Gestão da Pecuária Leiteira: Quais os Pilares de Sustentação?

Gestão da Pecuária Leiteira: Quais os Pilares de Sustentação?

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Foto: Divulgação

Muito se ouve falar entre os técnicos, professores e profissionais da área sobre a importância da GESTÃO

Mas, uma pergunta para podermos iniciar o assunto é: “Qual o significado de Gestão?”. Bom, para podermos responder essa questão, vamos definir essa palavra conforme o dicionário: “ato ou efeito de gerir; administração, gerência”. Quando colocado assim, parece ser simples.

Mas, será que o ato de gerir algo é apenas ter um gerente, ter alguém que anote tudo que acontece na fazenda, que possui uma formação técnica ou um software pago e tudo estará resolvido? Se alguma dessas opções fossem a solução, não teríamos tantas propriedades em declínio.

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Tabela 1 – Situação das propriedades rurais brasileiras em relação ao recebimento de Assistência Técnica e Extensão Rural / Foto: Thiago Pereira

A Tabela 1, demonstra o quanto a assistência técnica é precária no Brasil, além disso, qual é a qualidade da assistência que chega a menos de 10% das propriedades avaliadas?

É muito comum sempre que um produtor recebe a visita de um técnico ele perguntar “se a propriedade realiza um controle zootécnico”, certo? Errado, o número de técnicos que tem essa preocupação é pequeno, e vamos entender os motivos. A maior parte dos técnicos ainda não sabem realizar o cálculo desses índices ou até mesmo o significado da importância de cada um, ou seja, muito se tem visto um grande número de anotações/dados, conforme Figura 1, que não possuem interpretação e muito menos uma tomada de atitude para mudança do cenário atual. Mas vamos discutir isso no próximo artigo.

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Figura 1 – Controle Leiteiro / Foto: Thiago Pereira

Precisamos antes de tudo entender como funciona uma empresa rural, ou seja, vamos deixar de lado os termos “pequena propriedade”, “roça” ou “fazenda” e vamos tratar com o termo empresa rural, já que ela está inserida no Agronegócio. E como qualquer empresa, ela é sustentada por alguns pilares. Essa empresa, depende de vários fatores para que sua rotina esteja sempre funcionando, seja ela para produção de 100 ou 50.000 litros/dia.

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Definimos os pilares da empresa rural conforme a Figura 2. Esses pilares são a base de qualquer produção leiteira, sendo o tamanho de cada um determinado pelo nível tecnológico e produtivo da empresa rural. Os pilares quando analisados de forma detalhada, permitirão um diagnóstico dos processos envolvidos e, dessa forma, nos ajudar a encontrar o processo que se encontra com o problema.

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Fonte: Thiago Pereira

Um conjunto de perguntas são utilizados para criar dados suficientes para poder realizar este diagnóstico e posteriormente determinar um planejamento para atuação nos processos produtivos da empresa. Quer saber quais são essas perguntas, e como esses pilares se dividem? Não deixe de ler o próximo artigo. Por enquanto, iremos abordar o primeiro pilar, o da Nutrição.

Nutrição animal

Quando falamos de nutrição dentro da atividade produtora de leite, estamos discutindo o pilar de maior custo dentro da empresa. Sendo este número capaz de representar em média 50% do custo da atividade. Mas, vamos iniciar esse assunto dividindo a nutrição em algumas áreas:

Volumoso

É fundamental que se tenha definido o planejamento de volumoso e que este seja sempre atualizado, já que possuímos uma sazonalidade em nosso país. Quando ocorre a colheita é necessário que tenhamos um bom aproveitamento, ou seja, reduzir as perdas. Verificar a regulagem das maquinas ou treinamento de mão de obra para realização dos tratos culturais, pois sabemos que são fundamentais o controle de pragas e o fornecimento de adubos que permita a forrageira expressar todo seu potencial. E por último, porém de grande importância é o local de armazenamento deste volumoso, quando for o caso.

Grãos

Existe hoje uma crescente aquisição do grão para a produção da ração dentro da propriedade, porém o maior erro ainda é a falta de planejamento estratégico para a compra desses grãos no momento de menor custo no mercado. Além disso, o cuidado no seu armazenamento é fundamental para se manter a qualidade deste produto. Sabemos que as toxinas são prejudiciais para os animais, e a melhor forma de controlar isso é a inspeção dos produtos no momento da chegada, controle de pragas e avaliação do produto.

Produção

A um grande descuido por parte da equipe de produção, até mesmo dentro das industrias, quanto ao padrão da granulometria na moagem desses grãos e sua adequação para as categorias a serem fornecidas. Além disso, devemos ficar atentos para fazermos uma mistura homogênea dos itens da dieta, principalmente quando utilizamos ureia. Um outro ponto é utilização de planilhas próximo ao local de produção com as formulações a serem produzidas.

Dieta total

A primeira preocupação é se definir uma rotina para o ajuste das dietas, ou seja, o balanceamento da dieta. Avaliação periódica da qualidade dessa dieta fornecida no cocho. Utilizar uma planilha para o controle diário do consumo, escore de cocho. A preocupação da regulagem dos equipamentos utilizados para distribuição dessa dieta, quando for o caso. A limpeza dos cochos é fundamental, já que alimento velho significa alimento em decomposição, e com isso estamos sujeitos a toxinas. E por último, e realmente esquecido pela maioria é a qualidade e quantidade de água fornecida a esses animais.

Questionamentos essenciais

Deixo então algumas perguntas, e me coloco a disposição para responder: Será que existe aquele “pó mágico” que muitos compram por aí? Será que aquela dieta ou “receita de bolo” que muitos acreditam ser a solução existe? A dieta que utilizo hoje, realmente é a melhor para a situação atual do manejo utilizado hoje na minha fazenda? Acho que é momento de avaliarmos.

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Figura 3 – Produção estratégica de volumoso / Foto: Thiago Pereira
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Figura 4 – Dieta total, mistura inadequada dos ingredientes. / Foto: Thiago Pereira

Enfim, todos esses pilares funcionam como discos de uma engrenagem, ou seja, sempre que um deles se encontra fora do ajuste, essa engrenagem terá problemas para poder funcionar corretamente, o que irá gerar um maior custo e consequentemente um menor lucro. Sendo assim, é importante salientar que uma propriedade deve sempre estar atento aos problemas que surgem em cada processo produtivo para que possa atuar na causa fundamental com foco na geração de resultados financeiros mais altos.

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Figura 5 – Fornecimento da Dieta Total em cocho após ordenha. / Foto: Thiago Pereira

Sabemos que o setor tem exigido uma mudança na forma de pensar, atuar e produzir do empresário rural, ou seja, é preciso aumentar a eficiência produtiva para se ter uma maior competitividade no mercado do Agronegócio. Pensando nisso, estamos publicando o primeiro de uma serie de 4 artigos sobre o tema Gestão da Empresa Rural, queremos a sua participação para podermos juntos fazermos de você um empresário rural. Quer saber mais, não perca tempo e realize o seu cadastro gratuito.

Me coloco a disposição para qualquer pergunta ou auxilio na gestão da sua empresa de forma gratuita.

Gestão da Pecuária Leiteira: Pilares de Sustentação – Parte 2

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Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa

MBA em Gestão de Projetos pela UNIUBE, idealizador do projeto Tecnologia para o Agronegócio. Possui base técnica e experiência de campo em propriedades de corte e leite. Atua com foco no atendimento ao cliente, qualidade dos serviços prestados e no alcance de metas e melhores resultados para a sua empresa.
(35) 99894-0080
thiagorp100@gmail.com

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