Disputa de produtor e frigorífico definirá o valor @

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

Após algumas semanas de grande valorização nos patamares de preços, a proposta dos frigoríficos agora é de pressão para derrubar os atuais valores da arroba!

A última semana foi marcada por uma nova onda de valorização e sustentação dos patamares de preços envolvendo as negociações do boi gordo pelas praças pecuárias do país. Mas a pressão de baixa já começou a surtir efeito no fechamento da semana, com um recuo médio de quase R$ 8/@ na média do Indicador. Veja abaixo o que esperar do mercado do boi nesta semana!

As indústrias estão amargando grandes prejuízo, principalmente aquelas que atendem apenas o mercado interno. Algumas ainda estão hibernadas e todas as que operam estão abatendo muito abaixo da capacidade das plantas. No mercado externo o dólar vem dando sustentação aos melhores preços pagos na matéria-prima.

Fechamento da semana

Segundo o Cepea, o Indicador do Boi, a cotação fechou com grande desvalorização saltando de R$ 319,40/@ para R$ 312,60/@. Esse é um dos menores valores das últimas semanas. Em 12 meses, os preços alcançaram 60% de valorização.

Segundo a Scot Consultorie, o boi gordo, a vaca gorda e novilha estão sendo negociados, respectivamente, em R$317,00/@, R$291,00/@ e R$306,00/@, preços brutos e a prazo.

O diferencial do mercado segue sendo para animais destinados ao mercado externo, onde as negociações podem chegar em R$325,00/@, preço bruto e a prazo. Durante a semana, tivemos lote de novilhas negociados a R$ 330,00/@, segundo o app da Agrobrazil.

Frigoríficos “confortáveis”

Ao longo desta semana, as indústrias frigoríficas brasileiras aproveitaram a leve recuperação na oferta de boiadas – impulsionada pelo início do período de seca no Brasil-Central – para recompor mais adequadamente as suas escalas de abate. Portanto, na avaliação da IHS, o mercado não espera que o número de animais oferecidos irá se elevar significativamente durante o período de entressafra.

A terceira semana de abril foi marcada pelo pontual avanço das programações de abate:

  • Em São Paulo, os trabalhos encerraram com 7,0 dias úteis, acima da média parcial anual que gira em torno de 6,0 dias úteis.
  • Já em Goiás, as indústrias fecharam a sexta-feira com 6,0 dias úteis, também acima da média parcial dos últimos doze meses;
  • No Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, as escalas fecharam o dia com 5,0 dias úteis, alinhada com a média parcial anual em ambas as regiões.
  • Em Minas Gerais e Tocantins, os cronogramas estão alinhados para os próximos 4,0 dias úteis, alinhados com a média parcial anual.

Pecuarista terminador com sinal vermelho na margem de lucro

Apesar da valorização nos patamares de preços, os preços da reposição e dos insumos estão muito acima da referência e do equilíbrio para garantir uma margem de lucro tranquila aos pecuaristas. Esse cenário, onde estamos passando pela pior relação de troca do boi gordo em relação a reposição, complica qualquer pressão de queda imposta pelas indústrias.

Por outro lado, os pastos estão secando e os pecuaristas não querem que a boiada comece a perder peso ou investir em gastos com nutrição nos atuais patamares de preços, isso pode favorecer uma maior oferta de lotes nas praças pecuárias.

Muitos terminadores consultados pelo Cepea mostram cautela na compra de novos lotes de bezerro, mesmo diante dos elevados preços da arroba do boi gordo. Agentes estão incertos até quando esse movimento de alta nos valores da reposição pode durar.

Como ficará o preço da arroba nesta semana?

Apesar da melhora no consumo doméstico, por conta do auxílio emergencial e o pagamento do salário – cenário típico de início de mês – os frigoríficos devem iniciar a semana com grande pressão de baixa no mercado, tendo em vista a melhora nas escalas de abate.

Por outro lado, a resistência deve ser grande por parte dos pecuaristas que também estão de olho no mercado da reposição e dos grãos. Com isso, devemos ter uma semana sendo travada e as negociações devem acontecer de forma pontual, cenário diferente para o mercado de exportação que deverá continuar sendo melhor pagador diante do ritmo acelerado de exportação.

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