Anderson Bogonha e Dinair Correia transformaram uma pequena criação de 37 cabeças de gado em uma operação com mais de 2 mil animais em Mato Grosso do Sul. Esse crescimento resultou de decisões ao longo de 13 anos que contrariaram o plano inicial e mudou a vida do casal.
Dinair abandonou a contabilidade e um cargo em usina para se dedicar à pecuária, enquanto Anderson, com experiência familiar na atividade, decidiu construir o próprio negócio. Eles começaram em Alcinópolis, em terra arrendada. Ali, o plano de crescimento esbarrou nos primeiros fracassos.
Do arrendamento aos erros de planejamento
A estratégia inicial era arrendar áreas e comprar garrotes e bois magros. O casal escolhia os animais apenas pelo preço, na tentativa de acelerar os ciclos de engorda. Mas os resultados não acompanharam a expectativa. Quando o rebanho chegou a cerca de 400 bois, o casal percebeu que a operação exigia mais do que esperava.
Sem analisar todo o ciclo de produção, o casal teve perdas e tomou decisões que não trouxeram os ganhos esperados. Perdeu animais, e os investimentos não deram retorno. O modelo também precisou ser revisto radicalmente. Nesse ponto, Anderson e Dinair reconheceram os erros e mudaram de rumo.
A virada: fêmeas, tecnologia e planejamento
Ao perceber que comprar animais magros para engorda rápida não funcionava, o casal investiu na compra de fêmeas, cerca de mil bezerras, e reformulou a operação em torno da recria e da engorda. Com aproximadamente 400 hectares, a propriedade passou a adotar a terminação intensiva e o confinamento como pilares da estratégia.
O manejo de pastagem tornou-se central na operação. Anderson disse ao Canal Rural que o pasto é prioridade e a base de tudo. Hoje, a propriedade usa tecnologias de gestão, entre elas a ferramenta de inteligência artificial Andina, que ajuda a controlar pastagens e custos de produção.
Educação e compartilhamento de experiência
O casal usa redes sociais para compartilhar técnicas de pastejo rotacionado, manejo de capim e redução de custos. Esses temas interessam a pequenos pecuaristas em busca de referências. Com o tempo, a audiência nas plataformas cresceu e abriu espaço para cursos, palestras e mentorias sobre gestão da pecuária.
Dinair disse ao Canal Rural que o pequeno pecuarista que está começando não pode errar e precisa fazer as contas antes de investir na compra de animais. Segundo ela, o pequeno pecuarista precisa dominar os números para evitar as armadilhas que o casal enfrentou no passado.













