Rei do gado, com 200 mil cab de gado, aposta na Amazônia

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Conheça a trajetória de Roque Quagliato, empreendedor que fundou o Grupo Rio Vermelho na década de 70 no município de Sapucaia, com mais de 200 mil cabeças de gado!

Desta vez, destaque para a história de quase meio século do Grupo Rio Vermelho, fundado por Roque Quagliato em Sapucaia-PA em 1973. Quando tinha 33 anos, o Rei do Gaod, deixou para trás a confortável vida de usineiro que levava em Ourinhos, no interior de São Paulo, para tentar a sorte como pecuarista no meio da selva amazônica.

O destino era Sapucaia, na região de Xinguara, a 600 quilômetros da capital do Pará, Belém. Era a década de 70, época que o governo militar incentivava a migração para a Amazônia. Ele subiu de barco pelo rio Araguaia e abriu picadas na mata para conhecer as terras que estavam à venda. Roque ficou conhecido na região como “rei do gado”, mas tornou-se também o rei da preservação da Amazônia. Ao mesmo tempo que assegura a sustentabilidade, a reserva serve como ferramenta de manejo da fazenda, conforme apresentou o pecuarista.

“Minha família queria ampliar os negócios com a pecuária”, diz ele. “Fui lá ver que oportunidade havia no Norte.”

O início

Inicialmente, Roque Quagliato lembrou de sua chegada ao estado do Pará em uma época em que ainda não havia nenhuma infraestrutura. Na ocasião, o regime militar havia lançado o programa “Integrar para não entregar” com o objetivo de consolidar a Amazônia no território nacional. “Não tinha cidades do interior, não tinha estrada. Esse sul do Pará, daqui até Belém, não tinha nada. As cidades eram todas ribeirinhas e muito poucas”, recordou.

Logo depois, o produtor estabeleceu a fazenda em Sapucaia com a promessa da criação da estrada para Belém, facilitando o escoamento de produtos. “Aí eu vim para cá e faz 48 anos que eu venho todo mês para cá, fico dez, 12, 15 dias. Então conseguimos fazer fechar a conta, criamos um gado de alta genética, cada vez melhorando mais”, disse em síntese o empreendedor.

“Mas o preço da terra no Pará era menos da metade do que em outros estados.” Hoje Roque Quagliato é conhecido entre seus pares como um desbravador e seu negócio é tido por eles como um exemplo. Ao longo de 30 anos, transformou aquelas terras no meio do nada no maior complexo de pecuária de corte do Brasil.

Roque e seus irmãos Fernando, Francisco e Luiz controlam o grupo Quagliato, cujo plantel soma mais de 200 000 cabeças. Cerca de 150 000 delas estão em oito fazendas no sul do Pará.

Manejo no curral do Rei do Gado

Sustentabilidade

Tanto quanto a infraestrutura da região evoluiu, as demandas por sustentabilidade na Amazônia também surgiram ao longo dos anos. “Hoje eu posso afirmar que o produtor rural, o empresário rural, principalmente aqui do Pará, está consciente que tem que preservar”, confirmou.

“Por exemplo, na Fazenda Rio Vermelho, que foi a primeira do grupo, tem até um capricho. Elas tem 13 retiros, é uma fazenda muito grande. E em cada retiro eu deixei uma faixa de mato de 500 metros de largura […] e elas se cruzam. Isso dá um controle sanitário, segura um fogo e, além disso, a fauna pode transitar de todo jeito na fazenda”, reforçou o pecuarista.

Conforme salientou o diretor de pecuária do Grupo Rio Vermelho, Luiz Roberto Hernandes, a propriedade destinou à preservação as áreas menos adequadas para produzir. “Aquelas áreas mais difíceis de trabalhar nós resolvemos deixar que fossem recuperadas naturalmente”, explicou. Atualmente, as faixas em recuperação já possuem árvores de até 18 anos de idade.

Preservação e Produção

Quagliato admite que naquela época não se falava em preservação ambiental, mas ressalta que desde que o tema passou a ser mais difundido, o grupo vem se adequando às exigências da legislação.

Roque Quagliato

“Lá no começo, confesso que não havia grande consciência de preservação, de várzea, de áreas de APP (Áreas de Preservação permanente), não havia, era outra consciência. Ninguém falava em preservar isso. Depois é que veio pra restaurar, recuperar, o que nós passamos a fazer. Hoje eu posso afirmar que o produtor rural, o empresário rural, principalmente aqui do Pará, ele está consciente que tem que preservar”.

Sendo assim, há quase duas décadas o Grupo Rio Vermelho vem permitindo que em alguns locais a vegetação nativa se recupere naturalmente, além de investir na recuperação das áreas de APP. Outra aliada para otimizar a área produtiva das fazendas é a Integração Lavoura Pecuária (ILP). Com a utilização da técnica não foi necessário diminuir o tamanho do rebanho para aumentar as áreas de preservação.

Roque Quagliato também dá outras dicas para melhorar a nutrição dos animais e reduzir as áreas de pastagens. “Você tem que dividir pasto, diminuir pasto, o [manejo] rotacionado ajuda muito. E logicamente não ter concorrente, não ter erva daninha, daí você usa os parceiros, tipo a Corteva, que tem nos ajudado”, orienta o pecuarista.

Outra prioridade para o grupo é o bem-estar dos colaboradores. “Outra coisa que eu gostaria de falar, que é muito importante, é a parte social, aquela obrigação social, compromisso social que você tem com os seus colaboradores. Então a gente procura atender com escola, saúde, em todas as fazendas nós mantemos o menor aprendiz […], então são coisas que a gente faz”, finaliza Roque Quagliato.

Além da entrevista exclusiva com o pecuarista, esta edição do Pasto Extraordinário também conversou com o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) e com o ex-ministro e relator do Código Florestal, Aldo Rebelo. A equipe do programa também esteve na sede da Esalq/USP para um bate-papo com o professor Dante Pazzanese Lanna sobre a contribuição da ciência e da tecnologia para a evolução da pecuária.

“É muito importante dizer que a preservação veio fazer com que a gente aprendesse a produzir de uma forma diferente”, completou Luiz Roberto Hernandes.

Nesse sentido, o manejo de pasto foi essencial para o sucesso do sistema de produção. “Tem que dividir os pastos. Diminuir pasto. Um rotacionado ajuda muito. E, logicamente, não ter concorrente, não ter erva daninha. Aí você precisa dos parceiros, como a Corteva, que tem nos ajudado. Eles vêm com os técnicos, analisam qual é a erva daninha que tem naquele retiro, naquele pasto. Indicam as soluções e fazem projeto do melhor custo x benefício”, reconheceu Roque Quagliato.

Em conclusão, o empreendedor ressaltou também a importância da equipe e listou as ações sociais do grupo para com seus funcionários. “A gente procura atender com escola, saúde. Em todas as fazendas nós mantemos o programa de menor aprendiz”, comentou.

Confira o programa na íntegra abaixo:

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