Calor de 50°C mata 10.000 bovinos em confinamento

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Uma das maiores ondas de calor que atinge os confinamentos do Kansas matou cerca de 10.000 cabeças de gado gordo. Confira os vídeos!

Com mais de 6,5 milhões de cabeças de gado criadas no estado, Kansas tem a terceira maior indústria de pecuária do país, atrás de Texas e Nebraska. A onda de calor chegando a temperaturas de 50°C, os animais no estado do Kansas morreram devido ao choque térmico, ou seja, pelo estresse térmico causado pela mudança repentina na temperatura. Segundo o site americano Progressive Farmers, o sol forte causou a morte de cerca de 10 mil bois em confinamentos da região.

Os números finais de mortes continuam chegando, mas essa estimativa inicial foi compartilhada com a DTN por especialistas em gado, que colocaram o ponto central geográfico dessas mortes em Ulysses, Kansas. Os vídeos são tristes e as imagens fortes. Se fazendo um cálculo, por cima, o valor do prejuízo ultrapassa os R$ 1 milhão de dólares.

O que se sabe é que, antes dessas perdas dolorosas, as temperaturas na área eram superiores a 37,77 °C, havia umidade e havia pouco ou nenhum vento para ajudar a resfriar os animais. As leituras de temperatura relatadas para Ulysses começaram a ultrapassar a marca de 37,77 graus em 11 de junho. Em 13 de junho, a alta temperatura foi relatada em 40° graus, com níveis de umidade variando de 18% a 35%. Outro fator importante é a raça dos animais, que são mais sensíveis a altas temperaturas.

Corbitt Wall, analista de gado da National Beef Wire que trabalha em Amarillo, Texas, disse à DTN que ouviu de duas fontes não relacionadas à mídia sobre a extensão das perdas no Kansas. Ele observou que havia frustração porque, apesar de perdas tão extensas, o mercado de futuros caiu.

“Sei que é difícil para as pessoas do ramo observar esse mercado futuro, mas não é real”, disse ele. É preciso entender e esperar que o mercado se acomode, após essa tragédia e grande volatilidade dos papeis.

O estresse térmico causa efeitos negativos nos animais, o gado pode suportar temperaturas altas, mas necessitam de períodos mais amenos para descanso, como durante a noite. Como o clima trouxe altas temperaturas também no período noturno, o organismo dos animais não suportaram, levando ao choque térmico.  

Segundo os veterinários, essa mudança repentina não permitiu com que o organismo do gado se adaptasse.

“O estresse térmico não acontece de uma só vez. O gado acumula calor durante o dia e, durante a noite, leva de quatro a seis horas para dissipar esse calor. Contanto que tenhamos um efeito de resfriamento à noite. O gado pode lidar principalmente com o calor. Onde temos problemas é quando temos dois a quatro dias seguidos de resfriamento noturno mínimo e começamos o dia com a carga de calor acumulada no dia anterior ainda lá “, disse ele.

Prevenção do estresse térmico

Embora toda perda relacionada ao calor não seja evitável, Tarpoff disse que existem várias estratégias de mitigação que os alimentadores podem usar durante os meses de verão. Todos eles começam com o monitoramento das condições e com um plano para lidar com o estresse.

Além de dar ao gado fontes adicionais de água, Tarpoff disse que ajuda o uso de aspersores durante a noite para resfriar o chão do curral. Sombras, grandes montes e manter ervas daninhas e fardos de feno fora do caminho para permitir a brisa são estratégias básicas, mas eficazes.

“Também podemos mudar as estratégias de alimentação”, disse ele. “O calor da digestão é real, é um subproduto da fermentação. Então, muitas operações realmente deram uma ração de estresse térmico onde eles alimentam alimentos mais facilmente digeríveis. Eles também podem mudar o tempo de alimentação.”

ORLIN WAGNER/AP

O que quer que tenha contribuído para as perdas desta semana, Tarpoff disse que sabe que os animais nessa fase tinham que ser de valor extremamente alto, dado seu tamanho no momento da perda.

“Os animais mais caros que temos em uma operação são os que estão lá há mais tempo”, disse ele. “Nós fornecemos a eles a maior quantidade de ração, jardas, cuidados de saúde e medicamentos. Investimos mais neles. Então, quando você perde animais assim, é muito caro para a operação.”

Alertas a população

No calendário, o verão no hemisfério norte só começa oficialmente na semana que vem. Mas, na prática, mais de 60 milhões de americanos tem enfrentado temperaturas muito altas, numa onda de calor que tem batido recordes.

No interior da Califórnia, na região conhecida como vale da morte, os termômetros passaram dos 50°C. Autoridades pedem para que as pessoas, em especial os idosos, se protejam. Evitando atividades ao ar livre e se hidratando ao máximo. A temperatura alta é a principal causa de mortes relacionadas ao clima, mesmo com a ocorrência frequente de furacões e tornados no país. 

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