Uma antiga usina de aço em Newark, Nova Jersey, se transformou em uma das maiores fazendas verticais do mundo. A AeroFarms, responsável pelo projeto, deu início ao projeto em 2016 com a meta de produzir dois milhões de quilos de hortaliças folhosas por ano na unidade, sem usar solo, luz solar ou água.
A operação usa aeroponia, sistema em que as plantas crescem em pilhas verticais de camas de cultivo e recebem nutrientes por meio de ar úmido e controlado. O investimento total na unidade de Newark chega a US$ 30 milhões, resultado de uma parceria entre empresas privadas e o poder público local.
Uma revolução agrícola que questiona definições
Alguns questionam se o que a AeroFarms faz pode ser chamado de “fazenda”. A falta de solo e luz natural também levanta dúvidas sobre o que exatamente está sendo produzido.
Junto a isso, especialistas também questionam se um produto cultivado sem solo pode ser chamado de orgânico. Porém, o Departamento de Agricultura dos EUA não estabelece normas de certificação para métodos que não usam solo.
Carolyn Dimitri, diretora do programa de estudos alimentares da Universidade de Nova York, também levantou questionamentos quanto à viabilidade econômica desse modelo a longo prazo. Ela disse que a agricultura urbana é uma tendência, mas que sua viabilidade econômica continua incerta.
Ainda assim, defensores da agricultura vertical chamam a transformação de “terceira revolução verde”, comparando-a aos impactos causados por empresas como Apple e Tesla.
Rendimento extraordinário em espaço mínimo
A aeroponics promete algo que a agricultura tradicional não oferece: 70 vezes mais produção por metro quadrado. Isso significa que uma pequena instalação em um espaço urbano pode gerar colheitas que exigiriam fazendas enormes ao ar livre.
A AeroFarms afirma que o controle sobre luz, temperatura e nutrientes permite otimizar cada aspecto do crescimento vegetal. Em 2014, a empresa converteu uma antiga boate em Newark em uma unidade de pesquisa e desenvolvimento para demonstrar como a tecnologia funciona.
O ar úmido e sanitizado do espaço envolve as plantas e fornece o que elas precisam para crescer. Na agricultura convencional, chuva, luz solar e condições do solo estão além do controle humano.
Oportunidade econômica em área deprimida
Newark, cidade com dificuldades econômicas, vê no projeto uma chance de recuperação. A fazenda vertical promete gerar empregos e abastecer localmente a população com alimentos frescos. O governador de Nova Jersey, Chris Christie, visitou uma unidade menor da AeroFarms e elogiou a qualidade das hortaliças produzidas, afirmando que o sabor das folhas de rúcula não necessitava nem de tempero.
Investidores como a Prudential Financial apostam no modelo. A empresa investiu “capital paciente” no projeto, tipo de financiamento voltado para empreendimentos de impacto social que podem não gerar retorno financeiro imediato. A AeroFarms também já testou sua tecnologia em escolas, como a Philip’s Academy charter school, em Newark, onde alunos são servidos com hortaliças cultivadas nas próprias instalações.
Sem pesticidas, mas sem solo também
A AeroFarms vende seus produtos como livres de pesticidas e fertilizantes, um atrativo para consumidores que buscam alimentos orgânicos. A Prudential Financial afirma que há necessidade de alimentos saudáveis na área de Newark. O diferencial proposto é produzir de forma mais sustentável e com menos impacto ambiental do que os métodos agrícolas convencionais.
A aceitação do público ainda é incerta. Consumidores que optam por produtos orgânicos podem questionar a legitimidade de alimentos cultivados sem contato com o solo natural. A agricultura urbana é uma tendência, mas sua viabilidade econômica em grande escala permanece em aberto.













