Por que o crisântemo domina o Dia de Finados e movimenta milhões no campo?

Tradição, características da planta e planejamento da produção ajudam a explicar por que a flor ganhou espaço no 2 de novembro, período que movimenta milhões no mercado de ornamentais

Nos dias que antecedem 2 de novembro, o crisântemo volta a ocupar espaço de destaque em floriculturas, feiras e pontos de venda próximos aos cemitérios. A ligação com o Dia de Finados atravessa gerações e também movimenta uma cadeia produtiva que precisa planejar meses antes a oferta destinada a uma das principais datas comerciais da floricultura.

Para 2026, uma projeção do Instituto Brasileiro de Floricultura (Ibraflor), divulgada pela CNN Brasil, indica crescimento de 5,2% nas vendas de flores e plantas ornamentais para Finados em relação ao ano anterior. Crisântemos, kalanchoes, antúrios, rosas, violetas e orquídeas estão entre os produtos mais procurados. Continue a leitura e acompanhe o Compre Rural, onde informação de qualidade ajuda a fortalecer quem vive e produz no campo.

Como o crisântemo ficou ligado ao Dia de Finados?

Parte dessa associação tem raízes europeias. Segundo registro institucional da cidade de Paris, após a Primeira Guerra Mundial, os crisântemos ganharam espaço na ornamentação de monumentos e sepulturas na França.

A floração da espécie coincide com o outono europeu e com o período das homenagens realizadas no início de novembro, o que ajudou a fortalecer essa relação cultural.

No Brasil, não foi localizada uma fonte primária que determine quando exatamente o crisântemo passou a ocupar posição de destaque no Finados. Os dados comerciais, porém, mostram que ele se consolidou como uma das flores mais tradicionais da data.

Crisântemo lidera vendas em diferentes mercados

Em alguns entrepostos paulistas, a preferência é evidente.

Em Bauru, o crisântemo representa cerca de 70% da participação indicada pela Ceagesp entre as flores mais comercializadas para Finados. Em Ribeirão Preto, responde por 50%. Já em Presidente Prudente, também aparece no topo da lista.

Isso não significa que seja líder em todo o País.

Na Ceagesp da capital paulista, por exemplo, as orquídeas ficaram à frente dos crisântemos nas últimas feiras anteriores ao Finados de 2025. O dado mostra que a preferência varia conforme região e perfil do consumidor.

Ceagesp prevê quase R$ 9 milhões em vendas

Nas três edições da Feira de Flores que antecedem o Finados de 2026, a Ceagesp estima a comercialização de aproximadamente 466 mil unidades de flores e plantas ornamentais, movimentando cerca de R$ 8,9 milhões.

Um ano antes, foram comercializadas aproximadamente 382 mil unidades, com faturamento próximo de R$ 7,43 milhões.

A projeção de 2026 representa crescimento próximo de 22% no número de unidades e de aproximadamente 20% no valor movimentado.

O comportamento acompanha o impacto que outras datas comemorativas exercem sobre o setor. O mercado também registra forte aumento de demanda durante o Dia das Mães, obrigando produtores e comerciantes a anteciparem o planejamento.

Produção precisa chegar ao ponto certo na semana do feriado

O desafio começa muito antes das bancas serem abastecidas.

Material técnico disponível na Embrapa mostra que o crisântemo responde ao fotoperíodo, ou seja, à quantidade de horas de luz recebida pela planta. O manejo dessa característica ajuda produtores a programarem o desenvolvimento e a floração.

Também existem cultivares com diferentes ciclos produtivos, desde variedades que podem completar determinadas fases em cerca de sete a nove semanas até materiais mais tardios.

Para quem produz comercialmente, isso permite ajustar o cultivo para que as flores atinjam o padrão adequado justamente nas principais janelas de venda.

É essa necessidade de sincronização que transforma Finados em uma operação planejada: produção, manejo, transporte e distribuição precisam convergir para poucos dias de demanda elevada.

Uma tradição que também movimenta o campo

O crisântemo não é oficialmente a “flor de Finados” no Brasil e também não lidera todos os mercados. Sua importância está na recorrência com que aparece entre os produtos mais procurados no período.

A combinação entre tradição cultural, características da planta e organização da produção ajuda a explicar por que a espécie continua fortemente associada ao 2 de novembro.

E os números deixam claro que essa tradição ultrapassa os cemitérios. Com quase 466 mil unidades previstas somente nas feiras da Ceagesp da capital, Finados também representa uma janela importante de renda para produtores, distribuidores e comerciantes de flores ornamentais.

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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira

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