Bovinos de Wisconsin testaram positivo para a doença hemorrágica epizoótica enquanto autoridades acompanham quase 1,8 mil relatos envolvendo cervos; enfermidade é transmitida por insetos e não oferece risco conhecido às pessoas
A doença hemorrágica epizoótica (EHD), infecção viral conhecida principalmente pelos efeitos sobre cervos, foi confirmada em bovinos leiteiros no estado de Wisconsin, nos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura, Comércio e Proteção ao Consumidor de Wisconsin (DATCP) informou em 29 de setembro de 2026 que amostras coletadas de animais não lactantes no condado de Waukesha testaram positivo para o vírus.
A ocorrência chama atenção porque acontece durante um surto expressivo entre cervos no sudeste do estado. O levantamento mais recente do DNR registra pouco mais de 1.200 relatos em Washington County, mais de 400 em Waukesha, cerca de 90 em Ozaukee e aproximadamente 80 em Dodge, além de números menores em outros três condados. As autoridades ressaltam que os registros são baseados em animais encontrados mortos ou doentes com sinais compatíveis e não correspondem, necessariamente, a casos confirmados. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.
Doença hemorrágica epizoótica é incomum em bovinos
A EHD pode infectar diferentes ruminantes, mas sua manifestação clínica é especialmente conhecida em cervídeos. Nos bovinos domésticos, segundo o DATCP, é incomum que a infecção provoque sinais aparentes.
Quando os sintomas surgem, podem incluir febre, perda de peso, salivação excessiva, claudicação e feridas nas pernas, na boca ou nos tetos. Algumas dessas alterações podem se confundir com sinais de outras enfermidades de importância sanitária, motivo pelo qual a confirmação laboratorial é necessária.
A doença já havia chamado atenção do setor pecuário europeu. Em 2023, o Compre Rural acompanhou a expansão da doença hemorrágica epizoótica na França, quando novos focos levaram à adoção de medidas de vigilância e movimentação de animais.
Quase 1,8 mil relatos envolvendo cervos são investigados
O cenário entre os cervos é mais amplo. O DNR confirmou a circulação do vírus em animais selvagens nos condados de Washington e Waukesha. Também existem ocorrências suspeitas em Dodge, Fond du Lac, Jefferson, Milwaukee e Ozaukee.
Até a atualização de 28 de setembro, os números informados pelo órgão eram:
- Washington: pouco mais de 1.200 relatos;
- Waukesha: pouco mais de 400;
- Ozaukee: cerca de 90;
- Dodge: aproximadamente 80;
- Milwaukee: cerca de 10;
- Fond du Lac e Jefferson: menos de 10 registros em cada condado.
Somados, os números ficam próximos de 1,8 mil relatos. A dimensão real do surto, entretanto, não pode ser determinada apenas por esse levantamento, já que nem todos os animais mortos são localizados ou comunicados às autoridades e nem todo relato passa por confirmação laboratorial.
Wisconsin já havia registrado episódios da doença em cervos em outros anos, porém em escala bem menor. Em 2024, por exemplo, os condados afetados tiveram entre três e 30 relatos suspeitos cada. Em 2021, os registros ficaram abaixo de 20 por condado. O primeiro diagnóstico conhecido em cervos no estado ocorreu em 2002, quando aproximadamente 14 animais foram encontrados mortos no condado de Iowa.
Vírus não passa diretamente dos cervos para o gado
Um ponto essencial para compreender o episódio é que a presença simultânea do vírus em cervos e bovinos não demonstra transmissão direta entre as duas espécies.
De acordo com a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH), a EHD é transmitida por vetores do gênero Culicoides, pequenos insetos hematófagos popularmente chamados de mosquitos-pólvora, maruins ou biting midges. A infecção entre ruminantes não é considerada contagiosa por contato direto: o vetor participa do ciclo de transmissão.
Esse comportamento explica também a sazonalidade observada nos Estados Unidos. Os episódios tendem a surgir principalmente no fim do verão e durante o outono, período de maior atividade desses insetos. Em Wisconsin, a expectativa das autoridades é de redução da circulação viral após as primeiras geadas fortes, que diminuem a população dos vetores.
Outro vírus transmitido por Culicoides que preocupa a pecuária é o responsável pela língua azul. Em setembro, o Compre Rural mostrou que a língua azul já havia sido confirmada em mais de 1,3 mil propriedades no Reino Unido.
Caso em bovinos é o primeiro registrado no estado desde 2013
A identificação nos animais de Waukesha representa o primeiro registro informado pelo governo estadual em bovinos desde 2013. O DATCP não divulgou quantos animais tiveram resultado positivo em 2026, por isso não é possível afirmar com segurança o número de casos individuais.
A confirmação em bovinos, portanto, deve ser vista principalmente como um indicador de que o vírus está circulando no ambiente e os vetores estão ativos na região, e não como evidência de uma epidemia entre o gado leiteiro.
O DATCP orienta produtores que identifiquem sinais compatíveis em bovinos ou cervos criados em propriedades rurais a procurar assistência veterinária. Amostras de sangue, baço, pulmão ou linfonodos podem ser encaminhadas para exames capazes de diferenciar a EHD de outras enfermidades.
Há risco para quem consome carne ou leite?
As informações oficiais são claras nesse ponto: não há evidências de que o vírus da EHD infecte seres humanos.
Segundo o DATCP, pessoas não estão sob risco conhecido pela picada dos insetos vetores, pelo contato com bovinos ou cervos infectados nem pelo consumo de carne ou leite oriundos desses animais. A WOAH também classifica a enfermidade como uma infecção de ruminantes sem doença conhecida em humanos.
No caso de cervos encontrados mortos, o DNR recomenda evitar o manuseio desnecessário de carcaças. A orientação não ocorre porque a EHD seja uma zoonose, mas porque animais silvestres mortos podem carregar outros agentes potencialmente perigosos.
Produtor deve reforçar observação e controle de insetos
Não existe tratamento específico para a doença hemorrágica epizoótica. Para propriedades com bovinos em áreas de circulação do vírus, as recomendações de Wisconsin incluem acompanhamento veterinário, manutenção adequada da nutrição, redução de situações de superlotação e atenção ao controle de insetos e demais parasitas.
A ocorrência também demonstra por que a vigilância sobre doenças transmitidas por vetores precisa considerar animais domésticos e populações silvestres. Neste caso, a coincidência de infecções em cervos e bovinos está ligada à circulação ambiental do vírus por meio de Culicoides, e não a uma transmissão comprovada dos cervos diretamente para o gado.
A evolução do surto continuará relacionada às condições climáticas e à presença dos insetos. Com a chegada de temperaturas suficientemente baixas para reduzir a atividade dos vetores, a expectativa oficial é de queda nos novos registros.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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