Planejamento forrageiro é estratégico para o inverno

Planejamento forrageiro é estratégico para o inverno

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Foto: Joseani Mesquita Antunes

Precisamos pensar na estratégia agora, é no inverno que o boi sanfona e que a vaca seca o leite, por isso o planejamento forrageiro é importante.

O mês de abril é estratégico para os bovinocultores, seja de leite ou de corte. É nesse período que devem ser implantadas as lavouras de pastagem de inverno, as quais irão garantir a alimentação volumosa para o outono, inverno e parte da primavera. Para isso, a Emater/RS-Ascar, em parceria com a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), orienta que os agricultores façam o planejamento forrageiro.

O longo período de estiagem que assola o Rio Grande do Sul prejudicou severamente as pastagens, assim como as áreas de milho e sorgo para produção de silagem. Somente na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Soledade estima-se uma redução de 40% na produção de leite, considerando o período da estiagem.

Além disso, o período de vazio forrageiro outonal iniciou com baixas reservas de alimento, considerando o residual de pastagens perenes, como o tifton e o campo nativo, além dos baixos estoques de silagem.

“Essa situação representa boa parte das propriedades com bovinocultura de leite, corte e ovinos”, observa o extensionista rural Agropecuário da Emater/RS-Ascar e responsável pela área de bovinocultura de leite na região administrativa de Soledade, Vivairo Zago.

Segundo o extensionista, algumas estratégias são sugeridas para evitar escassez de volumoso durante o período de inverno e reduzir o vazio forrageiro outonal. Entre elas está a antecipação do descarte de animais caso este esteja programado para ser feito durante o ano.

“Isso dá condições de manter o potencial produtivo dos animais que permanecem na propriedade”, explica. Outra orientação é investir na semeadura antecipada de espécies forrageiras de inverno, com tecnologia e manejo adequado (adubação, densidade de semeadura e material genético produtivo). “É importante ressaltar que o potencial produtivo das espécies de pastagem varia com a fertilidade do solo, regime de chuva, manejo do pastejo e potencial genético das espécies”, frisa.

Outro aspecto é destinar uma área para produção de alimentos conservados (feno, pré-secado e silagem), destacando-se a silagem de trigo duplo propósito e cevada. Quando a pastagem estiver pronta para pastejo, o manejo correto da carga animal é imprescindível para manter a capacidade produtiva da mesma.

O pastoreio rotacionado “aproveita” melhor a pastagem. As principais espécies de inverno são a aveia preta, azevém (pastagem e feno), aveia branca, trigo duplo propósito (DP), triticale e cevada (pastagem, pré-secado e silagem). No caso do trigo DP, há materiais próprios para silagem.

A área de pastagem na propriedade deve ser vista pelo produtor como uma lavoura de pasto. Por isso, o produtor deve estar atento ao uso de tecnologias que visem a alcançar a alta produtividade de volumoso, assim como uma lavoura de soja, milho e fumo e com alto potencial produtivo. “Portanto, o volume de pasto a ser produzido numa área está na mão do produtor e na sua capacidade de investir”, frisa Zago.

Para tanto, é importante que o produtor faça a análise de solo. A partir dela é possível identificar a necessidade de calagem, correção e fazer uma adubação adequada na implantação da área e, posteriormente, a adubação de manutenção e/ou cobertura. As opções de adubação podem ser química ou orgânica. Parte da adubação orgânica o agricultor dispõe na propriedade, que são os dejetos dos animais, e deve ser complementada com a adubação química.

O preparo do solo também é um aspecto importante para obtenção de boa produtividade de pastagens e/ou área de produção de volumoso. Entre as mais recomendadas para a pastagem está a descompactação do solo e a implantação em área limpa (dessecada ou preparo convencional).

Em áreas com pastagens perenes, pode-se fazer semeadura direta com grade destravada ou semeadora, e, em áreas não mecanizadas, a semeadura a lanço e em superfície pode ser uma opção, “mas, nesse caso deve-se semear com solo úmido e aumentar em 20 a 30% o volume de semente, preferindo os períodos antecedendo chuvas”, observa o extensionista.

A área destinada à produção de pastagem se baseia na demanda de volumoso em função do tamanho do rebanho. Portanto, é necessário estimar o quanto é preciso produzir. Uma das formas é prever uma área diária de 50 a 60m2 por animal (450kg de peso vivo) no sistema rotacionado de pastejo.

“Esta estimativa depende de muitos fatores, destacando a produtividade da pastagem, potencial produtivo da espécie, manejo da adubação e pastejo”, observa. Para a pastagem ser produtiva do ponto de vista de quantidade e qualidade, o agricultor deve fazer a ‘gestão’ na pastagem, observando o crescimento e administrando o ponto de entrada e saída dos animais na pastagem, se tiver sobras pode utilizar para feno.

O exemplo acima baseia-se no fato de que a quantidade de alimento ingerido por um animal é 10 a 12% de massa verde de seu peso vivo, mas há  variações, devido à qualidade do alimento, idade, categoria e estresse do animal. As necessidades qualitativas dos animais variam com a categoria. Vacas em lactação têm uma demanda nutricional mais complexa, como pastagem de qualidade com complemento mineral, proteico e energético (ração, mistura mineral e silagem de milho), em quantidades proporcionais ao volume de produção de leite. Por outro lado, nas vacas secas, até o segundo mês, as exigências nutricionais normalmente são supridas com um volumoso de qualidade e uma mistura mineral em quantidades ajustadas de acordo com a produção de leite.

Fonte: Emater

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