Com a melhor relação de troca entre arroba do boi gordo e milho dos últimos dez anos, suplementação de vacas e bezerros pode aumentar o peso à desmama e a rentabilidade do criador
A pecuária brasileira vive um momento de oportunidades. Com a arroba do boi gordo valorizada, o milho relativamente barato e os preços da reposição em alta, o criador tem uma excelente oportunidade para investir em nutrição e produzir bezerros e bezerras mais pesados e valorizados.
Segundo levantamento divulgado pelo Farmnews, no dia 16 de outubro, uma arroba de boi gordo comprava 5,87 sacas de milho, a melhor relação de troca dos últimos dez anos. Para efeito de comparação, a média histórica da última década foi de 4,06 sacas por arroba. Ou seja, o poder de compra do pecuarista em relação ao milho estava aproximadamente 45% acima da média.
Na prática, estamos vivendo o melhor momento da última década para transformar milho em carne. E essa oportunidade não está restrita à recria e à engorda. O criador também pode aproveitar essa relação favorável para investir na suplementação das matrizes e dos bezerros, aumentando o peso dos animais na desmama.
Cada quilo a mais pode representar muito dinheiro
Com o bezerro comercializado em algumas regiões a R$ 20 por quilo de peso vivo, a diferença de apenas 30 quilos na desmama representa R$ 600 adicionais de faturamento por cabeça.
Um bezerro desmamado com 210 quilos vale R$ 4.200. Se atingir 240 quilos, passa a valer R$ 4.800, considerando o mesmo preço por quilo.
Em um lote de 100 bezerros, são R$ 60 mil a mais de faturamento bruto. Para uma fazenda que comercializa 500 animais por ano, essa diferença pode representar R$ 300 mil adicionais em receita.
É claro que faturamento não significa lucro. O produtor precisa avaliar o investimento necessário para produzir esses quilos adicionais. Entretanto, com o milho em uma relação de troca historicamente favorável e a reposição valorizada, a suplementação merece atenção especial.
Suplementar a vaca, o bezerro ou os dois?
O criador pode adotar diferentes estratégias nutricionais. A suplementação das matrizes, quando necessária, contribui para a manutenção da condição corporal, a produção de leite e o desenvolvimento das crias, além de favorecer o desempenho reprodutivo do rebanho.
Outra alternativa é o creep-feeding, sistema que permite fornecer alimentação complementar diretamente aos bezerros durante a fase de aleitamento, buscando aumentar o ganho de peso até a desmama.
A escolha depende da qualidade das pastagens, da condição das matrizes e do custo da suplementação. O importante é fazer a conta: quanto custa produzir cada quilo adicional e quanto o mercado paga por ele?
Se o produtor investir R$ 300 por animal em suplementação e manejo e conseguir produzir 30 quilos adicionais, vendidos a R$ 20/kg, terá R$ 600 de receita extra e um resultado incremental de R$ 300 por cabeça, antes de outros custos. É um exemplo hipotético que demonstra o potencial econômico da estratégia.
Afinal, na pecuária, não basta vender bem. É preciso saber aproveitar as oportunidades para produzir mais e, principalmente, ganhar mais dinheiro.
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