Crise: Produtores deixam a atividade e Governo busca solução

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Foto: Divulgação

O leite é um produto que tem uma importância econômica e social muito grande para o país. Nós temos que valorizar isso cada vez mais!

Presente em 99% dos municípios brasileiros, a pecuária de leite é uma das atividades mais tradicionais e importantes para a segurança alimentar de um país. Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite), Geraldo Borges, o leite é responsável por fortalecer a economia dessas cidades. “É um produto que tem uma importância econômica e social muito grande para o país. Nós temos que valorizar isso cada vez mais”, disse.

Diante disso, os Deputados da Subcomissão do Leite da Câmara Federal, membros da Comissão de Agricultura, deputado estadual e entidades estiveram no Rio Grande do Sul, nesta sexta-feira (02/7), buscando conhecer mais de perto o modelo de produção gaúcho a fim de levantar alternativas para os entraves do setor lácteo brasileiro.

Na passagem pelo estado, os parlamentares visitaram a sede da CCGL, em Cruz Alta (RS), onde estiveram na unidade fabril. Segundo o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), que participou da visita, “leite não suporta o coitadismo, a piedade”. Para ele, a produção de leite depende de pesquisa, sanidade, alimentação de boa qualidade, entre outras ações.

O Sindicato da Indústria de Laticínios do RS (Sindilat) entregou aos parlamentares na ocasião relatório com dados compilados do setor lácteo gaúcho e de sua atuação. O documento contém informações sobre a produção do estado, ações de fomento, atuação do Conseleite, além de material sobre a retomada do Fundoleite.

“Os deputados se mostraram interessados com o andamento do Fundoleite, pois é uma proposta que se assemelha ao projeto Mais Leite Saudável. A expectativa deles é para saber como o Fundoleite irá funcionar para levar ele a outros estados”, destacou o secretário-executivo do Sindilat, Darlan Palharini, ressaltando que espera que o Fundoleite seja um modelo para o país.

Durante a visita pela CCGL, os deputados também tiveram a oportunidade de conversar com produtores e conhecer mais sobre a assistência técnica disponibilizada pela cooperativa. “O testemunho dos produtores impactou de maneira positiva os deputados”, afirmou Palharini. Os parlamentares ainda estiveram na indústria e no tambo da cooperativa, onde puderam ver a tecnologia do uso do robô na ordenha através de vacas em sistema sem confinamento a base de pasto utilizadas pela CCGL na produção.

Além do deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), participaram da visita técnica a presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural deputada Aline Sleutjes (PSL-PR), os deputados federais Benes Leocádio (Republicanos – RN) e Domingos Sávio (PSDB-MG), o deputado estadual Clair Kuhn (MDB), e produtores e técnicos da Embrapa.

Abandono da atividade

Muitos outros não resistiram e abandonaram a atividade. Entre 2006 e 2017, o número de pecuaristas de leite no país caiu 13%, saindo de 1,350 milhão para 1,176 milhão. No Rio Grande do Sul, a redução foi ainda maior, mais do que a metade.

“A cada ano nós estamos diminuindo o número de produtores. Nós já tivemos aqui 130 mil produtores de leite. Hoje nós temos aqui 55 mil produtores”, disse o presidente da Fetag, Carlos Joel da Silva.

O grande gargalo do setor é o custo de produção elevado, como explica o produtor Roberto Jank, de São Paulo. “Basicamente o que aconteceu é que o câmbio aumentou 60% a 70%, com isso os preços das commodities subiram de 80% a 100% em dólares na bolsa de Chicago. Então, nós temos dois efeitos danosos nos custos e um efeito ruim na renda do consumidor, porque quem ganhava em reais continua ganhando a mesma coisa em reais ou menos, mais recebe muito menos em dólares”, disse.

Autossuficiência

Apesar de todas as dificuldades, a produção brasileira de leite cresceu 139% entre 1990 e 2019. Passando de 14,48 para 34.84 bilhões de litros ao ano.

Esse crescimento fez com que o Brasil se tornasse autossuficiente na produção de leite e não precisasse mais importar. Mas aí veio a recessão econômica entre 2015 e 2017, depois a pandemia do novo coronavírus, quando a demanda despencou. Nesse período, o consumo de leite no Brasil caiu de 175 para 160 litros por pessoa ao ano, o que representa 3.3 bilhões de litros por ano a menos. Sobrou leite no mercado interno com custo de produção alto e sem mercado de exportação.

“Os dois principais itens de custo de produção de leite são milho e soja, que são itens muito relacionados ao mercado internacional e,portanto, à cotação cambial. Então, o produtor de leite vende em reais, mas o custo dele é praticamente 100% em dólares”, disse Valter Galan, sócio da Agripoint Consultoria.

Com esses desafios, o produtor Joel Dalcin diz que tem que fazer malabarismo para não trabalhar no vermelho. “Nós aqui estamos trabalhando com um custo de R$ 1.85 pelo litro do leite. E a gente vem recebendo em torno de R$ 2 o litro”, disse.

Na outra ponta dessa cadeia, o consumidor também reclama do preço pago pelo litro, por conta da retração da economia no país.

Compre Rural com informações do Sindlat e Canal Rural

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