É possível a novilha produzir leite sem parir?

É possível a novilha produzir leite sem parir?

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Foto Divulgação

Uma novilha começou a soltar leite aos oito meses de idade, em propriedade no interior de Minas Gerais e a situação chamou atenção. Qual o motivo?

O que acontece com uma novilha que começou a soltar leite aos oito meses de idade? Joice Tamara Mendes Cantuária, de Porteirinha (MG)

Para que um bovino produza leite, o animal necessariamente precisa parir. Uma novilha precoce tem o seu primeiro cio em torno de um ano de vida. Mas, em raças menores como a Jersey, e dependendo do manejo, o primeiro cio pode ocorrer até mais cedo, entre oito e 10 meses de idade.

Como a gestação dura pouco mais de nove meses, a novilha iria dar luz com cerca de 20 meses. Assim, sem que sua glândula mamária esteja desenvolvida, nem apta a secretar leite, a bezerra com oito meses pode ter produzido alguma secreção anormal nas tetas, devido às alterações hormonais no início da puberdade (primeira ovulação).

O mais provável, contudo, é a ocorrência de um processo inflamatório no úbere causado por algum trauma, como picada de inseto ou pancadas – há registros de cabeçadas nas mamas entre bezerros. Outra possibilidade é o surgimento de uma inflamação por processo infeccioso da glândula mamária, causado por condições de higiene inadequadas.

Como fazer uma vaca produzir leite sem a gestação?

Sim, é possível e se chama “protocolo de indução a lactação” baseia-se em uma combinação de hormônios que simulam a gestação em seus últimos 21 dias que antecedem o parto.

Um dos grandes impasses na produção de leite são as falhas reprodutivas, que podem estar relacionas com como falhas de manejo reprodutivo, estresse térmico, deficiência nutricional, doenças infecciosas, problemas fisiológicos.

Com o passar dos anos foi se buscando na seleção genética animais sempre com maior capacidade de produção de leite, porém em contra partida este ganho na alta produtividade vem causado um declínio no desempenho reprodutivo por perdas na produtividade e rentabilidade do rebanho gerando um índice elevado de descarte de animais.

Pois, os animais acabam encerando a lactação não gestante e impossibilitando uma nova lactação.

Mas atualmente uma alternativa para estes animais é utilizar o protocolo de indução a lactação, que tem uma índice de 80- 90% dos animais que respondem com sucesso ao protocolo.

Porém, para que se obtenha resultado é necessário observar o estado sanitário, condição nutricional e que seja respeitado o período seco do animal, pois mesmo o animal não estando gestante sua glândula mamária necessita de um período de descanso semelhando ao pré- parto para que possa iniciar um novo ciclo de lactação.

A partir disto, iniciam-se as aplicações dos hormônios que com a prostaglandina, progesterona, somatotropina, glicocorticoides, prolactina são os responsáveis pelo desenvolvimento da glândula mamária para produção de leite em um animal gestante próximo ao parto, a ordenha começa no 21° do inicio do protocolo.

A produção irá aumentando gradualmente até chegar no pico de lactação, estudos indicam que as vacas atingem uma  média é de 70-80%  de uma lactação normal.

O uso dos protocolos de indução também auxiliam as vacas a retornarem a atividade reprodutiva com capacidade de concepção, também pode ser utilizado em novilhas que foram inseminadas varias vezes.

Essa alternativa pode ser usada em animais de alto valor genético, diminuído a taxa de descarte dos rebanhos e dar outra chance de gerar novas tentativas para esses animais aumentando sua vida produtiva, reduzir custos com a reposição e a possibilidade de programar a produção destes animais em épocas de melhor remuneração do leite.

Adaptado do Globo Rural e Coagril

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