Carne: Brasil pode perder competitividade, e agora?

Carne: Brasil pode perder competitividade, e agora?

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Foto e Montagem: Thiago Pereira

Ágio pago pelo boi china pode acabar se queda do dólar reduzir a competitividade da carne brasileira, diz consultor; Animais valem R$ 225/@. Veja!

Em entrevista, o Consultor em Gerenciamento de Riscos da StoneX, Caio Toledo Godoy, um animal comum no estado de São Paulo está próximo de R$ 220,00/@, mas com premiação chega a R$ 225,00/@. “O spread entre o boi China e o animal comum está mais curto do que nos últimos meses, na qual já chegou a ter uma diferença de até R$ 15,00/@”, comenta.

Os compradores chineses estão tentando negociar uma carne bovina mais barata, por isso o ágio do boi china frente ao boi destinado ao mercado interno pode reduzir ainda mais. “A redução dos preços não está sendo praticado ainda, mas é preciso monitorar os próximos dias”, afirma.

Próxima semana será importante para determinação de preços da arroba, entenda porque!

A unidade da BRF S.A. de Dourados (MS/SIF 18) teve suspensa a exportação para a China, de acordo com comunicado do Departamento de Alfândegas da China (GAAC, na sigla em inglês). “Na semana passada foram duas solicitadas, hoje, foi uma indústria suspensa. É preciso sempre monitorar para ver como vai ser as próximas medidas tomadas pela a China”, apontou.

A demanda chinesa vai seguir aquecida, mas por uma questão sanitária os compradores podem reduzir o volume exportado para evitar novas contaminações de coronavírus. “A redução nas exportações não vai drástica, porém pode impactar no valor ofertado pela a arroba de forma regional”, destacou o analista.

Preços pelo país

No app da Agrobrazil a média para a praça de São Paulo, fechou ontem cotada a R$ 228,54, com valor variando de R$ 222,00 à R$ 230,00/@. Já o Cepea fechou o indicador do Boi gordo cotado à R$ 226,60/@.

Novos negócios para o Boi China estão sendo efetivados no patamar de R$ 230,00/@ nas praças paulistas, conforme divulgou o aplicativo da Agrobrazil. Na localidade de Sales/SP e Sud Mennucci/SP, o valor negociado para o animal com padrão exportação está em R$ 230,00/@, à vista e com data para o abate entre 03 e 04 de agosto.

Exportações são recordes

O ritmo de exportações brasileiras de carne bovina in natura continua acelerado. “Sem espaço para folga. É assim que estão os embarques de carne in natura”, destaca o economista Yago Travagin, consultor da Agrifatto. De acordo com Travagini, o avanço foi de 3% na média diária na última semana, no comparativo da semana anterior, chegando agora a 7,58 mil toneladas embarcadas diariamente.

Com isso, o total exportado nos primeiros 18 dias úteis do mês de julho  já soma 136,42 mil toneladas, o maior volume da história para o período, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A receita também é recorde, com  US$ 557,14 milhões. A média diária atingiu US$ 30,95 milhões, com preços da proteína bovina estabelecidos em US$ 4.083 por tonelada.

Na comparação, durante todo o mês de julho de 2019, as exportações de carne bovina in natura somaram 133,2 mil toneladas, por US$ 530,6 milhões. O total, incluindo carne industrializada e miúdos, foi de 160,3 mil toneladas por US$ 631,2 milhões.

Segundo  Travagini, agora, fica a expectativa para saber se as exportações deste mês de julho irão superar o recorde mensal histórico. Ele foi registrado em outubro de 2019, quando saíram 170,5 mil toneladas.

Exportação de carne in natura, no mês de julho, (em mil toneladas):

  • 2019 – 133,2
  • 2018 – 130,9
  • 2017 – 105,2
  • 2016 – 82,2
  • 2015 – 90,5

Fonte: Notícias Agrícolas, Cepea, Agrobrazil e Secex

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