Quando problemas de saúde obrigaram Erez Milstein a abandonar os pomares na região central de Israel, ele precisou se afastar de uma rotina que havia marcado sua vida.
A saudade do campo, porém, encontrou uma nova forma de expressão: a restauração de máquinas agrícolas antigas.
O primeiro projeto começou com a compra de um velho trator Porsche. O que inicialmente parecia apenas um passatempo rapidamente se transformou em uma missão de preservação histórica e deu origem a uma das maiores coleções de máquinas agrícolas antigas do país.
Hoje, o Museu Lev Hasharon reúne cerca de 400 tratores, veículos, equipamentos e ferramentas que contam parte da história da agricultura israelense. Algumas das peças remontam ao final do século 19.
A coleção está localizada na Planície de Sharon, uma área de aproximadamente 100 quilômetros quadrados situada entre o Mar Mediterrâneo e as colinas de Samaria.
Como o museu nasceu de uma paixão pessoal
A obsessão de Milstein por restaurar tratores o levou a procurar máquinas esquecidas em kibbutzim e moshavim, comunidades rurais israelenses, onde descobriu equipamentos abandonados em depósitos de lixo.
Seus amigos, entusiasmados com o projeto, começaram a ajudar na restauração das máquinas, e logo suas famílias também se envolveram no trabalho.
O que começou como uma atividade informal ganhou estrutura oficial em 2003, quando o grupo se tornou uma organização sem fins lucrativos.
Com apoio governamental, transformaram as antigas instalações em um museu dedicado à memória da agricultura israelense, um tributo especialmente significativo diante da ameaça de desaparecimento dos pomares da região.
Voluntários preservam a história agrícola
Mais de 60 voluntários, antigos donos de garagens, agricultores aposentados e mecânicos, mantêm o museu em funcionamento.
A maioria é composta por octogenários, com o voluntário mais velho tendo 87 anos, enquanto o mais jovem frequenta a 11ª série.
Essas gerações trabalham juntas para revitalizar máquinas que testemunharam décadas de transformação nos campos israelenses.
Planície de Sharon enfrenta transformação
A Planície de Sharon, que exibia seus campos de laranjais em cartazes e postais israelenses até o início do século 21, enfrenta um futuro incerto.
Autoridades locais planejam eventualmente desmatá-la para construir novas cidades.
O Museu Lev Hasharon permanece como um monumento ao passado agrícola que desaparece, preservando não apenas máquinas, mas também histórias de famílias que dedicaram suas vidas à terra.













