Pecuarista teve “prejuízo” ou “deixou de ganhar”? Veja!

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Muitos pecuaristas andaram dizendo que “tiveram grande prejuízo” com a queda da arroba, mas será que o correto não seria “deixou de ganhar”? Entenda!

O pecuarista tem tentado driblar as situações adversas e as surpresas que o setor teve nos últimos meses. Dentro desse jogo o grande impacto da saída da China foi sentido nos preços da arroba que, em algumas praças, teve um recuo de até R$ 50 a 60,00/@. Mas, afinal de contas, neste período de baixa nos preços da arroba trouxe prejuízo ou o pecuarista deixou de ganhar?

Para responder a essa questão, é preciso colocar na mesa as cartas e fatores que, direta ou indiretamente, impactam nesse planejamento. Outro ponto importante que precisamos considerar antes de criticar ou concordar com o que será discutido é a forma como os negócios são conduzidos dentro da porteira, ou seja, o planejamento estratégico da propriedade.

Preços da arroba ao longo de 2021

Tomando como base o Indicador do Cepea, os preços da arroba tiveram uma média de R$ 307,56/@ no período de janeiro até junho, ou seja, valor que está acima da média do ano anterior. Quando avaliamos o gráfico abaixo, onde são demonstrados os valores médios – considerando a média mensal – ao longo do ano de 2021, é possível ver que o mercado precificou, ao longo deste ano, uma arroba média de R$ 303,75/@.

Vamos voltar no tempo, ainda em meados de julho, antes mesmo dos rumores da vaca louca atingir o mercado. Nesta data, poucos se lembram dos preços da arroba no mercado futuro, para aqueles que buscam segurança e gostam de “evitar o prejuízo”, se lembram de que os valores para o Mercado Futuro/B3, atingiram valores de até R$ 350,00/@.

Entretanto, neste mesmo momento, muitos pecuaristas “deixaram de ganhar”, se focando muito mais nos rumores e na tentativa de “acertar o olho da mosca voando”, apostando em um mercado de arroba acima de R$ 350,00 para o mesmo período.

Infelizmente, temos que concordar que era um baita cenário que vinha se desenhando para a pecuária brasileira, que o mercado físico estava precificado ao recorde do ano de R$ 318,00/@. Porém, como todo bom gestor, sabemos que tudo aquilo que “decola muito alto tem uma grande probabilidade de queda acentuada”.

Elaborado pelo Compre Rural com dados do Cepea.

Diante disso, vamos ao ponto chave que trouxe o questionamento do título deste conteúdo que, com certeza, ajudará muitos pecuaristas em uma breve reflexão e aprendizado para o futuro da atividade. Muitos pecuaristas andaram dizendo que “tiveram grande prejuízo” com a queda da arroba, mas será que o correto não seria “deixou de ganhar”? Entenda!

Só com o que foi exposto acima, muitos já estão entendendo a diferença entre se ter prejuízo e deixar de ganhar. Pois bem, escutei a alguns dias uma discussão onde um pecuarista “estressado” dizia que havia tido um grande prejuízo com a queda do preço da arroba – na casa de R$ 1,5 milhão – já que seus lotes eram para ter sido vendidos a R$ 310,00/@ e o mercado, na venda, havia recuado para R$ 260,00.

Com uma grande tranquilidade, o consultor colocou ao pecuarista alguns cenários – anterior, atual e trava na bolsa – mostrando quais eram as oportunidades que ele havia perdido e, claro, quais ele estava executando no momento. O ponto inicial foi determinar o valor da arroba produzida, ou seja, quanto ele gastou em cada arroba. Após isso, foi determinado o valor de venda deste animal nos três cenários.

Apenas lembrando que, no caso do mercado futuro, foi acrescido o valor da trava, na época era de R$ 7 a 9,00/@, para travar uma arroba final de R$ 320,00. Sendo assim, chegou-se a conclusão que, em todos os cenários o pecuarista não havia tomado prejuízo – mesmo com o recuo da arroba sua margem era positiva –, mas sim, deixado de ganhar os seus R$ 1,5 milhão (ou até mais), se tivesse seguido a orientação de fazer a trava no mercado futuro.

Concluindo e deixando as reflexões

Sem muitas delongas e para deixar que a reflexão faça parte maior deste conteúdo, deixamos aberto os comentários para que os amigos e colegas pecuaristas possam discutir e mostrar o ponto de vista sobre o assunto. Veja que, antes de mais nada, foi descrito aqui uma situação real, onde a não utilização de ferramentas de gestão e mercado, acabaram impactando negativamente em uma margem de lucro que poderia ter sido ainda maior.

Espere, antes que eu me esqueça, me diga se você tem na ponta do lápis, o custo da sua arroba produzida – pasto, semiconfinamento ou confinamento – e se você realizou o seu planejamento estratégico.

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Zootecnista pela Universidade Federal de Viçosa MBA em Gestão de Projetos pela UNIUBE, idealizador do projeto Tecnologia para o Agronegócio. Possui base técnica e experiência de campo em propriedades de corte e leite. Sócio-Diretor do Compre Rural. (62) 996441746 thiagorp100@gmail.com