Cadeia leiteira: produção, coronavírus e expectativas

Cadeia leiteira: produção, coronavírus e expectativas

PARTILHAR
Foto Divulgação

O Índice de Captação de Leite calculado pela Scot Consultoria, já são três meses de recuo no volume captado, menor oferta tem sustentado os preços!

A pesquisa trimestral do leite, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente ao último trimestre de 2019, foi publicada em 19 de março deste ano. No levantamento, foram considerados os volumes de leite adquiridos pelos laticínios com algum tipo de inspeção sanitária (municipal, estadual e/ou federal).

De outubro a dezembro do ano passado foram coletados 6,6 bilhões de litros de leite no país, um aumento de 5,6% em relação ao trimestre anterior, porém 0,9% menor que igual período do ano passado.

Em 2019 a aquisição de leite totalizou 25,0 bilhões de litros, recorde. Em relação a 2018 o volume apresentou incremento de 2,3%.

Figura 1. Volume de leite adquirido em 2018 e 2019 no Brasil – em bilhões de litros.

Fonte: IBGE / Elaborado por Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Apesar da produção crescente no segundo semestre de 2019, esta foi menor na comparação anual. A diminuição na remuneração do produtor de leite, somada aos problemas climáticos no período, são fatores que explicam esse cenário.

E em 2020…

Nos primeiros meses de 2020, do lado da produção leiteira, segundo o Índice de Captação de Leite calculado pela Scot Consultoria, já são três meses de recuo no volume captado.

Com a menor disponibilidade de matéria-prima e consequentemente maior concorrência entre os laticínios, o preço do leite ao produtor está em movimento ascendente desde o final de 2019.

Além disso, do lado do consumo a situação melhorou um pouco, com o fim das férias escolares, o que deu suporte às cotações.

As expectativas são de que esses movimentos (produção e preços) perdurem até meados de junho/julho.

Coronavírus e os impactos na cadeia leiteira

Um ponto de atenção, porém, é com relação aos reflexos da pandemia de coronavírus sobre a cadeia leiteira.

Até meados de março, quando este texto foi escrito, as indústrias de laticínios estavam operando normalmente, sem restrições. Com coleta, processamento e logística de distribuição de lácteos funcionando.

Com relação à demanda, após a OMS (Organização Mundial da Saúde) ter classificado o vírus como uma pandemia, foi verificada uma procura maior pelos varejistas para repor os estoques, que vinham regulados, fazendo subir os preços dos lácteos no atacado, principalmente o leite longa vida (UHT).

O preço do leite longa vida, que nos últimos meses vinha entre estabilidade e ligeira queda, subiu 2,3% na primeira metade março, no atacado, frente a segunda quinzena de fevereiro.

Foram verificadas altas também para o creme de leite, queijo muçarela, entre outros produtos lácteos.

Figura 2. Preço médio do leite longa vida no atacado (média de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Paraná) – em R$/litro.

Fonte: Scot Consultoria – www.scotconsultoria.com.br

Nos supermercados, também foi registrada uma maior movimentação, com a população “correndo atrás” de alguns produtos para estocar (principalmente o longa vida) em casa, diante de toda as incertezas geradas por essa crise. As refeições feitas em casa aumentarão durante este período.

A expectativa é de que o consumo de produtos lácteos, tais como os leites fluídos, não seja muito afetado pelas medidas adotadas para o controle do coronavírus no país.

Por outro lado, a demanda por achocolatados, leites fermentados e até o leite em pó poderão ser prejudicadas com a suspensão das aulas nas escolas e as vendas quase que paralisadas para indústrias especializadas em food service (fast food e shoppings).

E para o médio e longo prazos…

Como efeito do coronavírus, os indicadores da economia nacional vêm caindo. Segundo informações do Boletim Focus, de 20/3, o PIB (Produto Interno Bruto) apresentou crescimento de 1,5% contra 2,3% de um mês atrás. Este fato pode segurar o consumo, principalmente de produtos de maior valor agregado, como vimos nos anos anteriores.

A forte subida do dólar, além de diminuir as importações e deixar o produto brasileiro mais competitivo no mercado externo, pode aumentar os preços dos insumos importados pesando no bolso do produtor.

É necessário também acompanhar os próximos passos com relação a distribuição/abastecimento por conta dos riscos de exposição. O momento é de incerteza, o que demanda um acompanhamento de perto, pois estamos vivendo algo inédito.

Fonte: Scot Consultoria

Todo o conteúdo áudio visual do CompreRural está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral, sua reprodução é permitida desde que citado a fonte e com aviso prévio através do e-mail jornalismo@comprerural.com