Fazendeiro é investigado após castrar gado do vizinho sem autorização em Goiás

Animais passaram para a propriedade ao lado após uma árvore danificar a cerca; cerca de 15 bovinos teriam sido submetidos ao procedimento na zona rural de Catalão

Um conflito entre propriedades rurais terminou na delegacia em Catalão, no sudeste de Goiás. Um fazendeiro passou a ser investigado depois que cerca de 15 bovinos pertencentes ao vizinho foram castrados sem autorização após entrarem acidentalmente em sua área.

A passagem do rebanho teria ocorrido depois que uma árvore caiu sobre a cerca que separava as duas propriedades, abrindo espaço para os animais atravessarem a divisa. Os bovinos eram da raça Nelore e, segundo uma apuração local, tinham aproximadamente dois anos.

Áudio revela preocupação com cruzamento do rebanho

A situação ganhou repercussão após a divulgação de um áudio atribuído ao investigado.

Na gravação, o fazendeiro afirma que havia investido cerca de R$ 30 mil na compra de touros reprodutores e que não queria permitir que os animais que entraram na propriedade cruzassem com suas vacas.

Ele também indicou que voltaria a tomar a mesma atitude caso bovinos do vizinho entrassem novamente na área.

O valor de R$ 30 mil mencionado no caso, portanto, não corresponde ao prejuízo provocado pela ocorrência. Trata-se do investimento em reprodutores citado pelo próprio investigado para justificar sua preocupação com o cruzamento dos animais.

Bovinos foram encontrados presos no curral

Segundo o proprietário do rebanho, ele percebeu o desaparecimento dos animais e iniciou as buscas após a queda da árvore.

Os bovinos foram localizados confinados no curral da propriedade vizinha. O dono afirma que, posteriormente, recebeu uma mensagem informando que os animais haviam sido castrados.

Um funcionário enviado ao local teria encontrado os bovinos apresentando sangramento. Imagens e áudios relacionados ao episódio foram entregues às autoridades.

O proprietário também relatou à TV Anhanguera que o procedimento teria ocorrido sem anestesia. Esse ponto deve ser tratado como relato da parte envolvida, já que as informações divulgadas até agora não apresentam um laudo veterinário independente confirmando como cada procedimento foi realizado.

Polícia apura possível maus-tratos

O delegado Vitor Magalhães explicou que o fazendeiro alegou que os animais estavam prejudicando seu pasto e seu rebanho e que o proprietário não teria ido buscá-los.

Segundo a autoridade policial, aproximadamente 15 a 16 cabeças teriam sido colocadas no curral e submetidas à castração sem autorização do dono.

A conduta foi enquadrada inicialmente como uma ocorrência de possíveis maus-tratos a animais, considerada de menor potencial ofensivo. O caso seguirá por meio de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).

Isso não significa que já exista condenação. As circunstâncias do episódio e eventual responsabilidade do investigado ainda serão analisadas pelas autoridades competentes.

Fazendeiro é investigado após castrar gado do vizinho sem autorização em Goiás
Foto: Reprodução / Zap Catalão

Castração é considerada um procedimento doloroso

A castração é uma prática utilizada na pecuária de corte para diferentes finalidades, incluindo controle reprodutivo, manejo e redução de determinados comportamentos.

Isso, entretanto, não elimina os cuidados necessários para reduzir dor e estresse.

As recomendações de bem-estar para bovinos de corte disponibilizadas pelo Ministério da Agricultura classificam a castração entre os procedimentos com potencial de provocar dor. As orientações indicam que produtores devem buscar assessoramento veterinário para definir método e momento adequados e considerar analgesia ou anestesia, especialmente em animais mais velhos.

A própria Organização Mundial de Saúde Animal estabelece como princípio que, quando um procedimento doloroso não puder ser evitado, a dor deve ser tratada na medida permitida pelos métodos disponíveis.

Número de animais apresenta pequena divergência

As informações disponíveis até o momento não são totalmente uniformes quanto ao número exato de animais.

Uma reportagem local publicada inicialmente menciona 14 bois, enquanto a apuração posterior com o delegado responsável aponta aproximadamente 15 a 16 cabeças confinadas e castradas.

Por isso, até que haja uma informação oficial definitiva, a descrição mais segura é “cerca de 15 bovinos”.

Os nomes dos proprietários envolvidos não foram divulgados.

ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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