Enquanto o El Niño preocupa agricultores brasileiros, há um tipo de produção que deve escapar dos danos: o algodão brasileiro. Embora o fenômeno climático ameace aumentar as chuvas no Sul do Brasil, as principais regiões produtoras de algodão — Centro-Oeste e Nordeste — enfrentarão impactos limitados.
Essa projeção partiu da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa). Conforme explicou o presidente Gustavo Viganó Piccoli durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão, o algodão não gosta de muita chuva, mas o fenômeno deve afetar menos a produção por causa do clima, o que permite à cultura resistir melhor do que outras lavouras.
Com isso, a Abrapa projeta crescimento de 8% a 10% na área plantada nesta temporada. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção chegue a 4,2 milhões de toneladas da pluma de algodão, enquanto a área cultivada deve avançar para 2,09 milhões de hectares.
Expansão compensa redução na produtividade
Ainda assim, a produtividade deve recuar 3,23% na safra 2026/27 devido às incertezas climáticas relacionadas ao El Niño. Porém, o aumento da área plantada compensará essa queda e fará a produção total crescer cerca de 0,33% em comparação com o ciclo 2025/26.
Rondônia lidera o crescimento percentual entre os estados produtores, com expansão de 28,79% da área. Maranhão vem em seguida com 9,48%, enquanto Piauí projeta aumento de 8,29%. Mato Grosso, maior produtor nacional, deve expandir sua área em 3,38%, o que representa o maior crescimento absoluto entre todas as unidades.
Proteção institucional e investimento em contingência
O governo federal reservou R$ 1,3 bilhão para ações de contingenciamento do El Niño em diferentes setores, conforme informou o ministro da Agricultura, André de Paula. O presidente Lula deve sancionar até 29 de setembro o Projeto de Lei 2.951/2024, que institui o marco legal do seguro rural no país.
A nova legislação previne o contingenciamento de recursos para o seguro rural, uma reivindicação histórica do setor, segundo o ministro da Agricultura. Essa proteção institucional, aliada ao padrão climático mais favorável nas regiões onde se concentra a produção de algodão.
Cria condições para que a cultura atravesse as incertezas climáticas da próxima safra com mais estabilidade do que outras lavouras brasileiras.













