JBS não vai indenizar pecuarista por Carne Fraca

JBS não vai indenizar pecuarista por Carne Fraca

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Foto Divulgação.

Alegação é de que Operação Carne Fraca, na qual a empresa estava envolvida, e a delação dos irmãos Batista derrubaram preço da carne; companhia diz não ter sido notificada.

O juiz Marcello do Amaral Perino, da 42ª Vara Cível de São Paulo, julgou improcedente uma ação movida por um pecuarista mineiro contra a JBS e os empresários Joesley e Wesley Batista, informa Fabio Leite na Crusoé.

A ação pedia indenização pelo prejuízo financeiro causado pela Operação Carne Fraca, em março de 2017.

A operação investigou irregularidades em empresas de proteína animal da JBS e do grupo BRF, e pela delação premiada feita pelos irmãos Batista na Lava Jato, que abalou o governo de Michel Temer depois de divulgada em uma operação realizada dois meses depois. 

Entenda o caso

Alegação é de que Operação Carne Fraca, na qual a empresa estava envolvida, e a delação dos irmãos Batista derrubaram preço da carne; companhia diz não ter sido notificada.

O pecuarista mineiro Gileno Alves Soares entrou na Justiça contra o Grupo JBS e os empresários Joesley e Wesley Batista pedindo indenização pelos danos financeiros provocados por conta da Operação Carne Fraca e da delação de Joesley Batista.

O processo foi encaminhado no final da tarde de quarta-feira ao juiz Marcello do Amaral Perino, da 42ª Vara Cível de São Paulo. A Operação Carne Fraca foi deflagrada em março deste ano pela Polícia Federal e envolveu mais de 30 empresas do setor frigorífico e fiscais do Ministério da Agricultura, que se beneficiaram do esquema que liberava a venda da carne imprópria para consumo.

De família de pecuaristas, Soares, de 55 anos, está na atividade há 25 anos, criando gado de corte em 1.200 hectares no interior de Minas Gerais. Em março deste ano, quando veio à público a Operação Carne Fraca, o pecuarista tinha 283 cabeças de gado que estavam prontas para o abate, com cerca de 18 arrobas. Com o tombo que houve no valor da arroba, de R$ 143,33 em março para R$ 124,5 em julho, segundo o indicador do boi gordo Esalq/BM&FBovespa, o pecuarista diz que perdeu dinheiro.

Com a venda desse rebanho, Soares esperava embolsar uma receita de R$ 730,1 mil. Mas com a queda no valor da arroba, a receita esperada caiu para R$ 634,2 mil e ele não vendeu o gado.

“Tive que buscar dois empréstimos bancários – um de R$ 122,3 mil e R$ 371,2 mil –, pagando juros de 10% ao ano para bancar as despesas”, conta o pecuarista.

O pecuarista explica também que a paralisação da venda afetou outras atividades da cadeia de produção da pecuária, além de incorrer em custos maiores de ter alimentar os animais por mais tempo.

“A interrupção das vendas (por conta do preço vil), provocou falta de recursos para aquisição do rebanho mais novo para cumprir o desiderato de uma fazenda de cria e recria. Não havendo vendas, não há faturamento e a aquisição forçosamente teve que ser financiada com empréstimos bancário, o que levou o produtor rural a contratar empréstimo e pagar juros bancários para aquisição que faria com recursos próprios”, aponta o advogado Nacir Sales, em documentos anexados ao processo.

A argumentação de Sales é que a queda de preço da arroba, a maior em 20 anos durante esse período, afetou a produção do pecuarista. Ele atribui essa queda às ações dos empresários Joesley e Wesley, controladores da JBS, destacando que “economias foram sangradas e empréstimos a juros astronômicos foram feitos”.

Soares diz que decidiu entrar com processo contra a JBS porque teve prejuízos. “Não quero salvar a pátria, estou tentando resolver o meu lado”, diz ele, enfatizando que outros produtores que se sentirem prejudicados deveriam tomar a mesma atitude.

Compre Rural com informações do Estadão e Antagonista.

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