Grupo espanhol da suinocultura anuncia investimento de US$ 300 milhões, mira produção de 1 milhão de suínos por ano e reforça a ascensão do Paraguai como nova potência exportadora de carne suína.
O Paraguai acaba de receber um dos maiores votos de confiança internacionais já registrados em sua cadeia de proteína animal. O anúncio de um investimento de US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,65 bilhão) por parte do grupo espanhol Costa Food Group representa não apenas um novo ciclo de expansão para a suinocultura paraguaia, mas também um movimento estratégico que pode alterar a dinâmica competitiva do mercado global de carne suína nos próximos anos.
A chegada do conglomerado europeu ocorre em um momento em que o Paraguai vem acumulando avanços expressivos em produção, exportação e atração de investimentos. O país sul-americano passou a chamar a atenção de grandes grupos internacionais graças à combinação de custos competitivos, energia barata, estabilidade econômica e políticas voltadas ao setor exportador.
Aposta bilionária na produção de suínos
O investimento será realizado por meio da aquisição de participação majoritária na Granja San Bernardo, localizada no departamento de Alto Paraná, considerada uma das operações mais produtivas da suinocultura paraguaia. A transação será conduzida em parceria com o empresário local Hugo Schaffrath.
O plano de expansão prevê um salto significativo na capacidade produtiva, com meta de alcançar aproximadamente 40 mil matrizes suínas. Além disso, a produção será integrada a uma moderna planta frigorífica que está sendo construída em Naranjal, no sul do país.
Segundo o projeto divulgado, a expectativa é atingir uma produção próxima de 1 milhão de suínos por ano, direcionando grande parte do volume para mercados asiáticos que apresentam crescimento acelerado no consumo de proteína animal, especialmente Taiwan e Filipinas.
Quem é o Costa Food Group, gigante europeia da suinocultura?
Fundado em 1966, o Costa Food Group está entre os maiores conglomerados alimentares da Europa. A empresa possui presença comercial em 107 países e figura entre os principais produtores mundiais de jamón ibérico, um dos produtos mais valorizados da indústria espanhola de carnes.
O grupo trabalha com um modelo de integração vertical completa, controlando etapas que vão desde a genética animal até o processamento industrial e a comercialização. Atualmente, cerca de 80% da produção da companhia é destinada ao mercado externo, característica que reforça a vocação exportadora do novo empreendimento no Paraguai.
Por que o Paraguai está atraindo gigantes globais?
A escolha do Paraguai não aconteceu por acaso.
Nos últimos anos, o país construiu um ambiente considerado altamente favorável para investimentos agroindustriais. Entre os fatores apontados pelo grupo espanhol estão:
- Estabilidade macroeconômica;
- Energia elétrica de baixo custo;
- Disponibilidade de grãos para alimentação animal;
- Carga tributária competitiva;
- Ambiente regulatório favorável;
- Incentivos à exportação.
Na prática, o Paraguai tem seguido uma estratégia semelhante à adotada décadas atrás por países que hoje ocupam posições relevantes no comércio mundial de proteínas.
Exportações da suinocultura crescem em ritmo acelerado
O investimento também acompanha um momento de forte expansão da suinocultura paraguaia.
Dados citados pelo setor mostram que, em setembro de 2025, as exportações de carne suína do país superaram US$ 40 milhões, representando um crescimento de 75% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para o presidente da Associação Paraguaia de Produtores de Suínos, Enzo Manarinni, o ambiente econômico e regulatório atual favorece a ampliação dos investimentos e reforça o potencial de crescimento da atividade.
O que isso significa para o Brasil?
Embora o Brasil continue sendo uma potência global na produção e exportação de carne suína, o avanço paraguaio merece atenção.
O país vizinho possui vantagens competitivas relevantes, especialmente em custos operacionais e logística para determinados mercados. Com a entrada de grandes grupos internacionais e novos frigoríficos em operação, o Paraguai tende a ampliar sua participação no comércio internacional de carne suína.
Por outro lado, o crescimento da produção regional também pode fortalecer a posição da América do Sul como fornecedora estratégica de proteína animal para a Ásia, ampliando a presença do continente em mercados que seguem aumentando o consumo de carnes.
Paraguai consolida nova fase do agronegócio
O aporte bilionário do Costa Food Group vai muito além da construção de granjas ou frigoríficos. O movimento simboliza a transformação do Paraguai em um dos destinos mais atrativos para investimentos agroindustriais da América Latina.
Se as metas anunciadas forem alcançadas, o país ganhará escala, competitividade e relevância internacional, reforçando sua posição no mercado global de carne suína e elevando o nível de concorrência entre os grandes exportadores da região.
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