Entenda os impactos do estresse térmico em suínos

Entenda os impactos do estresse térmico em suínos

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Foto: Divulgação

Estresse por calor nas matrizes suínas pode ser decisivo em relação à produtividade e desempenho, alterando o comportamento e bem-estar.

O estresse térmico é algo preocupante na criação de suínos em ambiente tropical. Manter a temperatura ideal no galpão da maternidade é um desafio, pois a zona de conforto térmico das matrizes é de 18 a 20 °C (WILLIAMS et al., 2013) e dos leitões nos primeiros três dias de vidas de 30 a 32 °C e 28 a 30 °C até a saída da maternidade (ABCS, 2014). Mas o estresse por calor nas matrizes suínas durante a gestação também pode ser decisivo em relação à produtividade e desempenho, alterando o comportamento e bem-estar destes animais. Por isso é importante para os produtores compreender o comportamento e o impacto da alta temperatura nas porcas gestantes.

Os suínos adultos apresentam dificuldade em dissipar calor sob condições quentes. A temperatura ambiente acima de 25 °C e umidade relativa de 60% é o limite para matrizes suínas gestantes (MUNS et al., 2016, VILAS BOAS RIBEIRO et al., 2018). No final da gestação quando transferidas para a sala de maternidade com gaiolas, em condição de alta temperatura as porcas terão dificuldade para fazer a troca de calor com o ambiente e manter constante a temperatura interna do corpo, que, segundo Muns et al. (2016), é explicada pelo espaço restrito da gaiola maternidade que dificulta a perda de calor por condução. Em granjas que possuem piso resfriado na cela parideira ou galpão maternidade com resfriamento pad cooling os efeitos da temperatura ambiente elevada podem diminuir, devido a melhores condições para estes animais realizarem a troca de calor da forma sensível (condução, convecção e radiação), gastando o mínimo de energia possível para realizar a homeostase térmica.

No final da gestação e início da lactação as porcas sob estresse por calor alteram seu comportamento, ficando mais tempo deitadas na posição lateral (deitada com a maior parte do corpo em contato com o chão), enquanto em conforto térmico ficam deitadas na posição esternal (deitada com a maior parte ventral em contato com o chão) (MUNS et al., 2016). Pois na posição lateral o contato do corpo do animal com o chão é maior na tentativa de perder calor por condução.

Duas importantes estratégias das porcas no periparto para suportar a alta temperatura ambiente são: o aumento da frequência respiratória que aumenta a perda de calor evaporativo e o acréscimo da temperatura da superfície do úbere que aumenta o fluxo sanguíneo na pele que também aumenta a perda de calor. Mas neste período, as matrizes mantidas sob estresse por calor podem apresentar ainda um aumento na temperatura retal, o que indica que a regulação da temperatura corporal interna não foi eficiente (MUNS et al., 2016).

O ambiente quente durante alguns dias antes do parto no galpão maternidade tipo cela parideira pode desencadear partos prolongados, redução do consumo de ração uma semana após o parto (MUNS et al., 2016). O impacto negativo do estresse por calor no periparto não atinge apenas as matrizes, mas também a sua leitegada. Sob estresse por calor as matrizes suínas diminuem a ingestão de alimento para tentar manter constante a temperatura do corpo, com isto terá uma menor produção de leite e consequentemente leitões mais leves no desmame, podendo ter uma diferença de peso 0,561 kg quando comparado com animais oriundos de fêmeas em conforto térmico (VILAS BOAS RIBEIRO et al., 2018).

Portanto, a capacidade manter a temperatura corporal constate das matrizes suínas gestantes em alta temperatura ambiente é limitado, interferindo no bem-estar das porcas, comprometendo o desempenho dos leitões e consequentemente gerando perda econômica.

porcos
Foto Divulgação

Estratégias para melhorar o cenário

Para diminuir os efeitos prejudiciais do estresse por calor nas matrizes suínas algumas estratégias podem ser utilizadas como: orientação do galpão no sentido leste – oeste, resfriamento da sala maternidade e uso de piso resfriado na gaiola de maternidade. Outra maneira interessante para reduzir as consequências da alta temperatura é selecionar suínos para aumentar a tolerância ao calor, melhorando seu bem-estar e sua produtividade (BUNZ et al., 2018).

Estas medidas ajudarão também no desempenho dos leitões, mas algumas estratégias podem ser tomadas para manter o conforto térmico na fase inicial, como o uso de escamoteador, o piso aquecido na área dos leitões ou o uso de lâmpadas para aquece-los, dessa forma, contribuirá para o bem-estar e melhor desempenho da leitegada.

*AutoresAmanda Aparecida Brito, Bruno Humberto Rezende Carvalho, Carolina Moreira Araújo, Gabriel de Oliveira Rocha, Gustavo Pereira Viana, Muller Carrara Martins, Mara Regina Bueno de Mattos Nascimento.

Referências

ABCS – Associação Brasileira dos Criadores de Suínos. Produção de suínos teoria e prática. 1a ed. ABCS. Brasília, DF, p. 908, 2014.

BUNZ, A.; BUNTER, K. L.; MORRISON, R.; LUXFORD, B. G.; HERMESCH, S. Breeding for reduced seasonal infertility and reduced response to heat stress in sows and boars. Animal Genetics and Breeding Unit, Australia, p. 135-147, 2018.

HERPIN, P.; DAMON, M.; LE DIVIDICH, J. Development of thermoregulation and neonatal survival in pigs. Livestock Production Science, Hungary, v. 78, n. 1, p. 25-45, 2002.

MUNS, R.; MALMKVIST, J.; LARSEN, M. L. V.; SØRENSEN, D.; PEDERSEN, L. J. High environmental temperature around farrowing induced heat stress in crated sows. Journal of Animal Science, Champaign, v. 94, p. 377-384, 2016.

VILAS BOAS RIBEIRO, B. P.; LANFERDINI, E.; PALENCIA, J. Y. P.; LEMES, M. A. G.; TEIXEIRA DE ABREU, M. L.; DE SOUZA CANTARELLI, V.; FERREIRA, R. A. Heat negatively affects lactating swine: A meta-analysis. Journal of Thermal Biology, Oxford, v.74, p. 325–330, 2018.

WILLIAMS, A. M.; SAFRANSKI, T.J.; SPIERS, D. E.; EICHEN, P. A.; COATE, E. A.; LUCY, M. C. Effects of a controlled heat stress during late gestation, lactation, and after weaning on the thermoregulation, metabolism, and reproduction of primiparous sows. Journal of Animal Science, Champaign, v. 91, p. 2700 – 2714, 2013.

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