De corpo alongado, pernas curtas e pelagem sem manchas, espécie silvestre pode circular por fazendas e sítios, despertando dúvidas entre moradores do campo
O gato-mourisco costuma chamar atenção quando atravessa uma estrada rural, surge próximo a uma lavoura ou é registrado por câmeras instaladas em propriedades. A aparência incomum pode levar moradores a imaginarem que estão diante de uma onça jovem, mas o animal pertence a uma espécie própria, de porte consideravelmente menor e características bem definidas.
Jaguarundi, gato-mourisco, gato-preto e gato-vermelho são denominações populares atribuídas ao Herpailurus yagouaroundi. A Mammal Diversity Database, mantida pela American Society of Mammalogists, reconhece atualmente esse nome científico para a espécie, embora documentos antigos ainda utilizem Puma yagouaroundi.
O animal pertence à família dos felinos, mas não é uma onça-pintada nem uma onça-parda. A primeira corresponde à espécie Panthera onca, enquanto a segunda é classificada como Puma concolor. A semelhança percebida em alguns avistamentos está relacionada principalmente ao formato corporal e à coloração uniforme.
Como identificar o gato-mourisco no campo
A espécie apresenta corpo comprido e estreito, cabeça pequena, orelhas arredondadas, pernas curtas e cauda extensa. A pelagem não possui pintas ou rosetas e pode variar do cinza-escuro e castanho ao vermelho-amarronzado.
Segundo o Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo, o animal pode atingir cerca de 80 centímetros de corpo e 50 centímetros de cauda. Um guia do ICMBio sobre felinos brasileiros informa peso geralmente situado entre 3 e 6 quilos, dimensão muito inferior à dos grandes predadores do país.
Um exemplar escuro observado rapidamente pode ser confundido com uma pequena onça-preta. Já os indivíduos avermelhados podem lembrar, à distância, filhotes de onça-parda. A ausência de manchas, o corpo baixo e a cauda fina são os sinais mais úteis para a diferenciação.
Por que esse felino aparece em propriedades rurais?
O gato-mourisco ocupa ambientes bastante diversos. Há registros em áreas da Amazônia, Cerrado, Caatinga, Pantanal, Mata Atlântica e Campos Sulinos, além de regiões abertas, bordas de florestas e proximidades de rios, lagos e banhados.
Essa capacidade de utilizar diferentes paisagens permite que o animal atravesse pastagens, plantações, estradas vicinais e fragmentos de vegetação presentes em fazendas. Em muitos casos, o felino está apenas se deslocando entre áreas de abrigo ou procurando alimento, sem permanecer próximo às instalações da propriedade.
Os encontros também são favorecidos pelo padrão de atividade da espécie. Embora possa circular durante a noite, o jaguarundi é frequentemente observado durante o dia, período em que trabalhadores rurais estão nas lavouras, currais e estradas internas.
O gato-mourisco pode atacar galinhas?

A alimentação é formada por pequenos vertebrados encontrados no ambiente, incluindo roedores, aves, lagartos e outras presas compatíveis com seu porte. A proximidade de galinheiros mal protegidos pode criar uma oportunidade para que aves domésticas também sejam capturadas.
Isso não significa que todo desaparecimento de galinhas seja provocado pelo jaguarundi. Cachorros, gatos domésticos, gambás, iraras, quatis, raposas e outros predadores podem deixar sinais semelhantes. Antes de atribuir o prejuízo a uma espécie, o produtor deve procurar pegadas, pontos de entrada e, quando possível, imagens de câmeras de monitoramento.
A identificação correta evita perseguições desnecessárias e ajuda a escolher uma solução realmente eficiente para o problema.
Como proteger as aves sem prejudicar a fauna
O fechamento adequado do galinheiro é a medida mais segura contra predadores silvestres e domésticos. A estrutura deve possuir tela resistente nas laterais e na parte superior, além de portas sem frestas e proteção junto ao solo.
Também é recomendado:
- recolher as aves antes do anoitecer;
- corrigir buracos e telas danificadas;
- manter pintinhos em compartimentos reforçados;
- afastar pilhas de madeira e objetos usados como apoio;
- evitar restos de ração espalhados;
- instalar câmeras nos locais onde ocorreram perdas.
Alimentos armazenados de forma inadequada podem aumentar a presença de ratos e, consequentemente, atrair animais que se alimentam desses roedores. Portanto, a organização do entorno também integra a prevenção.
O que fazer ao encontrar um gato-mourisco
O animal não deve ser perseguido, cercado ou manipulado. A conduta indicada é manter distância, recolher cães e outros animais domésticos e deixar uma rota livre para que o felino retorne à vegetação.
Também não se deve oferecer comida. A alimentação artificial interfere no comportamento natural da fauna e pode estimular aproximações frequentes de residências e instalações rurais.
Quando o exemplar estiver ferido, preso em alguma estrutura ou impossibilitado de fugir, o responsável pela propriedade deve procurar a Polícia Militar Ambiental, o Corpo de Bombeiros ou o órgão ambiental da região. Os Centros de Triagem de Animais Silvestres recebem animais resgatados e realizam a avaliação necessária para tratamento, reabilitação e possível soltura.
Gato-mourisco é considerado vulnerável no Brasil
A mais recente relação nacional aprovada pela Comissão Nacional da Biodiversidade, publicada em 2025, mantém o Herpailurus yagouaroundi na categoria Vulnerável no Brasil.
A perda e a fragmentação de ambientes naturais reduzem as áreas disponíveis para abrigo, reprodução e deslocamento. Atropelamentos e perseguições motivadas por conflitos com criações domésticas também representam riscos para a espécie.
Nas propriedades rurais, a manutenção de matas ciliares, reservas legais e corredores de vegetação favorece a circulação da fauna longe de galinheiros e residências. Dessa forma, produção agropecuária e conservação podem coexistir com menos ocorrências de conflito.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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