Produção de 300.000 t/ano de fosfato, aguarda a justiça

PARTILHAR
(Photo by FADEL SENNA / AFP)

A Águia já investiu cerca de 80 milhões de reais, e para as obras estão previstos mais 30 milhões de reais, mas aguarda uma autorização judicial.

O agronegócio faz do Brasil um dos quatro países que mais consome fertilizantes no mundo. A importação chega a 80% do total do gasto anual, quadro agravado com o conflito entre Rússia e Ucrânia, dois dos exportadores de insumos para elaboração dos fertilizantes. Essa crise internacional gerou uma oportunidade local. A Águia Fertilizantes tem projeto para produção de fosfato natural no Rio Grande do Sul, e depende de decisão da Justiça para começar a operar o Projeto Fosfato Três Estradas.

A Águia Fertilizantes, que integra a Aguia Resources, afirmou nesta quarta-feira que aguarda uma autorização judicial que estaria próxima para encaminhar as atividades de projeto de mina e fábrica de fosfato no município gaúcho de Lavras do Sul. A Águia já investiu cerca de 80 milhões de reais, e para as obras estão previstos mais 30 milhões de reais, segundo a companhia.

Esse projeto prevê a instalação de mina a céu aberto e unidade de beneficiamento de fosfato no município de Lavras do Sul (RS). O empreendimento, com produção de até 300 mil toneladas/ano, poderia atender mais de 10% da demanda pela matéria-prima do fertilizante do Rio Grande do Sul, importante Estado produtor de grãos do Brasil. Infelizmente, a grande demora burocrática traz uma insegurança e deixa o país cada vez mais dependente das importações de um insumo fundamental para o agro.

A Águia já investiu cerca de 80 milhões de reais, e para as obras estão previstos mais 30 milhões de reais, segundo a companhia. De acordo com o CEO da Águia Fertilizantes, Fernando Tallarico, o processo para o julgamento do mérito de uma ação judicial que tentou barrar o projeto “está chegando em sua fase final”. 

Um pedido de liminar do Ministério Público Federal, que questionou o impacto do empreendimento para a região, não foi reconhecido e possibilitou a retomada do processo de licenciamento, disse a empresa.

Na expectativa da decisão judicial, a companhia aguarda em seguida a “obtenção da licença de instalação para que, em um período de oito a dez meses, a planta entre definitivamente em operação”, disse Tallarico. 

O executivo disse que no momento em que o Brasil lida com escassez e preços altos dos fertilizantes pelos desdobramentos da guerra na Ucrânia, o projeto pode ofertar fosfato com valores “competitivos”.

“A deficiência em fertilizantes já vem de longa data, razão pela qual o Brasil é o maior importador de fertilizantes do mundo. Mas os preços não estiveram constantemente em alta nos últimos 20 anos…”, disse ele, ponderando que a disparada recente se deu em função do conflito no Leste Europeu.

Mas ele também lembrou que o cenário futuro é favorável ao mercado de fertilizantes pela maior demanda por alimentos mundialmente. “Mais gente, mais alimentos, mais fertilizantes.”

A empresa ressaltou que o projeto, que prevê lavra na superfície, permitirá a aplicação do fertilizante diretamente no solo, e que o produto não é processado quimicamente como outros fosfatados, podendo ser certificado como um produto orgânico.

A fábrica em Lavras do Sul é o primeiro projeto da companhia, e o que está mais próximo de gerar fluxo de caixa para a empresa, que tem outros planos em fosfato e cobre também avançando na mesma região da Campanha do Rio Grande do Sul.

Além da Águia, outras produtoras de fertilizantes estão aproveitando o embalo do avanço dos preços no Brasil, como é o caso da Verde Agritech, que recentemente anunciou início de estudos para a construção de uma terceira planta de potássio em Minas Gerais.

Sobre a Águia

Aguia Resources Limited (Aguia) é uma empresa multicommodities listada na ASX (ASX:AGR) com projetos de pré-produção de fosfato e cobre localizados no Rio Grande do Sul, estado mais meridional do Brasil.

A Aguia tem uma equipe de gestão estabelecida e altamente experiente no país com sede em Porto Alegre (capital do Rio Grande do Sul) que tem um histórico comprovado de avanço de ativos de mineração brasileiros de alta qualidade em produção. O escritório corporativo da Aguia está localizado em Sydney, Austrália.

A Aguia está empenhada em fazer avançar os seus projetos existentes para a produção, ao mesmo tempo que continua a procurar outras oportunidades no setor.

Todo o conteúdo áudio visual do CompreRural está protegido pela legislação brasileira sobre direito autoral, sua reprodução é permitida desde que citado a fonte e com aviso prévio através do e-mail jornalismo@comprerural.com