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Preço da arroba subindo, exportações para os chineses, falta de boi gordo; seriam esses os motivos para a falta de proteína vermelha no país?

O valor da arroba está batendo a casa dos R$ 235 e há espaço para mais, novo recorde histórico indicado pela Esalq/B3. No mês, o preço acumula alta de 34,04%, com a maior demanda da China, uma oferta restrita de animais prontos para abate e o mercado contando com avanço na demanda interna, à medida que consumidores receberão a primeira parcela do 13º neste mês, segundo especialistas.

A longa estiagem e os pastos mais precários começam a comprometer o mercado. Um comunicado feito por um supermercado da capital paraense e que circula nas redes sociais reflete essa questão.

Supermercado emite comunicado

“Estamos passando por um momento complicado com relação ao abastecimento de carne bovina. Os preços dispararam e o produto está em falta”, afirma o estabelecimento, que diz ter utilizado todo o gado de suas fazendas.

“Os frigoríficos alegam que a exportação do boi em pé e da carne ‘in natura’ para outros países faz o preço subir diariamente. Os preços estão altos, mas o problema não é só conosco, nem há esperança de voltar à normalidade a curto prazo, só restando a todos substituir a carne bovina por outro tipo de alimento”, sugere.

Interior de São Paulo

No interior de São Paulo, onde há várias plantas frigoríficas, há relatos de proprietários de açougues e supermercados, que na tentativa de se precaver da escassez, tentaram comprar carne na industria para fazer estoque para o final do ano, prevendo o alto consumo nas festas de finais de ano, mas que não obtiveram sucesso.

A fome chinesa para preencher o buraco deixado pela peste suína africana na criação de porcos já é sentida setorialmente nos índices de inflação no Brasil e ainda pressiona margens da maior parte dos frigoríficos do país.

A alta no preço da arroba já chegou ao consumidor final, que está encontrando preços mais altos nos açougues.

No monitoramento feito pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), as carnes bovinas subiram 4,2%, em média, na segunda quadrissemana de novembro (acumulado em 30 dias). Alguns cortes, como contrafilé, já tiveram alta de 5,86%.

O pecuarista está dividido entre comemorar o preço da arroba e reclamar dos altos valores pagos pela reposição, já falamos aqui da “era dos bezerros de ouro” e desmama batendo o preço de R$ 2 mil em leilão.

No caso do consumidor resta esperar para ver como os preços e demanda se comportarão nas próximas semanas. No mês de dezembro o consumo de carne bovina aumenta de 5% a 10%, a industria será capaz de suprir essa demanda? E os preços? Esperaremos os próximos capítulos.

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