Projeto bipartidário quer suspender a abertura extraordinária de 300 mil toneladas e ampliar o controle do Congresso sobre futuras importações; mercado brasileiro pode perder uma importante válvula de escape para os embarques
A ampliação temporária das importações de carne bovina pelos Estados Unidos ganhou um novo capítulo. Parlamentares republicanos e democratas apresentaram o BEEF Act, projeto que busca suspender a cota adicional de 300 mil toneladas de carne bovina magra aberta pelo governo americano e exigir maior participação do Congresso em futuras decisões semelhantes.
O movimento confirma o alerta divulgado pela Safras & Mercado nesta quarta-feira (24): a oposição à medida deixou de ser apenas setorial e passou a contar com apoio bipartidário no Congresso americano. Apesar disso, a consultoria ressalta que, até agora, a regra vigente não foi alterada e os lotes continuam operacionais.
O que está em jogo
A cota extraordinária foi criada pelo governo Donald Trump em agosto e permite a entrada adicional de 300 mil toneladas de aparas e cortes bovinos magros, divididas em três lotes de 100 mil toneladas entre setembro e novembro. A justificativa da Casa Branca é aumentar a oferta destinada principalmente à produção de carne moída e tentar conter os preços ao consumidor.
O novo projeto, apresentado pelo republicano Zach Nunn, de Iowa, e pelo democrata Gabe Vasquez, do Novo México, pretende tornar sem efeito a ampliação caso ela não receba aprovação do Congresso. A proposta também prevê a criação de um conselho formado por produtores e representantes da cadeia para discutir a recomposição do rebanho bovino dos Estados Unidos, atualmente em um dos menores níveis das últimas décadas.
Brasil tem muito a perder
Para o Brasil, a discussão é especialmente relevante. Os Estados Unidos se consolidaram como segundo principal destino da carne bovina brasileira no primeiro semestre de 2026, comprando cerca de 205 mil toneladas, com receita de US$ 1,35 bilhão, segundo a Abiec.
A nova cota americana ganhou ainda mais importância depois da desaceleração das compras chinesas. Dados recentes mostram que os embarques brasileiros aos EUA cresceram 37,2% entre janeiro e agosto, alcançando aproximadamente 241 mil toneladas.
A Abrafrigo já havia classificado a abertura da cota como uma alternativa importante para compensar restrições e redução de espaço em outros mercados.
Cota continua valendo
Apesar da pressão política, não houve até o momento cancelamento da medida. O primeiro lote já está em andamento e qualquer mudança efetiva dependerá do avanço do BEEF Act no Congresso ou de uma nova decisão do Executivo americano.
Na avaliação da Safras & Mercado, portanto, o risco para a carne brasileira é neste momento mais político do que operacional. A atenção do mercado se concentra principalmente nos lotes previstos para outubro e novembro.
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