Trutas-marrom vivem há milhares de anos nos lagos de montanha do sul da Noruega, mas a chegada delas a esses locais permanecia um mistério. Armadilhas de pesca com 7 mil anos, descobertas em águas de altitude, indicam que caçadores-coletores transportavam deliberadamente os peixes para novos locais.
Barreiras naturais, como cachoeiras, impediriam que os peixes alcançassem sozinhos esses lagos depois do recuo da geleira, há 10 mil anos. Há mais de 100 anos, pesquisadores propunham que humanos haviam transportado as trutas de propósito, embora outra teoria sugerisse que aves teriam levado os peixes ou seus ovos para lá.
Publicadas na revista Antiquity em 20 de julho, as descobertas confirmam que povos da Idade da Pedra não apenas coletavam recursos, mas também moldavam seus ambientes muito antes da chegada da agricultura.
Evidências antigas sob as águas
O Lago Tesse, localizado a cerca de 2.800 pés acima do nível do mar, era um dos lagos de trutas-marrom mais produtivos da Noruega. E rendia até dez toneladas de peixe por ano antes de se tornar uma represa hidrelétrica nos anos 1940.
Quando o nível do lago caiu em 2022, a redução da água revelou antigas estruturas de pesca e levou a uma escavação que descobriu várias armadilhas de madeira presas por estacas.
Cientistas recolheram mais de 100 amostras de madeira de quatro armadilhas para datação radioativa. Os testes dataram as duas estruturas mais antigas entre 4.950 e 5.000 a.C., e a dendrocronologia indicou que outra foi construída com madeira de 2.669 a 2.657 a.C. As datas sugerem que os caçadores-coletores mantiveram essas estruturas periodicamente ao longo de séculos.
Transporte e planejamento de longo prazo
Os pesquisadores ainda investigam como esses povos levaram as trutas às montanhas. Evidências arqueológicas indicam que eles usavam bolsas de couro, conhecidas como odres, para carregar os peixes. A região tinha sinais de processamento de peles de animais na época.
Como os peixes não sobreviveriam muito tempo em um recipiente portátil, o transporte teria ocorrido em várias etapas e exigido diversas viagens ao longo de anos.
O trabalho reflete um planejamento voltado para o futuro, não para obter ganho imediato. Segundo Axel Mjærum, arqueólogo da Universidade de Oslo, o trabalho dos caçadores-coletores de liberar trutas-marrom em lagos previamente sem peixes “é um exemplo muito claro da capacidade geral dos humanos de remodelar ecossistemas inteiros, mesmo antes da introdução da agricultura” na região.













