São Paulo vira as costas para os produtores rurais, absurdo!

São Paulo vira as costas para os produtores rurais, absurdo!

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Foto Divulgação.

A agricultura familiar, normalmente em pequenos municípios, são dependentes da Casa da Agricultura. Governo vai fechar todas elas!

De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, as sedes das casas de agricultura de São Paulo vão fechar, entretanto, não haverá demissões de servidores públicos. Segundo o secretário de agricultura do estado, Gustavo Junqueira, o momento é de reestruturação.

A última reforma da Secretaria de Agricultura foi feita na década de 90, onde o quadro de funcionários era de 10 mil. Atualmente, são cerca de 3 mil pessoas. De acordo com a Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo serão mantidas apenas as 16 sedes administrativas regionais.

Em todo o estado, são 594 casas. Desse total, 60% estão fechadas devido a pandemia. Muitas das unidades que estão em funcionamento, o atendimento é feito somente com um funcionário, dessa forma, não justificaria manter as unidades abertas.

Servidores das casas de agricultura serão redirecionados para o campo

A previsão é que sejam mantidas apenas as sedes regionais, que somam 16 unidades. No entanto, segundo o governo, nenhuma demissão será feita. Isso porque os servidores serão alocados ao trabalho técnico no campo.

“A ideia é economizar com o custo de estrutura e enviar os técnicos e engenheiros para o campo, para ficar no campo e fazer seu trabalho”, disse o secretário.

“Nenhum servidor será desligado e eles também podem trazer sugestões e se envolver no projeto para que a gente faça uma implementação que envolva tanto produtor, como servidor”, comentou.

Em relação aos atendimentos oferecidos pelas casas de agricultura, como por exemplo a guia de trânsito animal (GTA), passarão a ser digitais e o produtor poderá acessar os serviços pelo celular.

Produtores temem falta de apoio na agricultura

Alguns questionamentos têm surgido entre profissionais e agricultores do setor. A preocupação do presidente do Sindicato Rural de Ourinhos, no interior de São Paulo, Eduardo Luiz Bicudo Ferraro, conhecido como Brigadeiro, é com aqueles produtores que não tem habilidade com o celular.

“Quem vai socorrer para fazer uma certidão ou para fazer uma documentação que, geralmente, a Casa da Agricultura fazia? Muitos produtores não têm facilidade com o celular”, disse.

Para Brigadeiro, a reforma é válida, mas precisa ser feita com cautela.

“Se tem alguma coisa errada, tem que corrigir, mas não acabar tudo em um dia só. Eu acho muito agressivo tudo isso. Os funcionários estão completamente perdidos, não sabem o que vai acontecer. Nós não sabemos nada, nós agricultores estamos totalmente no escuro”.

Pequenos produtores serão os mais afetados

De acordo com Wander Bastos, coordenador da Comissão Técnica de Bovinocultura Leiteira da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e presidente do Sindicato Rural de Cruzeiro, os pequenos e médios produtores serão os mais impactados..

“A agricultura familiar, normalmente em pequenos municípios, são dependentes da Casa da Agricultura. O atendimento é muito importante para esses pequenos produtores, desde assistência técnica feita pelos técnicos, como a compra de sementes de milho, feijão, arroz, etc, comentou.

Falta de internet no campo pode ser um dos problemas

Na pecuária, os criadores também podem ser impactados, principalmente, pela dificuldade no acesso a internet em algumas regiões.

“Os produtores têm uma certa dependência durante a época de declarar a vacina de brucelose e vacina contra contra aftosa. Já existe o meio eletrônico para fazer isso, mas na nossa região, que é muito serrana, tem pouca cobertura digital e os produtores acabam mesmo ficando na dependência”, acrescentou.

Para Wander, a transição precisa ser planejada e a parceria entre governo e prefeitura municipal será essencial.

“De repente será preciso montar, através da secretaria de agricultura do município e de seus departamentos, um suporte para absorver isso. Vão ter que conversar com o estado e isso precisa ser muito bem planejado para que tenha um impacto menor possível e que toda essa economia que será feita possa voltar para nós através de projetos”, ressaltou.

Setor se organiza e realiza petição pública

Extensionistas rurais, engenheiros agrônomos, técnicos, médicos veterinários e outros profissionais, juntamente com produtores rurais da agricultura familiar, estimada em 300 mil propriedades, pedem petição pública contra a extinção das casas de agriculturas de São Paulo. Para assinar a petição, clique aqui.

Fonte: Nação Agro

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