Brasil pode ser maior exportador mundial de leite

Brasil pode ser maior exportador mundial de leite

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bezerro mamando gostoso da vaca
Foto: Divulgação

Brasil tem potencial para ser futuro maior exportador mundial de leite e derivados; o leite é produzido em 99% das cidades brasileiras

A cadeia produtiva do leite hoje é uma das mais complexas atividades do Agronegócio Brasileiro, com importância social, econômica e ambiental. O País é o quarto maior produtor mundial, com crescimento de 2% ao ano, movimentando mais de 4 milhões de trabalhadores, seja nas indústrias ou no campo, com a produção primária.

No dia 1º de junho comemora-se o Dia Mundial do Leite, e é uma boa oportunidade para prestar atenção neste setor que tem passado do status de importador para o de exportador, com potencial para se tornar, em um futuro próximo, o primeiro do ranking mundial.

“A cadeia do leite no Brasil tem se profissionalizado, alcançado novos parâmetros de sanidade e qualidade, e conquistado competividade no mercado mundial. Muito se deve ao trabalho de médicos-veterinários e zootecnistas. Houve uma evolução na qualidade em pouquíssimo tempo, com o uso de novas tecnologias, aperfeiçoamento de raças, nutrição aprimorada, além de regras mais rígidas de inspeção e fiscalização”, afirma o presidente do Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP), Mário Eduardo Pulga.

A Sociedade Brasileira de Alimentação e Nutrição (SBAN) destaca que o leite e seus derivados constituem um grupo de alimentos de grande valor nutricional, como fontes de proteínas de alto valor biológico, vitaminas e minerais – principalmente de cálcio.

Embora o brasileiro esteja consumindo mais leite e derivados, o consumo per capita ainda está abaixo do recomendado (três porções de lácteos por dia). O brasileiro consome em média apenas 166 litros de leite por ano. Em 2020, entretanto, espera-se crescimento do consumo de produtos lácteos.

Além do próprio alimento, a cadeia é composta por mais de 90 produtos que têm o leite ou sua proteína na composição. E os cuidados na criação dos animais e a fiscalização sanitária da matéria-prima, das indústrias e dos pequenos produtores são fundamentais, principalmente para garantir a saúde da população, evitando-se a transmissão de zoonoses.

Potencial do setor

Só para se ter uma ideia da importância da cadeia produtiva, de acordo com o “Anuário do Leite 2019”, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o leite é produzido em 99% das cidades brasileiras, com 1,3 milhão de produtores e cerca de duas mil indústrias de laticínios legalizadas. Somente em 2018, segundo a Embrapa Gado de Leite, foram produzidos 33,8 milhões de litros, sendo 70% da produção total, cerca de 24,4 milhões de litros, inspecionada e comercializada pela indústria. Em 2019, estima-se que o setor tenha fechado com crescimento de 2,5%.

Com mercado interno com potencial de crescimento, as exportações brasileiras também se destacam com a abertura do mercado chinês e egípcio no último ano. Em 2019, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior, as exportações somaram 22,5 mil toneladas de produtos lácteos, aumento de 10,4% frente ao mesmo período de 2018. Isso se deve ao incremento nos embarques de leite fluído, manteiga e creme de leite. Já as importações tiveram volume 7,2% menor.

Para o médico-veterinário e também presidente da Comissão Técnica de Alimentos (CTA) do CRMV-SP, Ricardo Calil, por esta dimensão, a cadeia precisa receber uma atenção especial em todos os âmbitos, de forma a concretizar o potencial que o Brasil tem para ser um grande exportador do leite. “Precisamos incentivar os programas de cooperativismo e a pasteurização do leite para a sustentação dos pequenos produtores.”

No dia Mundial do Leite, temos que bater palmas e agradecer a todos os produtores, em especial os pequenos, que se esforçam, acordando cedo e trabalhando diariamente para garantir o leite e seus subprodutos na mesa do consumidor. Contem com os médicos-veterinários e zootecnistas sempre”, enfatiza o presidente do CRMV-SP.

Vantagens para a produção de A2A2

Disponível em países como Nova Zelândia, Austrália e Estados Unidos, o leite A2A2 está mais próximo de integrar a lista de produtos de origem animal do mercado brasileiro. No Instituto de Zootecnia (IZ), vinculado a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, pesquisas iniciadas em 2014 apontam para isso.

O trabalho de genética, a partir do cruzamento de animais e análises de DNA, resultou em um rebanho de 100 vacas portadoras do gene que leva os animais a produzirem o leite contendo a beta-caseina A2 que, de acordo com estudos, reduz riscos de problemas coronarianos, alergias e síndrome da intolerância ao leite.

Mesmo levando em consideração que no exterior as pesquisas sobre o leite A2A2 tenham sido iniciadas muito antes, em 2000, o Brasil se destaca pela característica majoritária de seu gado.

“A vantagem é que no País predomina no rebanho leiteiro as raças Gir e Girolando, cuja prevalência do gene é de 80%, enquanto em outros países predomina o holandês, que tem incidência de 50% do gene”, afirma o Dr. Enilson Geraldo Ribeiro, zootecnista pesquisador do IZ.

As exportações brasileiras de queijos cresceram 65% nos últimos três anos e, com a habilitação de 24 estabelecimentos para exportação para o mercado chinês, a expectativa é de o setor, segundo o Mapa, exporte US$ 4,5 milhões em queijos.

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