Produção de leite a pasto: Genética, manejo e pastejo

Produção de leite a pasto: Genética, manejo e pastejo

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Produção intensiva de leite tem a cerca elétrica como principal referência. / Foto: Divulgação

A importância dessas técnicas, genética, manejo e pastejo, para a boa produção de leite a pasto são fundamentais para que seja alcançado boas produtividades!

Você sabe que a criação de bovinos exige uma série de cuidados, não é mesmo? Nesse contexto, você conhece as melhores práticas para fazer uma boa produção de leite a pasto? Entende quais são os fatores mais delicados? Como esse é um tema importante para muitos produtores, buscamos tirar as suas dúvidas ao longo deste conteúdo!

A seguir, mostraremos algumas estratégias para fazer com que esse sistema traga resultados positivos para a sua criação. Vamos lá?

Como funciona a produção de leite a pasto?

Nos últimos anos, o manejo de pastagens para produzir leite ganhou bastante popularidade entre quem trabalha com pecuária. Isso se deve ao fato de esse ser um método considerado como viável, deixando a produção barata. Na prática, isso permite competir com produtos originados de outros modos de explorar a terra.

De acordo com os dados, grande parte do rebanho leiteiro do Brasil é mantido em pastos. Independentemente de serem cultivados ou nativos, eles costumam ser a única fonte de nutrição para os animais.

Como mais da metade dos custos estão relacionados à alimentação no processo de produção do leite, é fundamental que os pastos sejam geridos de forma economicamente sustentável. Do contrário, os resultados produtivos podem ficar longe do esperado.

Segundo texto publicado por Sila Carneiro da Silva, que é professor do Departamento de Zootecnia da USP, não basta ter atenção à planta forrageira e aos animais. Também é preciso compreender “como o capim é transformado em leite quando se trabalha com animais no pasto”, explica.

Tomando isso como base, podemos listar alguns aspectos que influenciam muito na produção de leite a pasto:

  • quantidade de luz disponível;
  • temperatura;
  • nutrientes do solo;
  • água;
  • número de animais;
  • taxa de lotação;
  • tempo e intervalo de pastejo;
  • número de piquetes;
  • facilidade de digestão do animal;
  • potencial genético;
  • estado fisiológico.

Quais são as vantagens desse sistema?

Embora já tenham sido mencionados, os custos e investimentos necessários para produzir leite a pasto representam a grande vantagem de usar esse sistema em vez de outro. No Brasil, isso se torna evidente por conta do clima, que geralmente é favorável às forrageiras, do preço da mão de obra e das possibilidades de expansão horizontal.

Além disso, houve um significativo avanço em relação aos recursos tecnológicos necessários para prosseguir com a produção de modo intensivo. Diversos equipamentos passaram a ter um custo-benefício mais atrativo do que nas últimas décadas.

Quais cuidados ter com a produção de leite a pasto?

Lembre-se de que um bom produtor de leite é, antes de tudo, alguém que sabe manejar as pastagens, extraindo o que há de melhor da prática. O objetivo é que quase toda a forragem produzida seja consumida pelas vacas.

Há profissionais que oferecem um alto volume de pastagem, mas o aproveitamento do pastejo acaba sendo baixo em virtude do manejo aplicado. O ideal é respeitar os limites da vegetação, evitando trazer prejuízos para a nutrição dos animais e para a produtividade leiteira.

Agora que você já conhece o sistema e sabe como ele pode ser proveitoso para o seu negócio, é hora de ficar por dentro dos cuidados fundamentais. Por isso, separamos alguns tópicos que devem ser analisados antes de aplicar essa metodologia produtiva em sua propriedade!

Forrageiras

Tenha em mente que, se você fornecer forrageiras de qualidade, a quantidade de leite produzido será acima da média. Para avaliar a composição química delas, considere os seguintes itens:

  • proteína bruta;
  • matéria mineral;
  • fibras;
  • matéria seca.

O teor de matéria seca deve ser acompanhado de perto. Quando está baixo, tende a limitar o consumo do alimento. A proteína bruta, por sua vez, diminui com o aumento da idade da planta — menos de 12% de proteína bruta na base da matéria seca limita a produção, por exemplo. Em suma, a alimentação é feita apenas com pasto, cujo grau de volume e concentração pode variar.

Animais

O ritmo circadiano e as rotinas das vacas precisam ser respeitados, na medida do possível, mas vários pecuaristas não se atentam a esse fator. Isso é fundamental para entender o comportamento ingestivo de animais em lactação.

A partir dessa noção, há como fazer um manejo que não interfere nos hábitos do animal, ou seja, ele exercerá suas atividades diárias sem a necessidade de se adaptar ou mudar de costume.

Manejo

Como dissemos, há manejos que não demandam modificações no ritmo diário por parte dos animais. De certo modo, são eles que contribuem para a expressão de todo o potencial genético.

Em contrapartida, existem os que proporcionam limitações e prejudicam a produção e o lucro. Se as vacas não têm tempo suficiente para fazer o pastejo, por exemplo, algo está errado e deve ser alterado.

Além disso, as pastagens precisam contar com alta qualidade nutricional, o que é facilitado por algumas práticas, como correção, irrigação e adubação do solo. Desse modo, a escolha de forrageiras apropriadas é essencial. Ainda é preciso investir em cercas, roçagem, semeadura e afins, uma vez que esses recursos auxiliam em todas as etapas da produção.

Planejamento

O planejamento está bastante associado às instalações. Dependendo das estruturas usadas em sua fazenda, as tarefas diárias podem ser simplificadas, o que é bastante útil para manejar o rebanho, bem como para controlar a prevenir doenças como a febre aftosa.

Uma boa cerca é imprescindível para fazer uma divisão de pastagens adequadas. A infraestrutura também reflete no armazenamento de alimentos, algo determinante para a eficiência produtiva.

Quando comparado a outros sistemas, como o confinamento, a produção a pasto se destaca justamente pelo fato de não ser necessário investir tanto em estruturas. Em geral, vale a pena ter:

  • sala de ordenha;
  • sala de leite;
  • área para criar bezerros;
  • depósito para rações;
  • reservatório de água;
  • galpão para abrigar maquinários e equipamentos variados;
  • área para cultivo agrícola;
  • currais.

Enfim, a produção de leite a pasto é, sem dúvidas, uma excelente alternativa para diversos produtores. Mas, lembre-se de ficar atento aos detalhes para fazer com que seu negócio atinja boas rentabilidades!

Fonte: Belgo Arames

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