A decisão pela pecuária sustentável!

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Dia de campo campo na Fazenda Santa Brígida, sobre integração lavoura pecuária floresta 2
Foto: Tony Oliveira

Para o produtor pecuário: é possível manter ou melhorar a lucratividade conciliando o aspecto produtivo e o de sustentabilidade ambiental?

Vários Autores* – Por conta do aquecimento global ou por questões de geopolítica econômica, em que se estabelecem as forças competitivas entre países produtores, o setor agropecuário brasileiro e, em especial, a pecuária de corte, tem sido objeto constante de discussão. Para o produtor pecuário, esse contexto se traduz em única pergunta: é possível manter ou melhorar a lucratividade conciliando o aspecto produtivo e o de sustentabilidade ambiental? Este artigo coloca luz sobre os pontos relevantes que evidenciam os resultados positivos em relação à redução dos impactos ambientais e o aumento da rentabilidade da atividade.

Por que a pecuária nacional parece vitrine na questão do clima?

A agenda de sustentabilidade ambiental, em especial pelos efeitos dos gases de efeito estufa sobre o clima, deixou de ser um cenário futuro, como era tido 10 ou 15 anos atrás, para ser uma condição que já vivemos hoje. Dentre todas as atividades econômicas de produção, a pecuária é a sétima mais poluente, respondendo por 5.8% da emissão total de gases estufa no planeta. O Brasil é o segundo maior produtor e o primeiro maior exportador de carne bovina, com um rebanho de 187.55 milhões de cabeças, distribuídos em 165.2 milhões de hectares. Esses números mostram que a pecuária nacional tem um papel importante a desempenhar em relação ao tema. Mas, por trás dessa agenda legítima, há também os interesses ocultos; neste caso, as competições comerciais entre os países produtores para alterar o balanço competitivo de suas exportações.

No total das atividades produtivas, o Brasil emitiu, em 2005, um total de 1.2bi tons CO2eq e deveria reduzir essas emissões em 43%, até 2030. Assumindo que esses 43% tivessem que ser reduzidos linearmente em toda e qualquer atividade econômica, esse seria o principal desafio da pecuária nacional. A boa notícia é que algumas pesquisas feitas em ambiente operacional mostram que, dependendo do sistema de produção, é possível uma redução de até 51%,8 na emissão dos tais gases estufa para um mesmo nível de produção pecuária.

Dia de campo campo na Fazenda Santa Brígida, sobre integração lavoura pecuária floresta 1
Foto: Tony Oliveira

Por que escolher um sistema de produção pecuária adequado é importante?

A determinação de um sistema adequado de produção deve considerar não apenas os fatores diretos, como manejo, sazonalidade de pastos e custos de produção, mas também os indiretos, como os impactos ambientais, sob o aspecto dos custos de produção e emissão dos gases de efeito estufa, de forma que a redução das emissões esteja condicionada não apenas à viabilidade econômica da atividade, mas também possa ser explorada como uma vantagem competitiva monetizável, transformável em margem incremental para o produtor. E como se faz isso?

Os custos que os pecuaristas estão acostumados a tratar, na gestão do seu negócio precisam ser trazidos a uma base comum, como, por exemplo, o hectare ou o quilo de peso-vivo para então serem somados, sob a ótica econômica, os aspectos operacionais e ambientais. Ressalvadas as obrigações de proteção ambiental, já determinadas em lei, a diferença entre os sistemas de produção consiste na diferença entre as alternativas de estratégia de alimentação dos animais. Então, é possível conciliar metas de lucro e sustentabilidade?

As análises matemáticas de trabalhos em ambientes de produção demonstram que sim e o uso de técnicas matemáticas, de apoio à tomada de decisão, como as implementadas na BovExo, otimizam a produção de carne de baixa emissão de CO2 eq, com um atrativo retorno econômico. Esforços conjuntos dos setores produtivos, institutos de pesquisas e agências de fomento são imprescindíveis para que se possa identificar e implementar, nas diversas regiões do país, sistemas otimizados, ambientalmente e economicamente de produção de carne. E qual é a mágica?

O que não parece natural, mas é matematicamente comprovado é que investimentos em melhoria das pastagens, através de fertilização ou substituição por pastagens mais produtivas, e a suplementação estratégica da dieta resultam em uma plena exploração do potencial de ganho de peso do animal. A melhor relação PB/kg MS do pasto corretamente manejado e a suplementação da dieta também permitem uma maior carga animal por hectare e um menor tempo de ciclo para atingir o ponto de venda/abate. Estes três fatores, conjuntamente, refletem-se em menores emissões8 e maior lucratividade, em comparação com sistemas menos intensivos, de menor investimento.

E como fica a questão da competitividade entre os produtores?

Nesse aspecto, o quadro é melhor ainda. A mesma produção pecuária atual poderia ser feita, sob este sistema de produção mais eficiente, em uma área 25% inferior à área atual, o que significa cerca de 40 milhões de hectares que poderiam ser liberados para um incremento da produção. Isso é de vital importância para o Brasil, dado sermos o único país do mundo com capacidade de atender o aumento futuro de consumo de carne bovina. A FAO estima que, em 2025, o mundo necessitará uma produção adicional de 9.9 milhões de tons, praticamente o montante produzido pelo Brasil na safra 2019-2020. E, mais ainda, esta menor emissão de gases-estufa deveria traduzir-se em créditos-carbono, aumento margem de lucro dos pecuaristas e redução dos preços de exportação, aumentando a competitividade da carne brasileira pelo aspecto da sustentabilidade (selo verde) e econômico (preço/margem). É uma janela de oportunidade de US$ 40 bilhões de receita adicional.

Então, vamos tomar a decisão de termos uma pecuária sustentável?

Quer entender de forma mais profunda todos os pontos que foram discutidos nesse artigo? Participe do 1º Encontro Nacional da Pecuária de Decisão, que será realizado de maneira híbrida em São Paulo (SP), no dia 03 de setembro, das 9h às 13h, presencialmente na Fazenda Churrascada e com transmissão ao vivo.

Mais do que um evento: uma imersão na pecuária inteligente e de resultados, o 1º ENPD trará conhecimento, visão estratégica de mercado, benchmarking e aprendizados para o pecuarista tomar decisões mais sustentáveis e até 10 vezes mais lucrativas.

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Autores: Clandio Favarini Ruviaro – Zootecnista, Dr. em Agronegócios (Pesquisador/professor da Universidade Federal da Grande Dourados – MS) e Carlos J. P. Gomes, MBA Administração (Co-fundador & CTO BovExo)

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