Quem é Broinha FIV Cabo Verde, a matriz Gir Leiteiro mais valorizada do mundo, avaliada em quase R$ 8 milhões

Filha de C.A. Sansão e da consagrada Jiba FIV de Brasília, Broinha reúne produção, pedigree e capacidade de transmissão genética; aos 11 anos, matriz alcançou valorização de R$ 7,95 milhões, consagrando-se matriz Gir Leiteiro mais valorizada do mundo

Uma vaca avaliada em praticamente R$ 8 milhões. O número impressiona por si só, mas a história por trás de Broinha FIV Cabo Verde ajuda a explicar por que uma matriz Gir Leiteiro pode alcançar um patamar normalmente associado a grandes propriedades, máquinas agrícolas ou animais de elite de mercados internacionais.

Aos 11 anos, Broinha voltou ao centro das atenções da pecuária brasileira ao atingir valorização de R$ 7,95 milhões durante o 14º Mutum Weekend, realizado em Alexânia (GO). Apenas 20% de sua propriedade foram negociados, movimentando R$ 1,59 milhão e projetando a avaliação milionária para 100% da matriz.

Mas seria um erro explicar o valor de Broinha apenas pelo resultado de um leilão. A trajetória que sustenta essa cifra começou muito antes de ela entrar na pista.

Quem é Broinha FIV Cabo Verde?

Nascida em 29 de maio de 2015, Broinha FIV Cabo Verde possui registro JCVL2023 e carrega uma combinação de algumas das linhagens mais conhecidas da seleção do Gir Leiteiro brasileiro.

Ela é filha de C.A. Sansão com Jiba FIV de Brasília. Em seu pedigree aparecem ainda nomes como C.A. Everest, Jaguar TE do Gavião e Enamorada TE Brasília.

E é justamente pelo lado materno que aparece uma das histórias mais interessantes.

Jiba FIV de Brasília acumulou produção de 13.177 kg de leite e aparece em materiais do setor como uma das matrizes de destaque da raça. Broinha não apenas herdou essa base genética como construiu seus próprios números.

Broinha já era recordista muito antes dos R$ 7,95 milhões

O recorde financeiro é recente, mas Broinha já carregava a palavra “recordista” em seu currículo.

Em concurso leiteiro realizado em Paracatu, em 2018, Broinha atingiu média de 64,84 kg de leite, resultado registrado em materiais técnicos e comerciais da genética Gir Leiteiro como recorde na categoria vaca jovem.

Sua lactação registrada posteriormente chegou a 12.369 kg de leite. O catálogo comercial da própria matriz também registra o genótipo A2A2 e, à época daquele catálogo, GPTA Leite de 1.139 kg.

Ou seja: a valorização não surgiu apenas de expectativa comercial. Broinha construiu uma trajetória baseada em produção própria, pedigree e capacidade de multiplicação genética.

O patrimônio de Broinha já está nos filhos

Talvez essa seja a parte mais importante para entender por que uma matriz pode chegar a milhões.

Broinha não representa somente aquilo que produziu. Seu valor está também naquilo que consegue transmitir.

A Semex, por exemplo, mantém em seu portfólio Autêntico FIV F. Mutum, filho de Broinha com Edank TE Jabaquara. O reprodutor aparece no PNMGL 2026 com IPGL de 1.719, enquanto a central destaca a consistência da família e a presença de matrizes de elevado valor genético em seu pedigree.

Outro exemplo é Galates FIV Agrogir, apresentado comercialmente como filho de Broinha e animal em teste de progênie. A influência da matriz também já aparece na geração seguinte: a Fazenda Calciolândia registra Brauna FIV CAL, nascida em abril de 2026, como filha de Galates e, portanto, neta de Broinha.

É aí que a conta começa a fazer sentido.

Uma matriz desse nível não vale apenas pelo leite que produz. Ela funciona como uma verdadeira plataforma de multiplicação genética, capaz de gerar embriões, prenhezes, fêmeas de reposição e futuros touros para programas de melhoramento.

De recordista de leite a matriz de R$ 7,95 milhões

A trajetória de Broinha reúne justamente os elementos que o mercado de genética procura concentrar em poucos animais: família consolidada, desempenho próprio e descendentes com potencial de continuar multiplicando essas características.

Por isso, os quase R$ 8 milhões não devem ser interpretados como o preço de uma vaca leiteira convencional.

Durante o 14º Mutum Weekend, 20% da matriz foram negociados por R$ 1,59 milhão, levando a uma valorização proporcional de R$ 7,95 milhões. Fazenda Mutum, Fazenda São Francisco, Fazenda Terra Mata, Fazenda Grumarim e Fazenda Una estão envolvidas na propriedade do animal.

O mercado, portanto, não está pagando somente por Broinha. Está atribuindo valor ao que sua genética ainda poderá produzir.

Uma brasileira no topo da genética Gir Leiteiro

O resultado também evidencia a dimensão alcançada pela seleção brasileira do Gir Leiteiro. Uma raça de origem indiana encontrou no Brasil um dos principais ambientes de seleção direcionada à produção de leite em condições tropicais.

E Broinha FIV Cabo Verde tornou-se uma expressão desse trabalho.

Recordista de produção quando jovem, dona de uma lactação superior a 12 mil kg, filha de uma família consagrada e mãe de animais incorporados aos programas de genética, Broinha chegou aos 11 anos avaliada em R$ 7,95 milhões.

O recorde financeiro conquistado em 2026, portanto, pode ser a manchete mais recente de sua trajetória. Mas está longe de ser o único número que explica por que Broinha se tornou uma das matrizes mais valiosas da história do Gir Leiteiro.

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