Hiperqueratose: problema pode ser facilmente controlado

Na foto acima vemos uma lesão na parte inferior do teto avaliada como hiperqueratose, perguntamos à uma zootenista que trabalha na area de gado de leite que nos respondeu prontamente.

O que houve com os tetos da foto foi um crescimento anormal da pele que forma o canal do teto e a extremidade do teto da vaca, é o que cientificamente chamamos de hiperqueratose ou queratinização. Popularmente esse problema é conhecido como flor, calo, calosidades e até mesmo por prolapso de esfincter, o que é uma denominação errada pois não ocorre o prolapso de esfincter e sim um crescimento em excesso de pele.

hiperqueratose ou queratinização da extremidade dos tetos das vacas
Foto: Thamara dos Santos Mendonça | Zootecnista

Esse problema é causado por um conjunto de ações erradas durante o processo de ordenha como a utilização da máquina de ordenha fora de seu adequado estado de funcionamento, assim como muita “brutalidade” por parte do ordenhador ao manusear os tetos do animal.

Esse tipo de lesão possivelmente não condena a vaca, porém a deixa susceptível a doenças oportunistas, com isso não há diminuição de produção direta, mas se pensarmos que esse quadro a deixa mais sensível a ocorrência de mastites e essa por si só causa significativa queda na produção.

hiperqueratose ou queratinização da extremidade dos tetos das vacas
Foto: Thamara dos Santos Mendonça | Zootecnista

Que revisões diárias/semanais ou mensais devem ser feitas nas ordenhadeiras para que esse tipo de lesão não ocorra?

A máquina de ordenha deve ser submetida a revisões periódicas de acordo com a indicação do fabricante. Isso pode variar de caso para caso de acordo com a marca da máquina e principalmente a horas de trabalho que essa máquina é submetida diariamente. Fora isso, deve-se realizar a avaliação visual do escore de tetos rotineiramente afim de se identificar a ocorrência do problema precocemente e tomar medidas corretivas o quanto antes.

Sobre a hiperqueratose ou queratinização

A hiperqueratose ou queratinização da extremidade dos tetos das vacas, também popularmente conhecida como formação de calo, flor, ou calosidades, nada mais é do que o resultado do aumento da pele que forma o canal do teto e o orifício externo do teto da vaca.

Ocorre como uma resposta fisiológica da vaca em decorrência de sucessivas agressões na região.

Como fatores causadores desse quadro podemos citar o uso inadequado dos equipamentos de ordenha, continuidade do processo de ordenha após o término do fluxo do leite, exercer força em excesso ao manipular os tetos e até mesmo bezerros muito vigorosos ao mamar podem causar quadros como esse.

A hiperqueratose não ocorre repentinamente, mas sim no longo prazo, podendo ser visível dentro de um período de 2 a 8 semanas após o início do problema.

A importância dessa lesão se da devido ao fato de que é exatamente na extremidade do teto onde se encontra a primeira barreira de desefa da vaca contra a entrada de microorganismos causadores de mastites, dessa forma, é fácil de entender a importância de manter-se a integridade da extremidade dos tetos e concluir que animais que se encontrem em situações como essa possuem maior probabilidde de serem acometidos pela mastite.

Uma maneira simples e confiável de se avaliar os diferentes níveis de severidade da hiperqueratose em um rebanho é através da avaliação visual do escore de tetos estabelecido pelo The Teat Club International.

É uma ferramenta de fácil utilização que auxilia muito no diagnóstico dessa enfermidade no rebanho.

Tabela Scores tetos vaca
Foto: Reprodução

A avaliação do escore dos tetos deve ser realizada imediatamente após o término do processo de ordenha e antes de ser aplicado o pós-dipping.

Geralmente é difícil definir com exatidão qual dos possíveis fatores está causando a hiperqueratose no rebanho, porém, rebanhos que apresentem mais de 20% dos animais com tetos de escore R e VR ou que apresentem mais de 10% dos animais com tetos de escore VR sugerem que uma nova revisão no equipamento de ordenha deve ser feita, assim como repensar o manejo a que os tetos estão sendo submetidos durante todo o processo de ordenha.

Para que tenhamos um número representativo da realidade do escore de tetos em um rebanho, recomenda-se que fazendas que possuam de 50 a 60 animais em ordenha avaliem os tetos de todos os animais. Em rebanhos maiores recomenda-se que de forma aleatória sejam avaliadas ao menos 20% do rebanho ou no mínimo 80 vacas, de forma que se escolha o que ofereça um número maior de animais.

Algumas medidas simples podem e devem ser dotadas para que se evite esse quadro:

  • Manter o equipamento de ordenha em adequado estado de funcionamento através de revisões periódicas de acordo com a indicação do fabricante;
  • utilização de produtos adequados para higienização do teto;
  • Evitar a sobre-ordenha retirando-se o conjunto de ordenha após o término do fluxo de leite;
  • Correto manejo dos tetos pelo ordenhador ao início processo de ordenha, permitindo que haja estimulação eficiente dos tetos e consequentemente melhor fluxo de leite.

A hiperqueratose da extremidade dos tetos das vacas não condena um animal ao fim de sua vida produtiva, mas faz com que esse animal necessite maior atenção para que não seja vítima de doenças oportunistas do quadro, como por exemplo, a mastite.

De maneira direta, o quadro em si não diminui a produção do animal, mas se pensarmos que ele pode facilitar quadros de mastite e que essa pode causar prejuízos a produção do animal, podemos dizer que de maneira indireta e hiperqueratose pode sim afetar a produção de uma vaca.

Por fim, é fácil concluir que ao adotarmos de forma rotineira o monitoramento do escore da condição dos tetos estamos adotando uma ferramenta que pode nos indicar de maneira precoce o funcionamento inadequado dos equipamentos de ordenha assim como possíveis problemas relacionados ao manejo dos tetos durante a ordenha.

Um diagnóstico precoce nos confere tempo hábil para tratar o problema antes que esse possa causar grandes perdas econômicas dentro de uma propriedade.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
LEIA TAMBÉM