Atena da Padroeira alcançou resultado apresentado como histórico pela equipe em Formosa (GO); procedimento realizado pela CPEX Embriões destaca o potencial da genética Nelore e acompanha a expansão da fertilização in vitro no Brasil.
Uma doadora Nelore de apenas 10 meses de idade chamou a atenção pelo resultado de uma única aspiração folicular: 746 oócitos recuperados e encaminhados ao laboratório. O desempenho de Atena da Padroeira, identificada como NPD94, foi divulgado como uma marca histórica pela equipe responsável, colocando em evidência o potencial reprodutivo da jovem fêmea e as possibilidades da biotecnologia aplicada à pecuária.
Pertencente ao criatório Nelore Padroeira, de propriedade de Luiz Carlos Abdala, Atena foi submetida ao procedimento em Formosa, Goiás, pela equipe técnica da CPEX Embriões. A combinação entre a pouca idade e o volume de material coletado é o ponto central do resultado: a doadora já apresenta possibilidades de multiplicação de sua genética muito antes de sua primeira cria.
O número ganha relevância porque a produção in vitro de embriões permite ampliar a contribuição de uma fêmea aos programas de melhoramento. Em vez de depender apenas dos descendentes que ela própria pode gestar, o sistema utiliza receptoras para conduzir as gestações dos embriões produzidos a partir de seus oócitos e do sêmen de touros selecionados.

O que representam os 746 oócitos?
Os oócitos são as células reprodutivas femininas utilizadas como ponto de partida para a produção de embriões. Sua recuperação ocorre por meio da aspiração folicular, conhecida como OPU, sigla em inglês para Ovum Pick-Up. Depois da coleta, o material segue para o laboratório, onde passa pelas etapas de maturação, fertilização e cultivo embrionário.
O total de 746 oócitos não equivale a 746 embriões ou futuros bezerros. A transformação do material coletado em embriões aptos à transferência depende de sua qualidade e do desempenho das etapas laboratoriais. Posteriormente, ainda entram na conta a concepção das receptoras e a manutenção das gestações. O comunicado não informa quantos embriões foram produzidos a partir dessa aspiração.
O resultado divulgado, portanto, se refere ao volume recuperado em uma única coleta. É nessa etapa que Atena da Padroeira se destaca, oferecendo uma quantidade expressiva de material para o trabalho de multiplicação genética.

CPEX Embriões: trabalho técnico por trás da marca
O trabalho da CPEX Embriões ocupa posição central nessa conquista. A empresa foi responsável pelo procedimento em Formosa, com Leandro Braga à frente da OPU e Luiz Scapin Neto responsável pela seleção dos oócitos, conforme as informações técnicas divulgadas.
Fundada em 2021, a CPEX atua na produção de embriões por fertilização in vitro e na operacionalização de projetos de multiplicação genética em larga escala. Segundo sua apresentação institucional, a empresa utiliza uma plataforma digital para coletar, processar e analisar dados, com informações em tempo real que apoiam a gestão dos resultados reprodutivos.
A atuação descrita pela CPEX concentra-se em três indicadores: conversão de oócitos em embriões, taxas de concepção e redução de perdas gestacionais. Esse acompanhamento permite avaliar o desempenho para além da quantidade coletada, conectando o trabalho de campo às etapas laboratoriais e aos resultados obtidos nas receptoras.
No caso de Atena, a recuperação dos 746 oócitos representa o início dessa trajetória. As etapas seguintes permitirão dimensionar quanto desse potencial se traduzirá em embriões e descendentes.
Fertilização in vitro cresce e domina a produção de embriões no Brasil
O resultado surge em um cenário de expansão da tecnologia no país. Segundo o relatório da Sociedade Internacional de Tecnologia de Embriões (IETS) referente a 2024, publicado em 2025, os registros brasileiros de embriões bovinos produzidos in vitro avançaram 8,5% em relação a 2023.
O levantamento contabilizou 493.989 embriões bovinos produzidos in vitro no Brasil em 2024, equivalentes a 97,2% do total de embriões bovinos registrado no país. Os números demonstram o predomínio da técnica nesse segmento da reprodução animal e ajudam a dimensionar sua importância para a multiplicação genética dos rebanhos.
A própria IETS ressalta que existe subnotificação no mercado brasileiro, associada à produção de animais que não são registrados em associações de criadores. Dessa forma, o volume contabilizado representa o total reportado ao levantamento, podendo ficar abaixo da atividade efetivamente realizada no país.
Genética multiplicada cada vez mais cedo
Uma das possibilidades da produção in vitro é utilizar doadoras jovens, antecipando sua participação nos programas de reprodução. A redução do intervalo entre gerações pode acelerar o progresso genético quando associada à seleção criteriosa dos animais, como aponta revisão científica publicada na revista Pesquisa Agropecuária Gaúcha.
Para os criatórios, essa possibilidade amplia o alcance dos acasalamentos planejados. O resultado depende da escolha das doadoras e dos reprodutores, da qualidade dos embriões e da eficiência das receptoras, transformando a reprodução em um trabalho integrado de seleção, laboratório e manejo.
Com apenas 10 meses e 746 oócitos em uma única aspiração, Atena da Padroeira oferece um exemplo das possibilidades abertas pela reprodução assistida. A marca divulgada em Goiás coloca em destaque a jovem doadora, o criatório Nelore Padroeira e a atuação da CPEX Embriões em uma atividade que ganha espaço na pecuária brasileira.
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