Conheça o primeiro confinamento do Brasil

Conheça o primeiro confinamento do Brasil

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Foto Divulgação.

A história no Brasil, inicia em 1961 com a construção do primeiro confinamento no país. Veja como foi a trajetória dessa técnica muito utilizada hoje.

Uma história de pioneirismo chamou a atenção quando foi contada, trata-se do primeiro confinamento de gado de corte de todo o país, construído pelo pecuarista Jacintho Ferreira e Sá em propriedade formada em 1908 pelo seu pai.

Em 1961, Jacintho montou a estrutura para engorda de gado na seca na Fazenda Chumbeada, em Ourinhos, interior paulista, e na época terminava cerca de três mil animais no ano neste sistema intensivo.

Nesta quinta, dia 1º, a memória foi revivida por seu filho Fábio Sá, que hoje é um dos administradores dos negócios de pecuária da família nas Fazendas Chumbeada e Furninhas, também em Ourinhos-SP, e ainda propriedades na região de Diamantino, no Mato Grosso.

Um dos primeiros relatos do empreendimento de Jacintho data de 1962, na reportagem “O fazendeiro do mês”, divulgada na revista ‘O Dirigente Rural’. Dez anos mais tarde, outra grande revista do segmento divulgou texto atribuindo a outra propriedade o primeiro confinamento do país, dado que posteriormente foi retratado.

“Meu pai fez este confinamento, mas sem intenção de ser o primeiro”, lembrou Fábio Sá. “Ele foi realmente o primeiro a fazer o confinamento, que hoje você vê como está. Mas ali começou sem ter experiência nenhuma, confinamento era até um pouco dispendioso, pois era coberto”, contou o pecuarista.

Em 2019, o Brasil deve engordar 4,75 milhões de cabeças em cocho, segundo estima a consultoria INTL FCStone.

“As boiadas, a genética era outra. Era a boiada chamada goiana, não tinha aqueles bois Nelore que hoje nós temos e é outra coisa, nem cruzamento”, frisou Fábio.

“Você vê que ele fez aquilo (cobertura), mas depois percebeu que não era necessário cobrir porque os bois não atolavam. Ele colocava casca de amendoim para fazer a forragem. Depois tinha esterco e urina do gado e ele aproveitava isso para jogar na lavoura de café. E a cada mil bois, dava 500 caminhões de esterco para tirar, […] mas o trabalho que tinha para colocar a palha de amendoim e depois tirar o esterco”, relatou.

Com a oportunidade, Jacintho passou a comercializar adubo para lavoureiros da região, o que virou um negócio para a família.

Fábio Sá contou que o local onde nasceu este primeiro confinamento de gado de corte do Brasil hoje faz parte da cidade de Ourinhos, transformando-se em um dos bairros nobres do município.

“Esta parte virou cidade hoje. Vem loteando desde 1975. Esta parte é o lugar mais nobre de Ourinhos hoje, chamada Nova Ourinhos hoje. A fazenda nasceu como Fazenda das Furnas, do outro lado da cidade. Esta parte hoje é o chamado bairro Nova OUrinhos, um bairro nobre por lá. Isto vendeu em lotes e aí ele fez loteamento na outra parte da cidade, que é o loteamento hoje. Ele também concretou toda a área onde os bovinos têm que ir, o que é raro uma pessoa que concreta tudo, no máximo faz a linha de cocho dois metros”, complementou.

Toda esta história da família Ferreira e Sá, inclusive, virou livro nas palavras da escritora Sandra Regina Gomes, autora da obra “Do diamante mineiro aos canaviais paulistas”.

Além do pioneirismo, a fazenda manteve a curva de crescimento de aprendizado sobre a atividade. A visão de futuro da pecuária que o patriarca da família teve há quase seis décadas sobre manejo nutricional adequado à entressafra, desempenho, produtividade e mercado já está atravessando gerações.

Além dos filhos, os netos de Jacintho estão trabalhando pela perpetuação dos negócios.

“E hoje nós estamos passando para os netos dele. Já tem um filho meu formado na Esalq. […] O Ricardo (agrônomo) já está colocando toda a técnica dele na Barra do Bugres (MT) que é totalmente diferente”, revelou Fábio.

Em sua participação, o produtor deixou seu recado às gerações futuras de agropecuaristas:

Antigamente a pessoa tinha fazenda, mas não deixava o filho ficar na fazenda, tocar a fazenda, era tudo muito simples, não tinha muita técnica. Hoje é muita técnica. Se a pessoa não estiver bem a par da técnica, bem instruído, não consegue tocar. […] Os jovens têm que ir para a fazenda, estudar, pegar bastante técnica e ficar adepto a elas. Não adianta ir e ficar contra a evolução. A evolução genética, alimentar é muito grande. Apenas o seguinte, tem um detalhe: naquela época a gente trabalhava o ano inteiro e comprava o vizinho. Hoje você trabalha o ano inteiro e conserva trator, a camionete, a cerca. Aquela época a terra era barata. Se você não tocar bem, o vizinho te compra”, concluiu.

Compre Rural com informações do Giro do Boi

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