto seguem sem confirmação pública.
Para os trabalhadores da região, a questão mais imediata é se haverá colheita e contratação na próxima safra. O calendário da operação e o número de empregados permanentes, safristas e terceirizados vinculados à fazenda são os dados que permitiriam dimensionar o efeito de uma eventual mudança de cultivo sobre o emprego local.
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